O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em evento da Petrobras em Paulínia (SP) - Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República |
Com Flávio nas cordas, Lula dobra à esquerda

Com Flávio nas cordas, Lula dobra à esquerda

Por Thomas Traumann


Na semana em que o senador Flávio Bolsonaro reconheceu que visitou Daniel Vorcaro já com tornozeleira eletrônica, a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avançou no desenho de uma estratégia ousada: ir para a esquerda. Esqueça o "Lulinha, paz e amor" da campanha de 2002 e, em alguns momentos, do segundo turno de 2022. O atual slogan oficial, "um governo ao lado do povo brasileiro", será reforçado com um discurso atacando "os privilégios dos super-ricos". Será uma tentativa de demarcar para si o território da defesa dos interesses populares e nacionalistas, incorporando o antielitismo como eixo do futuro governo. O Lula candidato de 2026 vai falar mais grosso, será mais polarizante e vai cravar no bolsonarismo e na elite financeira as razões para os males do país.

Nesta edição, falo ainda sobre como a sobrevida de Flávio Bolsonaro nas pesquisas não cura as feridas nas relações com aliados fundamentais, como o magoado senador Ciro Nogueira, executivos da Faria Lima, líderes evangélicos e, principalmente, a madrasta Michelle Bolsonaro. Bolsonaro pode repetir o quanto quiser que a página está virada. Não está.

Ainda conto nesta newsletter sobre o lobby de grupos empresariais para influenciar na escolha dos novos diretores do Banco Central, a resistência dos bancos para refinanciar a dívida de clientes que ainda não estão em atraso e o que a PF está investigando sobre Fábio Lula da Silva. Boa Leitura.

1. Lula dobra à esquerda

A campanha para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai dobrar à esquerda. A estratégia de comunicação para dar a Lula um inédito quarto mandato será reforçar o atual slogan oficial, "um governo ao lado do povo brasileiro", com um discurso que ataque "os privilégios dos super-ricos". Será uma tentativa de demarcar para si o território da defesa dos interesses populares e nacionalistas, incorporando o antielitismo como eixo do futuro governo.

Esqueça o "Lulinha, paz e amor" da campanha de 2002 e, em alguns momentos, do segundo turno de 2022. O Lula candidato de 2026 vai falar mais grosso, será mais polarizante e vai cravar no bolsonarismo e na elite financeira as razões para os males do país. Se toda eleição é feita de inimigos, os do PT em 2026 serão quatro "Bs": Bolsonaro, banqueiros, bets e as big techs.

A nova estratégia é uma tentativa de encarar a principal pergunta que a campanha de Lula precisa responder até outubro: "para que mais quatro anos?". Afinal, o que o PT acha que pode fazer em um novo mandato e que ainda não fez nos três mandatos de Lula e no um mandato e meio de Dilma Rousseff? Quais as propostas de um novo governo Lula para além dos programas sociais já consolidados nas gestões anteriores, como o Bolsa Família, o ProUni e o Mais Médicos?

A resposta, de acordo com cinco ministros e ex-ministros da coordenação da campanha da reeleição, terá dois tempos. No primeiro, o PT vai repisar até a exaustão que Lula encontrou uma máquina pública "destruída pelos quatro anos de Bolsonaro". É consenso no núcleo duro lulista que um dos maiores erros do atual governo foi não ter reclamado o suficiente da herança bolsonarista e do tempo que levaria para recuperar as políticas sociais petistas. O núcleo acredita que campanhas publicitárias, como as que diziam que "o Brasil voltou" enquanto Jair Bolsonaro fazia comícios a favor dos vândalos golpistas do 8 de janeiro, aumentaram a impaciência do eleitor por resultados que o governo não tinha condições de entregar.

No segundo tempo, a campanha de Lula vai reforçar as ideias que simbolizam "nós (os petistas a favor dos pobres) contra eles (os bolsonaristas que defendem os ricos)". Para ficar apenas nos projetos deste ano:

