Newsletter semanal do jornalista Thiago Prado continua série de entrevistas com estrategistas políticos ouvindo o profissional que atualmente auxilia o presidente da Câmara, Hugo Motta; conteúdo também traz proposta inusitada do prefeito de Maricá e recomenda série sobre o título mundial da Argentina
Por Thiago Prado na newsletter Jogo Político
A popularidade do presidente Lula não para de cair, basta ver os números da Quaest divulgados hoje, e nossa série com estrategistas políticos e donos de institutos de pesquisa segue investigando as causas da queda e os significados dos números para as eleições do ano que vem.
O oitavo entrevistado da newsletter Jogo Político é o marqueteiro Chico Mendez, com extenso currículo em campanhas nacionais e internacionais. Foi vitorioso com Fernando Pimentel, em Minas Gerais, em 2014; no segundo turno com João Doria, em São Paulo, em 2018, mesmo ano em que fez a campanha de Henrique Meirelles ao Planalto. Fora do Brasil, participou das disputas na Venezuela, com Henrique Capriles, e no Peru, com Pedro Paulo Kuczynski, o PPK. Chico Mendez está nesse momento auxiliando na comunicação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos).
Ele discorda da entrevista que João Santana me deu no mês passado, falando que a saída para o governo Lula é dar uma guinada à esquerda nos dois anos finais. Para Chico, a receita deveria ter sido justamente a oposta desde 2023: sinalizar mais ao centro e à Frente Ampla formada para vencer Jair Bolsonaro no ano anterior nas urnas.
Desde janeiro, o governo trocou a área de comunicação, anunciou medidas, mas chegamos em abril e não há ainda nenhum sinal de melhora na popularidade de Lula, segundo a pesquisa Quaest divulgada hoje. Por quê?
Tem uma coisa maior do que simplesmente a insatisfação pela alta dos alimentos, como todos avaliaram. Lembra quando, em 2015, a ex-presidente Dilma (Rousseff) foi acusada pela esquerda de estelionato eleitoral por ter feito um arrocho fiscal diferente do prometido na campanha? Está acontecendo a mesma coisa agora, só que às avessas. Lula fez um governo para o PT, ignorou o centro e os liberais que o apoiaram em 2022. Isso funcionou durante um tempo enquanto o 8 de janeiro reverberava, como bem te disse o João Santana na entrevista dele. Agora, acabou.
Pelo visto o senhor discorda do João Santana quando ele disse que a saída para o governo está em dar uma guinada à esquerda...
Penso bem diferente dele. Lula foi eleito com uma diferença mínima de votos, ou seja, sem espaço para avançar com a agenda petista. Depois de 2002, ele teve sucesso por ter expandido o seu campo e colocado em prática uma agenda liberal. Lá atrás, isso diminuiu a chance de críticas. Lula capturou os temas dos adversários. Desta vez, os liberais tinham algumas expectativas de novo. Cito dois exemplos: uma política fiscal mais robusta e um repúdio maior ao regime na Venezuela. Deu-se o oposto desde 2023.
Os governistas rebatem esse tipo de fala com os seguintes argumentos: Lula chegou perto do déficit primário zero, nomeou Simone Tebet no Planejamento como o mercado queria e se distanciou de Maduro ao longo do mandato. Não foram os tais gestos que o senhor prega?
Tudo muito tímido. No fim do ano, o governo preferiu misturar o anúncio da isenção do Imposto de Renda com o corte de gastos. Isso confunde as pessoas. Além disso, enquanto o Nicolas Maduro dava golpes em cima de golpes, o PT fazia nota de apoio à ditadura. Foi esse documento do PT sobre Maduro que reverberou. Lula, no máximo, se distanciou "em off" do presidente da Venezuela. Ele nunca se impôs com o Maduro no tema da democracia. Em um país superideologizado como o Brasil, não dá mais para ser dúbio nem titubear. A verdade é que Lula prometeu um governo de Frente Ampla, mas entregou um de Frente Janja.
O que é a Frente Janja?
