B3 atinge 4 milhões de investidores, de olho no surgimento da concorrência

B3 atinge 4 milhões de investidores, de olho no surgimento da concorrência

A B3 anunciou que atingiu o número de quatro milhões de contas no mercado de ações, no mês de outubro. Segundo a bolsa, em apenas dois anos o número total de usuários cresceu quatro vezes - o último dado divulgado tinha sido de março deste ano, quando a carteira chegou a 3,5 milhões.
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No relatório divulgado pela B3,o público masculino ainda é maioria, com 78% de adeptos, contra 29% de mulheres, que no entanto vêm aumentando sua participação no mercado acionário - eram apenas 22% do total em 2017.

Os estados do Sudeste ainda concentram a maior parte dos investidores em renda variável, com São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná liderando os domicílios dos usuários.
No perfil de idade, o grupo de jovens e adultos entre 25 e 39 anos concentra os números, com 1,9 milhão de clientes. Depois, aparecem aqueles entre 39 e 59 anos, com 1,2 milhão de pessoas. Os de 60 e mais representam 445 mil usuários, seguidos logo depois pelos jovens de 19 a 24 anos, com 351 mil clientes. A menor parcela, aqueles com até 18 anos, mostra que 40 mil jovens ou adolescentes já dão os primeiros passos na renda variável.

Com essa faixa de quatro milhões atingida, é natural que o mercado volte a falar, como de fato tem feito, no aparecimento de concorrentes para a B3. Desde que a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro fechou, no início dos anos 2000, o mercado nacional ficou inteiramente à mercê da Bolsa de Valores de São Paulo, a Bovespa, transformada hoje em B3.

Uma dessas possíveis concorrentes é a BEE4, empresa com estrutura de balcão já montada e aprovada pela Comissão de Valores Mobiliários. Em recente entrevista para o site Suno Notícias, a companhia demonstrou interesse em entrar no mercado, mas voltando-se para as pequenas e médias empresas (PMEs).




O objetivo é criar um mercado de acesso à bolsa de valores para as PMEs. "Esse segmento ainda é pouco difundido no Brasil. Percebemos que ainda são vistas como informais e isso é incorreto", disse Patricia Stille, head da BEE4 e ex-sócia da XP.

O fato de a executiva ter vindo da XP faz o mercado lembrar também que, em junho deste ano, o CEO do Banco XP, José Berenguer, anunciou sua saída do conselho da B3, isso depois de ter sido reconduzido ao cargo apenas dois meses antes. Na ocasião, reportagem do jornal Valor suscitou questionamentos se a XP não estaria em vias de criar uma concorrência no setor, citando para tal um relatório do J.P. Morgan. Para este banco, não é usual a bolsa não ter no seu board uma dos maiores participantes em transações de ações.

Como o assento de José Berenguer passou a ser ocupado por José Menin, CEO do Banco Inter, a avaliação é que a troca poderia representar uma orientação para redução de margens, pois este banco digital foi construído com uma estrutura voltada para a disrupção e baseada em custos menores, em relação a outros bancos e mesmo fintechs.

Embora a XP negue, desde junho, que pretende entrar nesse mercado, notícia divulgada à época pelo site Money Times, dava conta que: "A XP avalia que pode ter bolsa com margens tão altas quanto às praticadas pela B3. Esta foi a impressão deixada pela corretora após uma reunião realizada com o time de analistas do BTG Pactual".

Ainda em junho, uma decisão da CVM abriu as portas para o surgimento de concorrência à B3. A comissão autorizou a Mark2Market (M2M) - plataforma de gestão de operações financeiras para empresas - a atuar como central depositária de títulos - recebíveis agrícolas, num primeiro momento, mas com possibilidade de, no futuro, incluir também ações. A M2M informou ao jornal O Estado de S. Paulo acreditar que, "com uma estrutura de depósito e liquidação de títulos bem desenvolvida, poderá prestar serviços a uma potencial bolsa concorrente da B3".

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