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Área de saúde se moderniza com foco no uso de tecnologia

Área de saúde se moderniza com foco no uso de tecnologia

A grande movimentação mundial na área de saúde, acelerada pelo surgimento há dois anos da pandemia de Covid-19, contou com mais um lance importante agora em dezembro, com a compra da Cerner pela gigante Oracle, negociação de 28,3 bilhões de dólares que marca um grande passo para a empresa de Larry Ellison, originalmente conhecida pelo seu banco de dados relacional criado nos anos 70 para o mercado de TI.

A Cerner é a maior vendedora de software para registro eletrônico de dados de saúde nos Estados Unidos depois da Epic Systems. Ela dará à Oracle acesso a dados que podem ser usados para treinar e melhorar serviços em nuvem baseados em inteligência artificial. Fundada em 1977 na Califórnia e hoje sediada em Austin, Texas, a Oracle lançou, há dois anos, um serviço de coleta de dados clínicos em nuvem que reúne o levantamento de informações com o uso de sensores, aplicativos de pacientes, EHR (gestão de pacientes) e laboratórios para apoiar o desenvolvimento de novas terapias.

A corrida para modernização do setor não tem apenas empresas de tecnologia como a Oracle e a Cerner como protagonistas. Hospitais, operadoras de saúde e de telecomunicações, médicos e administradores hospitalares, entre outros, encampam os avanços da atividade numa velocidade como nunca se viu antes. Um ambiente que agora vai ser turbinado com a chegada do sistema 5G, e que eliminará um dos maiores gargalos nos processos de teleatendimento, que são os delays, os atrasos que comprometem uma boa conexão e a conversa médico-paciente.

Além do tele-atendimento para consultas, há também os prontuários eletrônicos, a troca de exames de imagens e de laudos médicos, prescrição de receituário, até chegar ao mais avançado estágio da medicina atual, o da cirurgia robótica. Para consolidar esse conjunto de ações, há um novo fenômeno que os entusiastas da tecnologia acreditam ser a verdadeira disrupção na indústria de saúde: o surgimento do metaverso, o mundo virtual em que os usuários vão interagir por intermédio de avatares, como aqueles que se tornaram conhecidos do grande público com o filme "Avatar", de 2009.

Esse novo ambiente, que já fez uma das maiores empresas do mundo, o Facebook, trocar seu nome corporativo para "Meta", está sendo construído pela união de tecnologias como a realidade virtual (VR), a realidade estendida (XR) e a realidade aumentada (AR). Antes restritas ao ambiente de games e de entretenimento em parques temáticos como Disney e Universal, agora começam a ter utilidade em outros setores da indústria, comércio e serviços. O segmento de saúde é visto como um dos que mais se beneficiará desse avanço.

A realidade virtual já é empregada, por exemplo, nos tratamentos de alguns casos psiquiátricos, contribuindo para redução da ansiedade dos pacientes; e também no campo da fisioterapia. Além disso, tanto a VR quanto a AR têm sido utilizadas em operações, apoiando o planejamento cirúrgico em situações complexas e funcionando como um navegador durante a realização do procedimento, como mostrou em recente reportagem a revista Época Negócios.

A tecnologia poderá ser empregada em várias áreas médicas, como cardiologia, neurologia, oncologia e traumas ortopédicos. Um oftamologista, por exemplo, poderá ter uma visão tridimensional dos olhos do paciente para encontrar anomalias.

Todas essas novidades chegarão aos poucos aos principais hospitais, primeiro da rede privada e posteriormente à rede pública. O Sistema Único de Saúde (SUS), poderá se beneficiar desde que haja uma política pública voltada o uso de recursos de tecnologia a partir do próximo governo, que será eleito no final de 2022.

As operadoras de saúde irão se beneficiar igualmente do uso maciço de tecnologia, que trará reduções de custos importantes que reflitam no valor mensal pago pelos clientes dos planos. Um usuário da Prevent Senior, ouvido por IPO News, contou que obteve o aval de um médico cardiologista - após a análise dos exames disponíveis em rede - para uma cirurgia no abdômen, a partir de uma consulta feita por teleatendimento.

Plano voltado originalmente para a terceira idade, a Prevent Senior cresceu muito nos últimos anos ao permitir a entrada de clientes com menos de 60 anos, conseguindo praticar preços mais acessíveis no mercado com o uso de uma estrutura própria verticalizada e implantando cada vez mais recursos tecnológicos para atendimento e relacionamento com os usuários.

Outra operadora, mais recente, voltada ao perfil de baixo custo e à oferta de planos individuais, é a QSaúde, com origem na capital paulista. Sem possuir rede própria, esse novo plano conseguiu incluir em seu portfólio alguns dos melhores hospitais de São Paulo, como Albert Einstein, Oswaldo Cruz, Santa Catarina e HCor, procurando se colocar com uma "HealthTech" do setor.

Como diferenciais, a QSaúde disponibiliza a figura do "médico de família", que acompanha todo o histórico do paciente com o intuito de oferecer um atendimento personalizado - algo que o sistema de saúde atual, público ou privado, tem dificuldade em oferecer. Além disso, proporciona acesso 24 horas à equipe médica por App e consultas por teleatendimento.

Além de QSaúde e Prevent Senior, o segmento vem assistindo ao surgimento de startups como forte apelo tecnológico, o que pode ser benéfico para a ponta mais afetada de todo esse sistema - a do usuário - em busca de reduções de preços sem a perda de qualidade do serviço prestado pelas estruturas de saúde.

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