Sem preconceito e sem demérito, mas ela representa uma agenda identitária de esquerda que é minoritária no Brasil e que não representa a frente ampla que ajudou a eleger Lula.
Acha que a primeira-dama atrapalha a imagem do presidente?
O ministro (da Secom) Sidônio (Palmeira) é muito experiente. Ele deu um cavalo de pau nas redes sociais do governo, e ela saiu de cena completamente. Se isso aconteceu, é porque pesquisas mostraram que ela não estava ajudando.
Pé de meia, isenção do IR, "empréstimo do Lula"... Algumas dessas marcas podem ser a bala de prata que vai virar o jogo da popularidade para o governo?
Não é assim que funciona mais. Hoje em dia, as marcas da gestão são muito menos importantes. Mais relevante é a marca do gestor. Isso tem a ver com a maneira como consumimos conteúdos e formamos opinião hoje em dia. A pessoa física venceu a jurídica. Vale para o setor público e para as empresas, veja o movimento dos CEOs cada vez mais se comunicando com a sociedade. Estamos em um Brasil em que, dos 50 maiores perfis do Instagram, todos são de pessoas físicas. Quero dizer o seguinte: ninguém segue o perfil do Planalto, as pessoas vão seguir o do Lula. Instituições não contam histórias. Instituições têm suas histórias contadas e recontadas por líderes. Vamos falar de São Paulo. Afinal, qual a marca da gestão Tarcísio de Freitas? É o próprio Tarcísio, oras. O que ele carrega, os valores militares e de bom administrador. Tarcísio é a noiva mais desejada do Brasil e pode ser a grande anistia também.
Aliados de Bolsonaro, como o pastor Silas Malafaia e o senador Ciro Nogueira, acham exatamente isso que o senhor insinuou: após vencer a eleição presidencial em 2026, Tarcísio estaria forte o suficiente para anistiar o ex-presidente e outros condenados no 8 de janeiro...
O tema da anistia está ganhando corpo, ainda que não tenha mobilizado as ruas. Fiz pesquisas qualitativas recentes e já há integrantes de grupos de entrevistados falando até em dosimetria de pena para acusados pelo 8 de janeiro.
Mas uma coisa é anistiar a Debora Rodrigues, pichadora do batom, outra coisa é anistiar Bolsonaro. Tarcísio não terá problemas em defender isso em uma hipotética campanha presidencial?
Depende de como estará a avaliação do governo, do Bolsonaro e dos atributos que a direita vai construir ao longo do tempo diante da população. Debora e Bolsonaro têm dimensões diferentes, mas, no fundo, a causa é a mesma. Ambos estão se colocando como injustiçados sendo penalizados pelo sistema. Esta tem tudo para ser uma história poderosa. Não tenho dúvida de que uma prisão de Bolsonaro o tornará uma figura mítica ainda maior. Vai reforçar a dinâmica religiosa do bolsonarismo.
Estão todos na direita tentando bajular Bolsonaro neste momento. Mesmo se estiver preso, a eleição presidencial passará pela escolha dele?
Natural passar. O bolsonarismo cooptou toda a direita e eliminou a parte liberal. Neste momento, o Tarcísio está fazendo o jogo certo: apoiá-lo para mostrar gratidão e lealdade. Agora, os outros nomes são competitivos também. Qualquer que seja o candidato, a direita vai se unir em um segundo turno. Ronaldo Caiado tem uma trajetória desde os anos 80, (Romeu) Zema e esse estilo caipira antissistema, do cara que sofre bullying... Todos têm uma história para contar, mas acho Tarcísio o mais forte por ter o DNA do Bolsonaro.
Seu cliente, Hugo Motta, vai pautar a anistia?
Aí você tem que ver com ele, não tenho autorização para falar pelo Hugo. Agora, vale observar: só o fato de a direita insistir no tema já fez o Judiciário se mexer e aliviar a barra. O (Alexandre de) Moraes colocou a Debora em prisão domiciliar, o Fux falou que quer discutir a condenação de 14 anos. Nesses tempos que vêm aí, o Centrão vai exercer um papel bem importante de domo de ferro (referência ao sistema de defesa antiaérea de Israel) das instituições e da democracia no Brasil.
