Por Bela Megale
O ex-ministro da Fazenda e ex-homem forte do PT Antonio Palocci foi procurado por economistas que atuam no mercado financeiro dos Estados Unidos para apresentar sua visão sobre a campanha de Lula contra Flávio Bolsonaro.
A principal dúvida levada ao ex-político é o motivo de a direita, mesmo sendo majoritária no Brasil, ter grande possibilidade de perder as eleições.
O ex-ministro disse que a chance de a direita perder a eleição embute o fato de ela estar "totalmente divida".
Questionado se haveria possibilidade de Lula ganhar no primeiro turno, respondeu que é muito improvável e que "esse é um desejo antigo do PT. Mas ficará na lista dos sonhos".
Desafeto do PT e de Lula desde a Lava-Jato, Palocci fez uma previsão otimista sobre um eventual governo Lula 4. Afirmou não acreditar que haverá um governo complicado com a área fiscal descontrolada.
- Será a hora de Lula escrever o epílogo de sua história política. Não terá a pressão da reeleição, que prejudica qualquer governo. Ele já viu que o mundo nos próximos anos será Trump x Xi Jinping, EUA x China, e transita como ninguém nesse cenário. Sabe que o Brasil pode se beneficiar amplamente desse embate. Hoje, o Brasil é o país que alimenta o mundo. Tem o agronegócio mais eficiente entre os maiores produtores. Além disso, há uma temática ampla de transição energética, terras raras e inteligência artificial que o Brasil vai se beneficiar - resumiu Palocci ao grupo.
Perguntado se, entre Trump e Xi Jinping, a quem Lula poderia aderir, Palocci respondeu:
- Aos 2 e a nenhum dos 2.
Sobre a área fiscal, o ex-ministro fez a seguinte leitura:
- Numa eleição tão polarizada, o debate das grandes questões fica totalmente prejudicado. Mas todos sabem que a questão fiscal inspira cuidados. E não apenas para o governo. A questão das dívidas se coloca para as famílias e para as empresas também. Lula é muito intuitivo, jamais despreza os fatos. Há diversas maneiras de resolver o fiscal sem mirar nos poucos direitos dos mais pobres - disse.
O ex-petista ainda foi questionado sobre como a Faria Lima vê esse cenário.
- Existem duas Faria Limas: a daqueles que vivem nas planilhas e reclamam o tempo todo porque não têm nenhuma noção da complexidade do país e da vida do povo, e a daqueles que já entenderam isso e estão caminhando muito bem, desviando das pedras e se protegendo das chuvas. E ganhando muito.
A conversa se encerrou com o questionamento sobre a chance de Lula perder:
- Sempre pode. "La política é móbile". Mas como dizia o grande (cantor e compositor) Accioly Neto: Amanhã pode acontecer muita coisa, inclusive nada.
O Globo
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