Presidente do PSD aumenta seu capital político para ser vice de Tarcísio, turbinar bancadas e negociar apoios com os polos
Beto Bombig
O movimento "três em um" (três presidenciáveis para uma candidatura) do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que sacudiu o espectro político-partidário brasileiro do centro para a direita nesta semana tem, coincidentemente, três objetivos a serem alcançados no curto, médio e longo prazos, sem ordem de prioridades, porém, completamente dependentes entre si.
O primeiro é eleger a maior e mais forte bancada congressual, desbancando na Câmara o PL de Valdemar Costa Neto. A razão é simples: Kassab busca eleger uma quantidade de parlamentares que torne o PSD fundamental qualquer que seja o presidente da República a partir de 2027. Nesse caso, com a entrada do governador Ronaldo Caiado (GO) no partido, a sigla tem hoje três nomes muito fortes para concorrer não apenas ao Planalto, mas também ao Senado.
A trinca de governadores Caiado, Ratinho Jr. (PR) e Eduardo Leite (RS), hoje posicionada para concorrer à sucessão de Lula (PT), possui grandes chances nas disputas estaduais pelo Senado, pelo qual se travará uma das mais importantes batalhas eleitorais deste ano, e forte poder de ajudar o PSD a eleger deputados federais nesses estados. Em outros termos, Kassab tem agora três pré-candidatos a presidente e dois potenciais senadores eleitos.
No horizonte dessa estratégia, o PSD trabalha com a possibilidade de saltar de 47 para 80 parlamentares na Câmara e voltar a ter 15 senadores, após ter perdido um deles para o PL. Uma bancada forte no Senado dará a Kassab poder para tentar eleger o presidente da Casa Alta e o manterá como figura relevante nas articulações com o Supremo Tribunal Federal.
O segundo objetivo inclui o futuro do próprio Kassab, que quer ser governador de São Paulo a partir de abril de 2030. Para isso, ele precisa que Tarcísio de Freitas (Republicanos) seja candidato à reeleição em São Paulo e o escolha ou o aceite como vice na chapa deste ano. O cálculo político, nesse caso, é evidente: ao final de eventual segundo mandato, o atual chefe do Bandeirantes, de quem Kassab é secretário, deverá deixar o cargo para concorrer ao Planalto.
Nesse sentido, ao acenar com três pré-candidaturas a presidente neste ano, Kassab, ao mesmo tempo, dificulta e facilita a vida de Tarcísio. A dificuldade ocorre porque o PSD congestiona a pista das pré-candidaturas a presidente na centro-direita, colocando um novo obstáculo ao cada vez mais minguante projeto nacional do governador de São Paulo em 2026.
No entanto, cria uma facilidade ao diminuir as possibilidades de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se firmar como líder máximo do campo conservador brasileiro, possibilidade que dependerá de seu desempenho nas urnas, não nas pesquisas. Ou seja, uma derrota acachapante do filho de Jair Bolsonaro, indicado pelo pai como candidato a presidente, pode limpar um pouco a pista para Tarcísio rumo a 2030.
O terceiro objetivo de Kassab, com o lançamento de um nome para o Planalto, é criar um discurso de "neutralidade propositiva" na provável polarização entre o presidente Lula (PT) e Flávio Bolsonaro. Essa condição retira o peso hoje colocado sobre os candidatos do PSD a governador e ao Congresso nos estados de se posicionarem entre um ou outro polo, facilitando seus projetos regionais.
Em termos eleitorais, no pior cenário para Kassab, se um candidato a presidente do PSD conseguir convencer parte do eleitorado de que é a "terceira via" e obter entre 7% e 10% dos votos no primeiro turno da disputa presidencial, o partido terá um ativo valioso para negociar com quem quer que seja no segundo turno.
Em conversas privadas, Kassab costuma utilizar a expressão "bem posicionado" para se referir a algo ou a alguém em situação confortável em termos de estratégica e colocação política. Neste ano, ao menos por ora, ele pode aplicá-la quando comentar sua própria condição. logo-jota
Jota
https://www.jota.info/eleicoes/eleicoes-2026/o-que-esta-por-tras-do-projeto-eleitoral-tres-em-um-de-gilberto-kassab