Como assim?
Existem dois tipos de centro. O eleitoral, que é uma abstração e morreu em 2022. E o político, que é o Centrão. Esse sim, sobrevive e mantém as instituições vivas. São lideranças como Rodrigo Pacheco, Davi Alcolumbre, Hugo Motta, Arthur Lira... A imprensa e as elites acabam sendo injustas e preconceituosas com eles e não dando o devido valor.
Não é muito cômoda essa vida de Centrão? Mandando no orçamento, posando de defensor da democracia, mas quem responde pela popularidade do governo é o presidente...
Cômodo, em tese. Na democracia digital que vivemos hoje em dia, Hugo Motta está apanhando dos dois lados nas redes sociais. É uma pressão real, e ele vai precisar se equilibrar nesse jogo ao longo do mandato. Sobre o orçamento, não domino gestão pública, mas quem sabe mais das demandas do eleitor? O deputado ou o gestor burocrata em Brasília? Será mesmo que toda emenda é ruim?
O senhor trabalhou para o PSDB, e o partido está em conversas com siglas do Centrão, como o Republicanos, para uma fusão. É a única saída para os tucanos?
Sim, terão que fazer esse movimento, coisa que sempre tiveram ojeriza na época em que mandavam no Brasil e faziam aliança com o PFL sem considerá-los parte da elite intelectual. Vão ter que perder o nojinho e fazer parte do Centrão. Vou criar uma expressão por aqui: o PSDB é um partido transinfluente. Não é, mas se identifica como se fosse.
Quem você vislumbra como nova liderança na esquerda ou centro-esquerda para o pós-Lula?
O PT deveria ter a dimensão de olhar fora do partido. Acho que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, deveria ser a semente regada pela esquerda para os próximos anos. Paes deixou de ser o playboy da Zona Sul para ser um suburbano do samba e com leveza. Ele tem domínio do digital, rapidez, sagacidade e deboche. Tudo na medida certa para o embate com essa direita nos próximos anos.
O Globo
https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/04/02/jogo-politico-lula-prometeu-uma-frente-ampla-mas-entregou-uma-frente-janja-diz-marqueteiro-chico-mendez.ghtml
A popularidade do presidente Lula não para de cair, basta ver os números da Quaest divulgados hoje, e nossa série com estrategistas políticos e donos de institutos de pesquisa segue investigando as causas da queda e os significados dos números para as eleições do ano que vem.
O oitavo entrevistado da newsletter Jogo Político é o marqueteiro Chico Mendez, com extenso currículo em campanhas nacionais e internacionais. Foi vitorioso com Fernando Pimentel, em Minas Gerais, em 2014; no segundo turno com João Doria, em São Paulo, em 2018, mesmo ano em que fez a campanha de Henrique Meirelles ao Planalto. Fora do Brasil, participou das disputas na Venezuela, com Henrique Capriles, e no Peru, com Pedro Paulo Kuczynski, o PPK. Chico Mendez está nesse momento auxiliando na comunicação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos).
Ele discorda da entrevista que João Santana me deu no mês passado, falando que a saída para o governo Lula é dar uma guinada à esquerda nos dois anos finais. Para Chico, a receita deveria ter sido justamente a oposta desde 2023: sinalizar mais ao centro e à Frente Ampla formada para vencer Jair Bolsonaro no ano anterior nas urnas.
Abaixo, os principais trechos da conversa com Chico Mendez.
Desde janeiro, o governo trocou a área de comunicação, anunciou medidas, mas chegamos em abril e não há ainda nenhum sinal de melhora na popularidade de Lula, segundo a pesquisa Quaest divulgada hoje. Por quê?
Tem uma coisa maior do que simplesmente a insatisfação pela alta dos alimentos, como todos avaliaram. Lembra quando, em 2015, a ex-presidente Dilma (Rousseff) foi acusada pela esquerda de estelionato eleitoral por ter feito um arrocho fiscal diferente do prometido na campanha? Está acontecendo a mesma coisa agora, só que às avessas. Lula fez um governo para o PT, ignorou o centro e os liberais que o apoiaram em 2022. Isso funcionou durante um tempo enquanto o 8 de janeiro reverberava, como bem te disse o João Santana na entrevista dele. Agora, acabou.
