Raquel Lyra e João Campos se enfrentam na eleição pelo governo de Pernambuco - Foto: Reprodução/Redes sociais |
Quaest em Pernambuco: Raquel Lyra marca 41% no primeiro turno, enquanto João Campos tem 39%

Quaest em Pernambuco: Raquel Lyra marca 41% no primeiro turno, enquanto João Campos tem 39%

Na rodada anterior, no início de setembro, governadora tinha 43% e o ex-prefeito do Recife, 37%

Por Luis Felipe Azevedo - Rio de Janeiro

Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra a governadora Raquel Lyra (PSD) numericamente à frente na disputa contra João Campos (PSB) pelo Executivo de Pernambuco. Os dados mostram a candidata à reeleição com 41% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto o ex-prefeito do Recife tem 39%. O cenário é de empate técnico considerando a margem de erro de 3 pontos percentuais.

Na rodada anterior, divulgada em 8 de setembro, Lyra tinha 43% e Campos, 37%.

Veja os números:


  • Raquel Lyra (PSD): 41% (eram 43% em setembro);
  • João Campos (PSB): 39% (eram 37%);
  • Ivan Moraes (PSOL): 1% (era 1)%;
  • Renan Hallais (Missão): 1% (era 1%);
  • Professora Camila (UP): 0% (era 0%);
  • Victor Assis (PCO): 0% (era 0%);
  • Guilherme Fonseca (PSTU): 0% (era 0%);
  • Indecisos: 12% (eram 12%);
  • Branco/nulo/não vai votar: 6% (eram 6%).

Também há empate técnico na simulação de segundo turno, com Lyra numericamente à frente.

  • Raquel Lyra (PSD): 43% (eram 45% em setembro);
  • João Campos (PSB): 41% (eram 39%);
  • Indecisos: 10% (eram 10%);
  • Em branco/nulo/nenhum: 6% (eram 6%).

A pesquisa divulgada nesta quarta-feira é a primeira após vídeo com fala de Lyra sobre laqueadura pautar o debate eleitoral no estado. Em gravação publicada no domingo pelo portal Metrópoles, a candidata à reeleição sugere a realização do procedimento sem o aval da paciente, uma mulher com sete filhos. O tema vem sendo abordado pelo rival nos últimos dias.

No vídeo de 2025, Lyra aparece na inauguração da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns. Depois de ouvir a história de uma mulher com sete filhos, ela diz: "Aí tem que fazer laqueadura, visse? A gente bota na fila da laqueadura. Isso eu posso fazer. Mas faz sem ela saber".

A oposição explorou a questão. Campos, por exemplo, disse que "em lugar nenhum do mundo, muito menos em Pernambuco, é terra de 'faz sem ela saber'". Lyra fez um pedido de desculpas em seu perfil no Instagram. "Eu reconheço quando erro", escreveu a governadora.

Os pesquisadores foram às ruas entre os dias 19 e 22 de setembro. Foram ouvidos 1.302 eleitores do estado. Contratado pelo grupo Globo, o levantamento tem nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada junto à Justiça Eleitoral sob o código PE-05671/2026.

Avaliação de governo

A Quaest aponta que o governo Lyra é avaliado como positivo por 47% do eleitorado pernambucano, como regular por 34%, e negativo por 13%.

  • Positivo: 47%;
  • Regular: 34%;
  • Negativo: 13%;
  • Não sabe/não respondeu: 6%.

Os dados mostram que 61% dos eleitores de Pernambuco aprovam o governo Lyra, enquanto outros 27% desaprovam.

  • Aprova o governo: 61%;
  • Desaprova: 27%;
  • Não sabe/não respondeu: 12%.

Segundo a pesquisa, 63% da população avalia que Lyra merece um novo mandato, contra 32% que pensam o contrário. Já 5% não sabem ou não responderam.

Senado

Os resultados mostram Marília Arraes e Humberto Costa, ambos do grupo político de Campos, numericamente à frente na disputa pelas vagas no Senado.

