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A decisão de comprar ou não ações do Nubank vai além do ''ibope''

A decisão de comprar ou não ações do Nubank vai além do ''ibope''

Vale a pena adquirir ações do Nubank, nos Estados Unidos (NU) ou BDRs no Brasil (NUBR33)? O site IPO News não está aqui para indicar compra ou venda de ações de qualquer que seja a empresa, mas sente-se a vontade para comentar decisões do mercado e opiniões de analistas, investidores e jornalistas especializados.

A mais nova polêmica envolvendo a fintech (e não são poucas) foi a da desvalorização de seus papeis em Wall Street, com a consequente redução do valor de mercado de US$ 41,487 milhões (na data de estreia, 8 de dezembro) para US$ 37,422 bilhões, na última sexta-feira, dia 14, quando do fechamento da Nyse. Com essa queda nos papéis com ticker NU, o Nubank acabou perdendo o posto de banco mais valioso da América Latina para o Itaú (ITUB4), precificado na mesma data em US$ 39,5 bilhões, com uma alta de quase 10% só este ano na bolsa norte-americana.

Antes de avançar nessa análise, é preciso lembrar que a queda nos preços das ações de empresas de tecnologia este ano, tanto na Nyse como na Nasdaq, tem sido generalizada. O temor pela alta de juros nos Estados Unidos, que aumenta o custo de capital para as companhias, é considerado o culpado por isso. Nada que indique uma crise específica no setor de TI e Telecom.

Aqui no Brasil, alguns veículos de imprensa correram para informar que a queda das ações do Nubank já alcançava 36%. O tipo de notícia que poderia levar os investidores, donos de units NU nos EUA ou de BDRs NUBR33 na bolsa brasileira, a pensarem que fizeram mal negócio, que já deveriam ter se livrado ou então "stopado" em suas contas nas corretoras.

A par de todo o cuidado que se deve ter com as ações (todas elas), a real é que os papéis do Nubank valiam ontem, dia 18, no fechamento em Nova York, US$ 8,16, com uma perda pesada no dia (5,36%), mas de apenas 0,12% no ano; e 12% desde o IPO de 8 de dezembro (US$ 9,00). Portanto, longe de 36% apontados nos últimos dias.

Quanto às BDRs, a queda tem sido um pouco maior. Ontem, dia 18, essas ações NUBR33 fecharam em R$ 7,17 na B3, perda de 4,65% no dia e de 18% no ano. No lançamento, dia 8/12, valiam R$ 8,36. Aqui, cabe um parentese. Investir em uma empresa é acreditar que ela tenha potencial para crescer em determinado período, que pode ser de meses, um ano, dois... Além das BDRs que foram compradas por clientes já cadastrados na bolsa ou entrantes na ocasião, é preciso lembrar que um grande lote desse tipo de ação foi distribuído gratuitamente pelo Nubank a um certo número de clientes do banco que ainda não estão no mercado de renda variável. Falamos de dois a três milhões de pessoas!!

Conforme foi mostrado em reportagem recente do IPONews e de outros veículos, se esses clientes exercerem seu direito de posse daqui a aproximadamente um ano, o número de usuários cadastrados na B3 poderá triplicar numa tacada só. O marketing do Nubank marcou aqui um golaço. Uma ação com resultados muito mais efetivos do que colocar um 'boi dourado' diante do prédio da bolsa com a pretensão de que zilhões de pessoas levariam seu dinheiro para os alforjes da B3.

Investidores compram ou vendem ações baseados em lances concretos como esse do marketing do Nubank. Mas sobretudo levam em consideração o peso daqueles que colocam dinheiro por trás da operação. No caso da fintech, são sete grandes players mundiais e outros tantos menores mas também de visibilidade no mercado financeiro global. E que sabem, por conta desses grandes investidores, que não faltarão recursos para que o banco busque e provavelmente atinja seus objetivos de ter bons fundamentos por meio da conquista de receita e lucratividade.

Quanto ao fato do Nubank ser maior em valor do que o Itaú em dezembro e agora, em janeiro, passar a ser o segundo no ranking, a probabilidade é a que os investidores continuem mirando suas expectativas para os dois bancos e o que eles ainda podem apresentar para o mercado, deixando as comparações do tipo "ibope" para o Programa do Faustão na Band e o BBB da Rede Globo.

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