Desvalorização de empresas que fizeram IPO coloca modalidade em xeque

Desvalorização de empresas que fizeram IPO coloca modalidade em xeque

Notícias recentes sobre o desempenho de algumas das principais aberturas de ofertas públicas iniciais - os IPOs - nos mercados brasileiro e norte-americano estão colocando em xeque a utilização desse modalidade de alavancagem e crescimento de novos negócios. É de notório conhecimento que alguns desses lançamentos foram bem vantajosos para todos os envolvidos. Mas as principais manchetes falam sobre a desvalorização das companhias, baseadas no "valuation" (a perspectiva de valor a ser alcançado) e os prejuízos dos investidores, muitos deles novatos no mercado acionário. Algumas dessas manchetes:

"Fintechs perdem R$ 452 bi de valor de mercado em 1 ano", do jornal Valor;

"Nubank perdeu R$ 130,7 bi em valor de mercado desde IPO", do site Suno Notícias;

"Estapar, que não integra o Ibovespa, está causando furor no pregão", do IPO News;

"Traders Club, de um IPO supervalorizado à queda nas ações", do IPO News;


Os IPOs sem dúvida causaram sensação em duas "janelas" no mercado brasileiro, entre 2017/18 e 2020/21, quando foram realizados os principais lançamentos na B3 e no circuito Nasdaq/Nyse, nos EUA. Com a queda do "valuation" e as consequentes perdas para os investidores, muitos passaram a questionar a validade dos negócios realizados.

Para muitas empresas, uma alternativa à estagnação dos IPOs, a partir do início deste ano, foi lançar títulos de renda fixa. Com isso, o volume total de captações no mercado de capitais no Brasil no primeiro trimestre de 2022 chegou a R$ 105,2 bilhões, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em informação veiculada pela coluna e-investidor, do jornal O Estado de S. Paulo.

No caso, a modalidade foi bem sucedida como forma de sustentar o crescimento das empresas, e o que mais funcionou foi a emissão de debêntures, como fizeram a Claro, a Equatorial Energia e a Iguá-RJ, de saneamento, entre outras.

Se as empresas fizeram o certo e procuraram alternativas para se capitalizarem e seguirem com seus investimentos, como ficaram os investidores? Descrentes, para dizer o mínimo. Quando uma ação como do Nubank larga a US$ 9,00 no IPO de 9 de dezembro de 2021, na Nyse, e hoje vale US$ 4,22, como explicar aos novos acionistas minoritários que o negócio vai bem, apesar da desvalorização de cerca de 53%? Para os clientes da fintech que compraram os BDRs oferecidos na B3 em dezembro de 2021 a R$ 10,18, o valor atual é de R$ 3,83, o que representa uma queda de quase 62%.

É preciso ressaltar uma boa ação de marketing feita pelo Nubank, quando presenteou um grande contingente de correntistas brasileiros com um BDR, naquele valor inicial de R$ 10,18, o que pode ter levado, segundo relatos ouvidos por IPO News, à compra de um segundo, um terceiro papel por um, inicialmente, entusiasmado investidor. Mas o sucesso da iniciativa dependerá de quanto o dono desse papel vai resgatar em dezembro, quando completar um ano do IPO e for liberada a comercialização.

Como destacou um analista de finanças para IPO News, a questão central é que hoje há uma "perda de riqueza", uma legião de novos investidores descapitalizados, pois suas ações perderam muito valor; se venderem agora realizam com prejuízo, e não podem reinvestir, deixando o mercado parcialmente paralisado, dependendo apenas de aportes estrangeiros ou especulativos.

Outro caso muito comentado por esses dias é o da Allpark Estapar, que está batendo recordes de ganhos na bolsa brasileira - o ticker ALPK3 registra lucros de 142% apenas neste mês de julho. O problema aqui é quem realmente está ganhando com essa maré; certamente não são aqueles que compraram o papel no IPO, a R$ 10,50, e hoje veem a ação valer R$ 3,64, isso depois da subida estratosférica do presente momento.

Em matérias recentes na imprensa, as empresas têm procurado se defender alegando que o valuation foi afetado pela pandemia de Covid-19, pela instabilidade política no país, pelo aumento das taxas de juros e maior dificuldade em obtenção de crédito, onde se encaixam sobretudo os novos negócios digitais como fintechs, healthtechs, edutechs, entre outras.

Elas procuram mostrar, por A mais B, que continuam crescendo, quer na base de clientes ou até na oferta de crédito (no caso das fintechs), apesar dos aumentos de juros no Brasil, nos EUA e agora também na União Europeia. Mas, convencer os pequenos acionistas de que fizeram um bom negócio ao comprarem no momento dos IPOs, pelo jeito, ainda vai levar um bom tempo para acontecer.

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