À CNN, Lula Guimarães avalia que a forma como Flávio Bolsonaro reagiu ao caso Master revelou incoerência e fragilizou sua candidatura presidencial
O jornalista especialista em marketing político Lula Guimarães avaliou, em entrevista ao CNN 360°, o impacto do áudio envolvendo Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre a campanha presidencial do senador. Para Guimarães, o que mais chamou a atenção no episódio foi o despreparo de Flávio Bolsonaro ao lidar com a situação.
"O que mais surpreendeu nesse caso foi um pouco do despreparo que ele teve para responder a esse tipo de situação", afirmou Guimarães. Segundo o especialista, qualquer profissional de comunicação que acompanhou o caso identificou a ausência de uma estratégia prévia para conter os danos.
Guimarães destacou que, diante de um áudio registrado em que Flávio pede uma quantia expressiva de dinheiro a um banqueiro em situação delicada, o esperado seria que a equipe de campanha tivesse sido informada com antecedência para elaborar uma resposta consistente.
"Ele não ter tomado nenhuma providência anterior para resolver essa questão, como a gente chama na comunicação, vacinar isso - criar um discurso que pudesse trazer alguma saída para esse tipo de situação - é que é surpreendente", disse.
O especialista também criticou a postura de Flávio ao ser questionado por um repórter do Intercept sobre o empréstimo. "Ao invés de admitir naquele momento, ele dá uma risada. É muito ruim. Esse tipo de comportamento revela para a comunicação uma certa incoerência", avaliou Guimarães.
Para ele, independentemente do conteúdo da defesa, o que ficou fragilizado foi a postura de não encarar a situação e dizer logo a verdade.
Resiliência nas pesquisas surpreende analistas
Apesar do episódio, Guimarães observou que tanto a pesquisa do Datafolha quanto a do Nexus com o BTG, além de outros institutos, apontaram uma certa resiliência de Flávio Bolsonaro e da candidatura da direita.O analista interpretou esse cenário como indicativo de que a disputa eleitoral pode ser mais uma batalha de rejeições do que de preferências. "A rejeição ao Lula é alta e a rejeição ao Flávio Bolsonaro também é alta", pontuou.
Guimarães mencionou ainda uma observação feita pelo jornalista Pedro Doria, com quem se encontrou na semana anterior. Segundo Doria, a soma dos escândalos atribuídos ao Lula (PT) - como o Triplex e o sítio de Atibaia - chegaria a cerca de R$ 3 ou 4 milhões, valor muito inferior aos R$ 134 ou 136 milhões envolvidos no empréstimo ligado ao caso do filme citado no áudio de Flávio.
"Há de se esclarecer ainda se esse dinheiro foi de fato para um filme, se é legítimo esse dinheiro para financiar um filme, ou onde foi parar essa grana", afirmou Guimarães.
O caminho correto seria a transparência
Questionado sobre o que poderia ter sido feito de diferente, Guimarães foi direto: a melhor estratégia em uma crise dessa magnitude é admitir os fatos o quanto antes. "Nesse caso específico do Flávio, primeiro tem uma coisa ruim que foi ele não ter comentado isso com os estrategistas dele antes, porque tirou dessa turma a chance de poder fazer uma resposta antecipada", explicou.O especialista comparou a situação à de alguém que contrata um advogado de defesa sem revelar os detalhes do crime cometido. "É necessário ter essa estratégia de prevenção, pelo menos", concluiu Guimarães, ressaltando que a tentativa de esconder informações foi, na sua avaliação, o pior caminho possível para a campanha de Flávio Bolsonaro.
CNn Brasil
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