  • O fim da escala de trabalho 6x1, com redução da jornada semanal de 44 horas para 40 horas sem corte de salário. Hoje 14,8 milhões folgam apenas um dia por semana e outros 37 milhões se beneficiariam com a redução da jornada de trabalho, segundo cálculos do governo. O projeto será votado nesta semana na Câmara dos Deputados.
  • O programa Desenrola 2, que em duas semanas refinanciou a dívida de 1,2 milhão de pessoas com juros de 1,99% ao mês. A expectativa é atender quase 20 milhões de pessoas.
  • O programa de R$ 30 bilhões para subsidiar a compra de carros novos para motoristas de aplicativo e taxistas com juros de 1,05% ao mês. Em um dia, houve 500 mil consultas sobre o programa que deve financiar a venda de cerca de 300 mil carros.
  • Renovação gratuita da carteira de motorista, cancelamento de multas de pedágio e fim da obrigatoriedade das aulas em autoescola.
  • O fim do imposto federal sobre importações de até US$ 50, a "taxa das blusinhas", antiga querela entre o ex-ministro Fernando Haddad e o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira.
  • Isenção do Imposto de Renda para quem ganha até 5 salários mínimos e cobrança de taxa sobre dividendos, investimentos off-shore e fundos exclusivos.
  • Redução de 10% nas renúncias fiscais das grandes empresas.
  • Ações da Polícia Federal sobre grandes sonegadores (Refit), lavagem de dinheiro (corretora Reag) e corrupção (Banco Master).
  • Decretos presidenciais aumentando a punição das big techs por disseminação de agressões às mulheres e crianças nas redes sociais.

A campanha de Lula tem um desafio quase insolúvel, o desgaste de material. Ao final do terceiro mandato de Lula, o PT terá presidido o Brasil em 18 dos últimos 24 anos. Isso significa que pouco menos da metade dos brasileiros, 105 milhões de pessoas, viveu a maior parte da sua vida sob os governos do PT. Como convencer essas pessoas, que veem no PT o responsável pelo que de bem e de mal aconteceu no Brasil neste século, a darem mais quatro anos para Lula? Pelas entrevistas que fiz com os ministros e ex-ministros, a resposta é apresentar Lula como o grande responsável por tirar milhões da miséria e que agora está revigorado para combater a desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres. É uma tentativa arriscada de capturar o sentimento antissistema latente no eleitorado.

A estratégia ainda não se traduz em quais seriam as promessas de um Lula 4, mas é factível supor uma aposta pesada contra as renúncias fiscais, limitações à publicidade das bets e maior responsabilização legal das plataformas de redes sociais.

É preciso lembrar que campanha e governo são dois momentos diferentes. Fernando Henrique Cardoso foi eleito em 1998 jurando não se tornar um "gerente da crise" e passou o segundo mandato gerenciando a crise. Dilma Rousseff fez em 2014 uma campanha à esquerda e depois de eleita entregou a economia para o liberal Joaquim Levy cortar todos os programas petistas. Jair Bolsonaro foi eleito em 2018 como um candidato contra-tudo-que-está-aí e terminou repartindo o poder com Ciro Nogueira, Arthur Lira e Valdemar Costa Neto. O mesmo governo Lula que se prepara para uma campanha de esquerda tem no Ministério da Fazenda estudos sérios sobre a necessidade de um ajuste fiscal em 2027, incluindo mudanças em programas como o BPC e Seguro Desemprego e alterações nos gastos constitucionais em saúde e educação.

Aos 80 anos, Lula é o terceiro homem há mais tempo no poder no Brasil. Ele perde apenas para o imperador D. Pedro II, que reinou por 58 anos, e Getúlio Vargas, presidente por 18. Nos três mandatos, Lula já completou 11 anos e cinco meses no poder, com a diferença de ter sido eleito todas as vezes. Ao escrever sobre os dois primeiros mandatos, o cientista político André Singer registrou no livro "Os sentidos do lulismo" que o presidente havia feito adotado um "reformismo fraco", buscando avanços sociais que não confrontassem com a elite econômica. Para o Lula de 2026, no entanto, o apoio de parte considerável da elite ao golpismo da extrema-direita rompeu com o acordo de boa convivência dos primeiros mandatos.

Se o bolsonarismo, por natureza, puxa a agenda do país para a extrema-direita, o lulismo vai agora tentar empurrar para a esquerda.

O senador Flávio Bolsonaro durante a Marcha dos Prefeitos, em Brasília - Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
O senador Flávio Bolsonaro durante a Marcha dos Prefeitos, em Brasília - Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

2. Salvo. Por enquanto

A primeira pesquisa Datafolha depois da revelação da doação de R$ 134 milhões do banqueiro preso Daniel Vorcaro à família Bolsonaro mostra a força da polarização calcificada. Mesmo com o escândalo, a candidatura de Flávio Bolsonaro segue viva. Segundo o Datafolha, entre os eleitores de Bolsonaro:

  • 88% acham que ele deveria manter a candidatura;
  • 67% dizem que nada mudou na confiança ao candidato
  • 53% acham que ele agiu bem ao pedir dinheiro a Vorcaro.

