Gabriel Galípolo no Banco Central em setembro de 2025 - Gabriela Biló/Folhapress |
Anúncio de corte de juros em próxima reunião do Copom dá prazo para mercado se ajustar, dizem analistas

Anúncio de corte de juros em próxima reunião do Copom dá prazo para mercado se ajustar, dizem analistas

  • Comunicado do comitê aponta que ciclo de baixa dos juros deve começar em março
  • Especialistas dizem que taxa, atualmente em 15% ao ano, deverá ser cortada em até 0,5 ponto

Felipe Gutierrez

Ao divulgar sua decisão por manter a Selic (taxa básica de juros) em 15% ao ano, o Copom (Comitê de Política Monetária) afirmou em comunicado que antevê iniciar uma redução de juros em sua próxima reunião, que acontece nos dias 17 e 18 de março.

O texto chamou a atenção de analistas. Adriana Dupita, da Bloomberg, diz que a decisão já era esperada, mas o tom do comunicado "é onde o bicho pega".

"Eles se comprometem a começar o corte em março, o que é uma sinalização bem-vinda e bem importante para dar uma linha do tempo aos agentes de que [o Copom] vai começar a desapertar a política monetária", afirmou.



"O comunicado trouxe sinalizações fundamentais para as próximas reuniões, e o ponto de maior inflexão foi a retirada da diretriz que mencionava a exigência de uma política monetária significativamente contracionista por um período bastante prolongado", diz José Marcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos.

Juliana Inhasz, professora do Insper, afirma que já era esperado que o comunicado fosse mais brando, "mas com um discurso de 'estamos de olho'".

Segundo ela, o BC deverá fazer um pequeno corte na Selic em março e, então, mapear o mercado e entender como as coisas vão ocorrer.

TAMANHO DO CORTE

Os especialistas que acompanham a política monetária se dividem: a maioria diz que a primeira redução deverá ser de 0,25 ponto percentual, mas Dupita prevê uma redução maior, de 0,5 ponto.

"Só assim se afrouxa a política monetária, especialmente se for confirmado que as expectativas de inflação estão caindo", ela diz. A economista também cita a trajetória do dólar, que fechou nesta quarta-feira (28) em R$ 5,207 e atingiu o menor nível em quase dois anos nesta semana.

"Eles devem ser discretos, vão querer sentir a temperatura", afirma André Braz, do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV.

O economista lista alguns fatores que devem ajudar a controlar a inflação nas próximas semanas: o preço da gasolina pode cair em até 2%, o que implicaria uma redução de 0,1 ponto percentual no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), e há possibilidade de bandeira verde na tarifa de eletricidade.

Por outro lado, ele afirma, é esperado que as mensalidades escolares influenciem na alta generalizada de preços.

Ailton Braga, que é assessor legislativo do Senado e já foi analista do BC (Banco Central) chama a atenção para a desaceleração da atividade. Segundo ele, os dados dessazonalizados do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) indicam que o auge da atividade econômica ocorreu no início do ano passado.

Além disso, afirma, quando se observa o indicador de inflação dos últimos três meses, vê-se que a subida de preços está mais próxima do centro da meta, de 3%.

Folha de S.Paulo
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/01/anuncio-de-corte-de-juros-em-proxima-reuniao-do-copom-da-prazo-para-mercado-se-ajustar-dizem-analistas.shtml