Pelo visto o senhor discorda do João Santana quando ele disse que a saída para o governo está em dar uma guinada à esquerda...
Penso bem diferente dele. Lula foi eleito com uma diferença mínima de votos, ou seja, sem espaço para avançar com a agenda petista. Depois de 2002, ele teve sucesso por ter expandido o seu campo e colocado em prática uma agenda liberal. Lá atrás, isso diminuiu a chance de críticas. Lula capturou os temas dos adversários. Desta vez, os liberais tinham algumas expectativas de novo. Cito dois exemplos: uma política fiscal mais robusta e um repúdio maior ao regime na Venezuela. Deu-se o oposto desde 2023.
Os governistas rebatem esse tipo de fala com os seguintes argumentos: Lula chegou perto do déficit primário zero, nomeou Simone Tebet no Planejamento como o mercado queria e se distanciou de Maduro ao longo do mandato. Não foram os tais gestos que o senhor prega?
Tudo muito tímido. No fim do ano, o governo preferiu misturar o anúncio da isenção do Imposto de Renda com o corte de gastos. Isso confunde as pessoas. Além disso, enquanto o Nicolas Maduro dava golpes em cima de golpes, o PT fazia nota de apoio à ditadura. Foi esse documento do PT sobre Maduro que reverberou. Lula, no máximo, se distanciou "em off" do presidente da Venezuela. Ele nunca se impôs com o Maduro no tema da democracia. Em um país superideologizado como o Brasil, não dá mais para ser dúbio nem titubear. A verdade é que Lula prometeu um governo de Frente Ampla, mas entregou um de Frente Janja.
O que é a Frente Janja?
Sem preconceito e sem demérito, mas ela representa uma agenda identitária de esquerda que é minoritária no Brasil e que não representa a frente ampla que ajudou a eleger Lula.
Acha que a primeira-dama atrapalha a imagem do presidente?
O ministro (da Secom) Sidônio (Palmeira) é muito experiente. Ele deu um cavalo de pau nas redes sociais do governo, e ela saiu de cena completamente. Se isso aconteceu, é porque pesquisas mostraram que ela não estava ajudando.
Pé de meia, isenção do IR, "empréstimo do Lula"... Algumas dessas marcas podem ser a bala de prata que vai virar o jogo da popularidade para o governo?
Não é assim que funciona mais. Hoje em dia, as marcas da gestão são muito menos importantes. Mais relevante é a marca do gestor. Isso tem a ver com a maneira como consumimos conteúdos e formamos opinião hoje em dia. A pessoa física venceu a jurídica. Vale para o setor público e para as empresas, veja o movimento dos CEOs cada vez mais se comunicando com a sociedade. Estamos em um Brasil em que, dos 50 maiores perfis do Instagram, todos são de pessoas físicas. Quero dizer o seguinte: ninguém segue o perfil do Planalto, as pessoas vão seguir o do Lula. Instituições não contam histórias. Instituições têm suas histórias contadas e recontadas por líderes. Vamos falar de São Paulo. Afinal, qual a marca da gestão Tarcísio de Freitas? É o próprio Tarcísio, oras. O que ele carrega, os valores militares e de bom administrador. Tarcísio é a noiva mais desejada do Brasil e pode ser a grande anistia também.
Aliados de Bolsonaro, como o pastor Silas Malafaia e o senador Ciro Nogueira, acham exatamente isso que o senhor insinuou: após vencer a eleição presidencial em 2026, Tarcísio estaria forte o suficiente para anistiar o ex-presidente e outros condenados no 8 de janeiro...
O tema da anistia está ganhando corpo, ainda que não tenha mobilizado as ruas. Fiz pesquisas qualitativas recentes e já há integrantes de grupos de entrevistados falando até em dosimetria de pena para acusados pelo 8 de janeiro.
Mas uma coisa é anistiar a Debora Rodrigues, pichadora do batom, outra coisa é anistiar Bolsonaro. Tarcísio não terá problemas em defender isso em uma hipotética campanha presidencial?
