Warren Buffett | Imagem: Shutterstock
Buffett defende petroleiras, se arrepende de vender Apple e enaltece economia americana

Buffett defende petroleiras, se arrepende de vender Apple e enaltece economia americana

Conglomerado teve lucro de US$ 11,7 bilhões no primeiro trimestre, revertendo prejuízo de US$ 50 bilhões no mesmo período do ano passado

Por Lucas Bombana

SÃO PAULO - A força da economia americana, o erro ao reduzir a participação na Apple e a defesa do investimento recente na petroleira Chevron estiveram entre os temas abordados por Warren Buffett no aguardado encontro anual da Berkshire Hathaway, realizado virtualmente neste sábado (1).

Com mais de três horas de duração, o encontro contou também com a participação de Charlie Munger, vice-presidente da Berkshire desde 1978, que falou sobre sua percepção quanto aos ativos digitais.

Durante o evento, o megainvestidor afirmou que "provavelmente foi um erro" ter reduzido a participação na Apple durante o ano passado, diante das perspectivas para o negócio frente ao aumento da digitalização da sociedade.

Já sobre o investimento recente na petroleira Chevron, a despeito das discussões crescentes no mercado sobre os investimentos sustentáveis, Buffett defendeu o negócio. Ele fez referência aos investimentos que a Berkshire fez nas varejistas Costco e Walmart, que vendem cigarros em suas lojas. "Se você espera perfeição no seu cônjuge, nos amigos ou nas empresas, não a encontrará", disse Buffett.

Sobre a redução no setor de bancos, ele disse que ainda gosta do negócio, mas que não estava confortável com sua proporção dentro do portfólio frente ao risco esperado. De toda forma, Buffett afirmou também que "os bancos americanos estão em forma bem melhor do que há 10, 15 anos."

Questionado durante o evento por não ter adotado uma postura mais agressiva para aproveitar os preços em baixa na fase mais aguda da pandemia, Buffett reconheceu que não foi o melhor momento da Berkshire no mercado, mas disse também que, naquele momento, ainda não se vislumbrava o tamanho do socorro financeiro por parte do governo americano.

"Nosso negócios se saíram muito bem, mas ainda há problemas em alguns setores que foram dizimados, como viagens aéreas", disse Buffett, lembrando ter uma posição relevante em American Express que depende de uma retomada do turismo internacional.

Quando a esperada pergunta a respeito do Bitcoin chegou, Buffett preferiu não fazer nenhum prognóstico mais assertivo. O que não foi o caso de seu colega de longa data.

"Odeio o sucesso do Bitcoin", afirmou Munger, que disse também que o desenvolvimento dos ativos digitais "é contrário aos interesses da civilização".

Liderança global


Ao abrir os trabalhos, Buffett apresentou uma tabela com as 20 empresas de maior valor de mercado, até 31 de março. Das seis ações de maior valor de mercado, cinco - Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet e Facebook - eram de empresas dos Estados Unidos, com a Saudi Aramco da Arábia Saudita como a única exceção no grupo.

Além disso, das 20 ações de maior capitalização nas bolsas, 13 são de companhias americanas, segundo os dados apresentados pelo experiente investidor de 90 anos, que entende que o resultado reflete como o país conseguiu se destacar frente aos pares ao longo das últimas décadas para permitir o crescimento destacado dos negócios e da economia local.

"Não é um acidente. O sistema funcionou muito bem", afirmou Buffett, que apresentou na sequência um quadro com as 20 ações de maior valor de mercado em 1989.

Da seleção, formada principalmente por bancos e montadoras dos Estados Unidos e do Japão, nenhuma empresa está presente no ranking atualizado, o que mostra como os mercados mudam muitas vezes "de maneira dramática" e com uma velocidade bastante rápida, apontou Buffett, ao ressaltar que fazer a seleção dos negócios certos, que vão prosperar ao longo do tempo, é mais difícil do que pode parecer.

"Quantas dessas companhias vão continuar [no grupo]?", questionou o "oráculo de Omaha", que projetou que menos de um terço das empresas continuarão entre as maiores do mercado nos próximos 30 anos.

Lucro no 1º trimestre

Também neste sábado, o conglomerado financeiro apresentou lucro de US$ 11,7 bilhões no primeiro trimestre de 2021, frente a um prejuízo de quase US$ 50 bilhões no mesmo período de 2020.

A Berkshire Hathaway reportou receita operacional de US$ 7,02 bilhões no período, contra US$ 5,87 bilhões no mesmo período do ano passado, alta de 19,5%. Do total, cerca de US$ 1,9 bilhão partiu dos negócios em ferrovias e energia.

(Com agências)


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