Manaus, uma cidade cheia de surpresas, por Yeda Saigh

Manaus, uma cidade cheia de surpresas, por Yeda Saigh

Manaus é uma cidade que apresenta surpresas, além da natureza que a envolve com sua fauna e flora diversificadas; seu centro histórico já inspirou vários escritores brasileiros.

Os rios Solimões e Negro com suas águas de tonalidades diferentes impressionam qualquer viajante. A gastronomia amazonense com seus peixes e frutos são um prazer a parte. Sem dúvida, é uma viagem para lá de interessante, que recomendo fortemente!


Saímos de São Paulo pela LATAM, em um voo de duração de 3h30. Tivemos sorte e conseguimos mudar nossos lugares para a classe executiva sem pagar nenhum tostão!! Eles não vendem este tipo de assento para Manaus, somente oferecem na base de cortesia para os possuidores do cartão da LATAM Premium Prateado.


Cúpula do Teatro Amazonas
Foto Yeda Saigh

Ficamos no hotel Villa Amazônia, no centro da cidade, quase em frente ao teatro Municipal. O hotel é ótimo, e de super bom gosto! Localizado no centro histórico de Manaus a alguns passos do Teatro Amazonas, o hotel conta com 30 exclusivos apartamentos, todos voltados para um jardim interno e uma piscina de pedra natural. A Fachada, a Recepção e o Restaurante estão ambientados em um casarão histórico restaurado, remanescente dos tempos áureos da borracha. O Bistrô FITZ-carraldo oferece um menu contemporâneo com o exotismo da culinária Amazônica.


Hotel Villa Amazônia
Foto Yeda Saigh

Tanto o quarto como a piscina e restaurante são excelentes. Tivemos oportunidade de conhecer o proprietário Antonio Augusto da Costa Filho (Guto), muito simpático que nos deu muitas dicas de Manaus. Ele tem um outro hotel no Parque Nacional de Anavilhanas.

Anavilhanas Jungle Lodge em Novo Airão, às margens do Rio Negro, a 180 km de Manaus. Abriu esse hotel em Manaus a pedido dos seus clientes, porque parece que Manaus carece no quesito de boa hotelaria.

Depois do almoço fomos fazer um tour no Teatro Amazonas. Visitamos o teatro todo, várias salas com exposições de fotos, a sala de espetáculo é muito bonita!



Teatro Amazonas
Foto Yeda Saigh

O Teatro Amazonas é um dos mais importantes teatros do Brasil e o principal cartão postal da cidade de Manaus. Localizado no centro da cidade, inaugurado em 31 de dezembro de 1896 para atender ao desejo da alta sociedade amazonense da época, que queria que a cidade estivesse à altura dos grandes centros culturais. É a expressão mais significativa da riqueza na cidade durante o Ciclo da Borracha, sendo tombado como Patrimônio Histórico Nacional em 1966.

O Teatro Amazonas foi palco inspirador de algumas obras literárias, alguns filmes nacionais e estrangeiros e outras dramaturgias; seu salão nobre foi cenário de uma das cenas do filme de Werner Herzog, Fitzcarraldo, de 1982, onde na cena, os atores Grande Otelo, José Lewgoy e Klaus Kinski vão para a inauguração do teatro.

Assistimos a noite um concerto da Filarmônica de Manaus, que tocou para artistas amazonenses pintores, músicos e poetas, tudo muito singelo. Escutar o hino Nacioanal em tupi-guarani cantado por uma índia é emocionante.

O café da manhã do hotel é ótimo!! E com vista para o Teatro! Saímos no primeiro dia com a guia Andrea, muito boa; fomos ao Musa, Museu da Amazônia, que fica situado a 40 minutos do centro.
O Museu do Índio (fundado em 1952 pela missionária Maddalena Mazzone) é o maior e mais amplo museu da história indígena no Brasil. O museu tem em seu acervo cerca de três mil peças produzidas pelas tribos da Amazônia: Tukano, Tikuna, Banivwa, Yanomami e Xavante. Entre os objetos encontram-se utensílios domésticos, armas, adornos e instrumentos musicais, onde você verá uma grande variedade de artefatos indígenas em exibição. Enquanto se caminha pelo museu fica-se sabendo sobre as tradições e a cultura do povo indígena de Manaus.


Museu da Amazônia
Foto Yeda Saigh

Desde 2009, há um museu ao ar livre muito interessante, localizado na Reserva Florestal Adolpho Ducke, que era uma floresta primária, quer dizer que nunca foi mexida ou derrubada; fizeram essa área de preservação, 110.000 hec., um pedaço de selva dentro de selva amazônica dentro de Manaus.