Depende de como estará a avaliação do governo, do Bolsonaro e dos atributos que a direita vai construir ao longo do tempo diante da população. Debora e Bolsonaro têm dimensões diferentes, mas, no fundo, a causa é a mesma. Ambos estão se colocando como injustiçados sendo penalizados pelo sistema. Esta tem tudo para ser uma história poderosa. Não tenho dúvida de que uma prisão de Bolsonaro o tornará uma figura mítica ainda maior. Vai reforçar a dinâmica religiosa do bolsonarismo.
Estão todos na direita tentando bajular Bolsonaro neste momento. Mesmo se estiver preso, a eleição presidencial passará pela escolha dele?
Natural passar. O bolsonarismo cooptou toda a direita e eliminou a parte liberal. Neste momento, o Tarcísio está fazendo o jogo certo: apoiá-lo para mostrar gratidão e lealdade. Agora, os outros nomes são competitivos também. Qualquer que seja o candidato, a direita vai se unir em um segundo turno. Ronaldo Caiado tem uma trajetória desde os anos 80, (Romeu) Zema e esse estilo caipira antissistema, do cara que sofre bullying... Todos têm uma história para contar, mas acho Tarcísio o mais forte por ter o DNA do Bolsonaro.
Seu cliente, Hugo Motta, vai pautar a anistia?
Aí você tem que ver com ele, não tenho autorização para falar pelo Hugo. Agora, vale observar: só o fato de a direita insistir no tema já fez o Judiciário se mexer e aliviar a barra. O (Alexandre de) Moraes colocou a Debora em prisão domiciliar, o Fux falou que quer discutir a condenação de 14 anos. Nesses tempos que vêm aí, o Centrão vai exercer um papel bem importante de domo de ferro (referência ao sistema de defesa antiaérea de Israel) das instituições e da democracia no Brasil.
Como assim?
Existem dois tipos de centro. O eleitoral, que é uma abstração e morreu em 2022. E o político, que é o Centrão. Esse sim, sobrevive e mantém as instituições vivas. São lideranças como Rodrigo Pacheco, Davi Alcolumbre, Hugo Motta, Arthur Lira... A imprensa e as elites acabam sendo injustas e preconceituosas com eles e não dando o devido valor.
Não é muito cômoda essa vida de Centrão? Mandando no orçamento, posando de defensor da democracia, mas quem responde pela popularidade do governo é o presidente...
Cômodo, em tese. Na democracia digital que vivemos hoje em dia, Hugo Motta está apanhando dos dois lados nas redes sociais. É uma pressão real, e ele vai precisar se equilibrar nesse jogo ao longo do mandato. Sobre o orçamento, não domino gestão pública, mas quem sabe mais das demandas do eleitor? O deputado ou o gestor burocrata em Brasília? Será mesmo que toda emenda é ruim?
O senhor trabalhou para o PSDB, e o partido está em conversas com siglas do Centrão, como o Republicanos, para uma fusão. É a única saída para os tucanos?
Sim, terão que fazer esse movimento, coisa que sempre tiveram ojeriza na época em que mandavam no Brasil e faziam aliança com o PFL sem considerá-los parte da elite intelectual. Vão ter que perder o nojinho e fazer parte do Centrão. Vou criar uma expressão por aqui: o PSDB é um partido transinfluente. Não é, mas se identifica como se fosse.
Quem você vislumbra como nova liderança na esquerda ou centro-esquerda para o pós-Lula?
O PT deveria ter a dimensão de olhar fora do partido. Acho que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, deveria ser a semente regada pela esquerda para os próximos anos. Paes deixou de ser o playboy da Zona Sul para ser um suburbano do samba e com leveza. Ele tem domínio do digital, rapidez, sagacidade e deboche. Tudo na medida certa para o embate com essa direita nos próximos anos.
O Globo
https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/04/02/jogo-politico-lula-prometeu-uma-frente-ampla-mas-entregou-uma-frente-janja-diz-marqueteiro-chico-mendez.ghtml