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IPO da Sequoia, de transporte e logística, vai parar na Justiça

IPO da Sequoia, de transporte e logística, vai parar na Justiça

Advogado que emprestou dinheiro ao amigo, CEO da empresa, alega não ter recebido parcela relativa ao ganho das ações na oferta

A oferta inicial de ações (IPO) da Sequoia Logística levou o advogado Marcio Barbero à Justiça contra o presidente desta empresa, Armando Marchesan Neto, a quem acusa de não ter pago devidamente um empréstimo que lhe fez para comprar ações da companhia em 2017.

No processo, que corre na 30ª Vara Cível de São Paulo e foi obtido pelo jornal Valor, Barbero pede o direito de receber a valorização dos papéis no IPO - considerado um "evento de liquidez" das ações -, conforme previa o contrato.

O advogado, por meio de uma empresa chamada Downwind Investimentos e Participações, emprestou R$ 18,5 milhões a Marchesan, de quem era próximo, numa operação firmada em 13 de outubro de 2017. O dinheiro seria usado pelo presidente da Sequoia para comprar 707.729.578 ações ordinárias da companhia (19,14% do capital social) a R$ 0,03 por papel.

Em abril de 2020, o empresário terminou de pagar o empréstimo com juros, totalizando R$ 28,8 milhões. No entanto, teria alegado, segundo fontes, dificuldades por conta da pandemia para não pagar a remuneração variável atrelada ao lucro obtido em um evento de liquidez. Para o advogado, o IPO configura esse evento de liquidez. Diante disso, ele levou o caso à Justiça.

A Sequoia estreou na bolsa em outubro de 2020 após comercialização na qual levantou R$ 348,1 milhões na oferta primária (na qual os recursos vão para o caixa) e R$ 652,6 milhões na secundária (em que os sócios vendem seus papéis).


Os papéis foram precificados em R$ 12,40 no IPO. Antes da oferta, sofreram um grupamento de 50 para um em relação ao número que existia quando foi firmado o empréstimo. Assim, as 707.729.578 ações passaram a ser 14.154.591.

Marcio Barbero argumenta na ação que a remuneração adicional por causa do ganho auferido pelo empresário com o IPO teria de ser dividida, conforme o contrato, em 60% para o CEO da Sequoia e 40% para a Downwind.

Armando Marchesan Neto apresenta visão diferente na Justiça. A defesa do executivo argumenta que o pagamento dos R$ 28,8 milhões encerrou as obrigações. Além disso, Marchesan cedeu suas ações para o fundo Fram na ocasião do pagamento, o que também poderia ser interpretado como um evento de liquidez.

A Downwind tenta provar na Justiça que o CEO da Sequoia já estava em negociações para o IPO, mas omitiu isso do credor para não cumprir o contrato.

Precificados a R$ 12,40 no IPO em outubro de 2020, os papéis da Sequoia hoje valem R$ 15,08, segundo fechamento de ontem na B3. No ano, a variação é positiva em 6,64%. Em 2021, chegou a atingir um pico de R$ 31,24, em 26 de fevereiro - uma valorização de 150% sobre o preço inicial. Depois perdeu fôlego no decorrer do ano, embora atualmente ainda apresente uma valorização de 22% sobre o preço do lançamento - performance superior a de muitos IPOs realizados no ano passado.