Na população em geral, o efeito negativo do escândalo foi maior, mas Bolsonaro segue como único candidato viável da oposição. Ele ainda tem 31% de intenções de votos no primeiro turno e 43% no segundo, ante 47% do presidente Lula.

Flávio Bolsonaro ganhou sobrevida, mas quem comemora é Lula. É um cenário de sonhos para o PT ter um adversário machucado por um escândalo que ninguém sabe quando vai terminar, força suficiente para impedir o surgimento de um nome novo e, principalmente, derrotado por uma diferença além da margem de erro na simulação de segundo turno.

Pesquisas feitas no calor do noticiário devem ser recebidas com cautela porque lidam com as reações de um eleitor em estado de choque. É recomendável dar duas ou três semanas para o fato ser decantado. Se Flávio Bolsonaro conseguir estancar o noticiário ruim por mais duas semanas, o caso pode se encerrar com as atenções do público se voltando para a Copa do Mundo a partir de 11 de junho. Diante das versões em série do candidato para cada nova revelação da sua proximidade com Vorcaro, esta é uma hipótese a ser testada.

De acordo com levantamento da consultoria Bites, mesmo sob forte ataque nas redes, Flávio Bolsonaro não perdeu mobilização digital. Duas semanas depois da reportagem do The Intercept Brasil sobre suas relações com Vorcaro, Bolsonaro alcançou no sábado (23) 8,8 milhões de interações em seus perfis oficiais no Instagram, TikTok, X e Facebook.

- Esse movimento repete um padrão já observado com Jair Bolsonaro: sempre que era atacado, seus apoiadores cerravam fileiras para amplificar suas mensagens, ignorando a mídia e fluxos contrários - disse Manoel Fernandes, diretor da Bites.

As pesquisas dão sobrevida, mas a campanha segue em sangria desatada no mundo político. Flávio Bolsonaro foi ironizado pela madrasta Michelle Bolsonaro, atacado por Romeu Zema e criticado até pelo cauteloso Ronaldo Caiado. Teve que trocar o marqueteiro, demitido depois de um ataque de fúria no comitê de campanha. Abandonado pelo antigo aliado quando foi alvo de operação da Polícia Federal, o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, deu entrevista defendendo a investigação sobre a relação de Bolsonaro com Vorcaro. O maior líder digital da direita, o deputado Nikolas Ferreira, viajou para o Acre para não participar da reunião com Flávio Bolsonaro e deputados do PL. Executivos da Faria Lima só aceitaram receber o candidato em São Paulo com a condição de que não teriam os seus nomes divulgados. Depois das conversas, nenhum deles saiu convencido de que a onda de revelações sobre Bolsonaro e Vorcaro está perto do fim.

Como mostraram as repórteres Luísa Marzullo e Letícia Pille, de O GLOBO, líderes evangélicos bolsonaristas como o bispo Robson Rodovalho, da Sara Nossa Terra, e o pastor Silas Malafaia, Assembleia de Deus Vitória em Cristo, reconheceram o abalo na candidatura. Temendo as cobranças, Flávio Bolsonaro não compareceu à Marcha para Jesus, no sábado (23), no Rio.

Na sexta-feira (22), a repórter Andréia Sadi, da GloboNews, revelou que aliados passaram a enxergar Flávio Bolsonaro como "contaminado", um peso para os candidatos de direita nos estados. O fato de o candidato ter dito que ainda surgiria "um videozinho", ainda inédito, só aumenta o temor dos aliados.

A preços de hoje, o PP e o União Brasil não vão apoiar Bolsonaro formalmente. Segundo o editor Thiago Prado, de O GLOBO, para não politizar a operação de salvação de um banco do bispo Edir Macedo, o Republicanos também deve optar pela neutralidade. Se ficar isolado no PL, Bolsonaro terá menos tempo de propaganda de rádio e TV do que o presidente Lula.

No livro "Biografia do Abismo", o cientista político Felipe Nunes e eu afirmamos que desde a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, o Brasil vive uma "polarização calcificada", em que a divergência entre o lulismo e o antipetismo deixou de ser por votos, para se tornar uma disputa de valores. Cada uma dessas duas grandes bolhas se considera moralmente superior à outra e, ao mesmo tempo, ameaçada pela existência da opositora. Lulistas e bolsonaristas não são adversários, são inimigos. Consideram que a vitória do outro é uma ameaça ao seu estilo de vida, às suas crenças e até à sua existência.