  • Marília Arraes (PDT): 18% (eram 17% em 8 de setembro);
  • Humberto Costa (PT): 14% (eram 14%);
  • Mendonça Filho (PL): 10% (eram 11%);
  • Eduardo da Fonte (PP): 8% (eram 7%);
  • Túlio Gadêlha (PSD): 4% (eram 4%);
  • Pastor Gilvan Costa (Democrata): 1% (era 1%);
  • Carlos Sant'anna (Novo): 1% (era 1%);
  • Paulo Rubem Santiago (Rede): 1% (era 0%);
  • Samuel Timoteo (UP): 1% (era 0%);
  • Gorett Bitu (UP): 0% (era 0%);
  • Mailson Neto (PCO): 0% (era 0%);
  • Mariano Macedo (PSTU): 0% (era 0%);
  • Indecisos: 21% (eram 27%);
  • Branco/nulo/não vai votar: 21% (eram 18%).

Como mostrou o GLOBO, a corrida pelo Senado em Pernambuco é motivo de tensão tanto na chapa de Lyra quanto na de Campos. Com a candidata à reeleição na frente nas pesquisas, a busca por aproximação a aliados do grupo político rival, o temor de um escanteio durante a campanha e ações para aumentar ou frear a nacionalização da disputa movimentam os dois lados da disputa estadual.

De um lado, Costa investe no diálogo com aliados da governadora, sobretudo na busca por apoio de prefeitos. Já Marília vem atuando nos bastidores para "não dar espaço para passarem a perna" em sua candidatura ao Senado caso Campos não demonstre reação nas pesquisas.

Parte do principal clã político de Pernambuco, o filho do ex-governador Eduardo Campos e a neta de Miguel Arraes haviam rompido na eleição à prefeitura da capital em 2020, quando disputaram entre si. Seis anos depois, os primos integram a mesma chapa, em um movimento de reaproximação política, mas não pessoal.

Um cenário no qual Marília é eleita e Campos não poderia modificar a relação de forças política dentro da família, o que motiva o temor da candidata ao Senado de ter a postulação desprestigiada internamente. Ela avalia, entretanto, que a capilaridade com lideranças do interior pesa a seu favor, considerando que a base política do primo está concentrada na capital.

Interlocutores de Campos negam a existência de atrito com os demais membros da chapa.

Do lado de Lyra, a definição da chapa ao Senado foi concluída de última hora. O motivo foi o conflito pela escolha do nome que representaria a federação União-Progressistas. Enquanto o PP defendia o deputado Eduardo da Fonte, o União Brasil pressionou para que o escolhido fosse o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho.

Coelho era o preferido da governadora para a vaga, mas acabou preterido pela federação, que optou por Eduardo da Fonte. O ex-prefeito chegou a negociar um espaço na chapa de Campos. Depois disso, o União Brasil selou o apoio à governadora.

A chapa é formada também pelo deputado Túlio Gadelha (PSD), em um aceno ao lulismo no estado. O parlamentar, que filiou-se ao partido da governadora para a disputa, teve a postulação oficializada apenas um dia após indicar que poderia desistir da corrida pelo Senado. Gadelha nega que tenha ameaçado deixar a disputa.

Outro ponto sensível para Lyra é a associação com o deputado bolsonarista Mendonça Filho (PL). O candidato ao Senado tem comparecido a eventos de campanha da governadora e utilizou, na semana passada, uma camisa com a estampa "Raquel Lyra Futebol Clube".

Essa vinculação vem sendo explorada pela campanha adversária, que apresenta Mendonça Filho como uma espécie de terceiro candidato ao Senado da rival. A estratégia de associar a atual ocupante do Palácio do Campo das Princesas ao bolsonarismo visa nacionalizar a campanha.

Interlocutores da governadora afirmam que a participação de Mendonça Filho em agendas não tem o aval de Lyra. Eles ressaltam que o bolsonarista não vem subindo com ela nos palanques.

O Globo
https://oglobo.globo.com/blogs/pulso/post/2026/09/quaest-em-pernambuco-raquel-lyra-marca-41percent-no-primeiro-turno-enquanto-joao-campos-tem-39percent.ghtml