É muito bem montado, com painéis explicativos; fizemos o tour com uma guia e valeu muito a pena! Tem várias trilhas dentro da floresta, sendo que fizemos duas: a primeira onde você vê um lago lindo de vitórias régias, um aquário com peixes enormes umborboletário, uma casa de índio, e os maravilhosos angelins, as árvores mais antigas da Floresta Amazônica, 300 anos!

A segunda trilha te leva para uma torre de 42 mts. em aço, construída no meio da floresta. A vista é deslumbrante por cima de todas as copas das árvores!! O Musa apresenta aos visitantes a natureza, as plantas e os bichos ao vivo, lá onde eles crescem e se reproduzem, na floresta, nos igarapés.

Torre de 42mts sobre as árvores
Foto Yeda Saigh

Ficamos impressionados com a montagem dos totens com fotos, tudo muito bem explicado. A guia do museu também era muito boa. Fizemos duas trilhas lindas e subimos na tal torre de 42 metros. A vista é mesmo magnifica em cima das árvores. Depois fomos até o porto pegar um barco que nos levou até o Museu do Seringal.

Museu do Seringal


Construído especialmente para o filme "A Selva", produção luso-brasileira de 2001, localizado no Igarapé São João, a 25 minutos de Manaus, recebe centenas de pessoas todo mês. O passeio guiado dura cerca de uma hora.

O roteiro inclui locais que retratam a vida e os costumes em um seringal, construído durante os tempos áureos do Ciclo da Borracha. É uma casa bem rústica com o mobiliário de época, mostrando como o barão da borracha vivia em sua casa atrás de um seringal.


Museu do Seringal
Foto Yeda Saigh

Ao lado visitamos um barracão de aviamentos, local onde os seringueiros compravam seus equipamentos.

A guia nos levou por uma trilha onde é possível ver as seringueiras, de onde se extrai o látex para produção da borracha. Foi um passeio muito interessante, deu uma outra visão de Manaus: é lotado de lanchas e barcos, o maior meio de transporte aqui é fluvial. A única ponte que atravessa para o outro lado do rio Negro foi construída em 2012!

Foi um passeio muito interessante, deu uma outra visão de Manaus: é lotado de lanchas e barcos, o maior meio de transporte aqui é fluvial. A única ponte que atravessa para o outro lado do rio Negro foi construída em 2012!

Almoçamos num restaurante flutuante, Cabana, com vista bem bonita para o Rio Negro.

Restaurante Flutuante Cabana
Foto Yeda Saigh

Achei super interessante ver postos de gasolina no meio do rio!! Jantamos no restaurante Caxiri, do lado do hotel, bom, com vista para o teatro.

No dia seguinte fomos visitar a Catedral Nossa Senhora da Conceição, também conhecida como Igreja Matriz, que remonta aos missionários carmelitas que, em 1695, ergueram a primeira Igreja Matriz.
O Mercado Municipal Adolpho Lisboa (prefeito de Manaus na época), também conhecido simplesmente como Mercadão, de estilo art nouveau, foi inaugurado em 1883.


Mercado Central Adolpho Lisboa
Foto Internet

Construído no período áureo da borracha, é considerado um dos mais importantes espaços de comercialização de produtos e alimentos típicos da região amazônica. Tem uma variedade de espécies de peixes de água doce, frutas, legumes e especiarias, atraindo a atenção e a curiosidade de quem o visita.

Por ser um dos principais exemplares da arquitetura de ferro sem similar em todo mundo, foi tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional pelo IPHAN em 1 de julho de 1987. Possui duas entradas, uma de frente para o rio Negro e outra para a via pública. O Mercado Municipal também se destaca hoje como polo cultural e turístico.

Loja Pare e Leve,


Vale a pena conhecer, é pertinho do mercado e oferece mil variedades de sementes, frutas secas, farinhas, biscoitos, ervas, bebidas, muito legal!

Palácio Rio Negro, vimos uma linda exposição de fotografias do Sebastião Salgado, sobre os 15 anos da história "Movimentos sem Terra", fotos deslumbrantes!!

Seu nome original era Palacete Scholz, construído pelo alemão Waldemar Scholz, considerado o "Barão da Borracha". Teve o nome alterado para Palácio Rio Negro em 1918. Construído no início do século XX, em estilo eclético, pelo arquiteto italiano Antonio Jannuzzi (1855-1949), para ser residência particular do comerciante da borracha, o alemão Waldemar Scholz, em 1995 foi vendido para o Governo.

Em 1997, o Governo do Estado, em virtude de sua beleza arquitetônica e valor histórico, transformou-o em Centro Cultural Palácio Rio Negro. Foi o Palácio mais bonito que visitamos!

Hotel Tropical - almoçamos lá e visitamos o mini-zoo. Foi o hotel mais luxuoso e famoso de Manaus mas hoje pertence a massa falida da Varig e perdeu o seu glamour.

No dia seguinte fomos para o Hotel Amazonlodge, com transfer do próprio hotel: primeiro uma van até o porto, 20 min., depois um barco para atravessar o Rio Negro, 25 min., depois uma kombi até o lago Juma, 1h15, depois um barco até hotel 30 min., deu no total perto de 3 hs.!!


Hotel Amazonlodge
Foto Yeda Saigh

No caminho para o hotel vimos o encontro das águas: é um fenômeno natural facilmente visto em muitos rios da Amazônia. Os fatores para isso ocorrer na região variam desde questões geológicas, climáticas, termais ou até mesmo o tamanho ou a acidez dos rios.


Encontro das águas - rios que n se misturam
Foto Yeda Saigh

O Hotel poderia estar mais bem conservado, o ponte forte foi o trabalho do guia Osmar e o motorista do barco que eram ótimos e a comida bem razoável!!

Almoçamos e saímos de lancha para reconhecimento de campo. Fomos ver os botos, vimos vários muito bonitos cinza (tucuxi) e rosa brincando, depois fomos até uma vendinha fazer compras no meio do rio e o por do sol, lindo de morrer!

Todo o passeio é muito bonito, a natureza é deslumbrante, é uma floresta dentro da água, ela fica submersa durante a seca, de Junho a Novembro, quando a chuva é menor. No Amazonas não existe inverno e verão, existe estação seca e chuvosa. A noite fomos ver os jacarés; escuro total, o guia conseguiu pegar um pequeno de 6 meses na mão!

No dia seguinte saímos de canoa para um passeio na floresta. Entramos uns 20 min., mata adentro. Foi um passeio lindo! Osmar, o guia, foi nos explicando tudo sobre as árvores, os bichos variados, nos contou que existem 38 mil tipos de aranhas, só um tipo não faz teia. A maior árvore é a castanheira, dá um coco grande, e é perigoso ficar em baixo e levar um coco na cabeça!

Voltamos para o hotel, almoçamos, descansamos e saímos para acampar na floresta. Foi uma deliciosa aventura! O guia já tinha escolhido o local e ficamos observando ele montar tentando ajudar no que fosse possível. Tudo tinha sido preparado para a nossa chegada: redes, churrasqueira, velas anti-mosquito, etc. Osmar fez os pratos e as colheres de madeira das árvore, o fogo em 5 mns pegando cipó seco de uma árvore!

Nós nunca iríamos conseguir fazer tudo o que ele fez! Um monte de macacos nos observavam do alto das árvores, acho que esperando alguma comidinha. O guia fez peixe e frango na brasa deliciosos! A única coisa que veio pronta foi o arroz. Ele fez uma mesa com ripas de madeira que ele cortou na hora, e ainda por cima pôs quatro velas uma em cada ponta contra mosquito, tudo perfeito! Dormimos nas redes vendo as estrelas!



Acordamos com o nascer do sol e saímos de barco para apreciar, lindo! Visitamos também (ideia minha) um outro hotel, Juma Lodge, bem simpático, de palafitas.


Entardecer Amazonas
Foto Yeda Saigh

A tarde fomos de lancha pescar piranha, o guia pescou várias, até pescar ele fazia muito bem! No dia seguinte acordamos cedo e começamos a nossa volta para Manaus.

Para terminar uma frase do grande escritor amazonense Milton Hatoum:
"Alguns dos nossos desejos só se cumprem no outro, os pesadelos pertencem a nós mesmos."

Boa viagem!

O Parque Nacional de Anavilhanas é uma unidade de conservação brasileira de proteção integral da natureza localizada no estado do Amazonas, com território distribuído pelos municípios de Manaus, Irnduba e Novo Airão. Criado em 1981, sua finalidade é preservar o arquipélago fluvial de Anavilhanas. Abrangendo cerca de 400 ilhas, o parque situa-se no rio Negro, próximo ao parque nacional do Jaú.

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