Neste clima em que a política vira vida ou morte, quem está no campo bolsonarista não abandona seu candidato, mesmo sabendo que ele recebeu milhões de um banqueiro criminoso para supostamente financiar um filme que nunca poderia ter custado essa montanha de dinheiro. Para um bolsonarista numa polarização calcificada, derrotar Lula é o objetivo mais relevante, mais até que a honestidade do seu candidato. Enquanto for o único candidato viável para enfrentar Lula no segundo turno, Flávio Bolsonaro segue no jogo.

3. Jair falou, está falado

No filme "Parente é serpente", de Mario Monicelli, durante a tradicional reunião de uma família italiana para o Natal, os quatro filhos descobrem que um deles terá de abrigar os pais idosos. Começa um jogo de empurra entre os quatro, que ressuscita rusgas do passado, segredos e recriminações, com momentos memoráveis de sarcasmo. É impossível não lembrar da história de Monicelli sobre escaramuças e mágoas familiares ao observar o jogo entre Flávio e Michelle Bolsonaro.

Na terça-feira (19), ao comparecer ao lançamento da candidatura da doceira Maria Amélia a deputada distrital no Distrito Federal, Michelle foi perguntada sobre os problemas enfrentados por Flávio na campanha. Disse duas frases:

- Oh, Flávio? você tem que perguntar para ele.

- Não estou me metendo nisso, não. Tenho que cuidar do meu marido.

Tradução: me inclua fora dessa.

A segunda frase é um primor de ironia de Michelle, um tapa político e um recado aos bolsonaristas. Depois que Jair Bolsonaro foi preso, dezenas de vezes ela foi acusada nas redes sociais por capangas digitais comandados por Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro de dar pouca atenção ao marido. Em dezembro passado, o blogueiro Allan dos Santos, comandado por Eduardo, acusou Michelle de se dedicar mais à carreira no PL e do que ao marido. Além do machismo, era um movimento para conter a ascensão da madrasta.

Na simulação do Datafolha, Michelle pontua apenas 22% ante 41% de Lula no primeiro turno. No segundo turno contra Lula, no entanto, Michelle tem resultado similar ao de Flávio. Ela perde por 43% a 48%; e ele, 43% a 47%.

Os números, no entanto, são menos importantes do que a opinião de um único eleitor, Jair Bolsonaro. Assim como a candidatura de Flávio foi decidida por Jair Bolsonaro sem ouvir mais ninguém, sua manutenção ou eventual troca será decidida da mesma maneira. Leia como ficção textos que atribuírem ao PL poder sobre o destino da candidatura. Quem decidirá qualquer coisa sobre o futuro de Flávio e Michelle será Jair. Mais ninguém.

4. Pau que bate em Chico

O inquérito da PF sobre as fraudes no Banco Master bate nos Bolsonaros e o do INSS vai acertar, em breve, a família Lula. Como revelou o repórter Fernando Rodrigues, do Poder360, degravações feitas pela Polícia Federal do celular da empresária Roberta Luchsinger exibem conversas comprometedoras com o filho mais velho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, sobre operações com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", pivô do escândalo.

Numa troca de mensagens, segundo o repórter, Roberta pergunta se deve prosseguir com uma determinada operação. E Lulinha responde, peremptório: "Pode fechar".

5. O infiltrado

É gigante o lobby de grupos empresariais e bancários para indicar um dos novos diretores do Banco Central. São os mesmos que ajudaram a aprovar Otto Lobo como o presidente da Comissão de Valores Mobiliários, que deveria operar como o xerife do mercado, mas que foi leniente com o Master de Daniel Vorcaro.

6. O não dos bancos

É notável a resistência dos bancos com a ideia do presidente Lula de criar um programa de refinanciamento de dívidas de clientes que ainda não estão em atraso. Prometido pelo ministro Dario Durigan para junho, o programa ainda está em rascunho.

7. Fique atento

  • Pela segunda semana, Brasília espera que o senador Flávio Bolsonaro apresente o contrato firmado com Daniel Vorcaro, que comprova que o dinheiro do Banco Master foi usado na produção do filme "Dark Horse". Melhor se sentar.
  • Pela segunda semana, a pergunta na direita e no Centrão será: vai aparecer mais alguma coisa de Flávio com Daniel Vorcaro? Vai.
  • A assessoria de Flávio Bolsonaro divulgou que o candidato poderia se encontrar com Donald Trump nesta semana. A Casa Branca não confirmou e hoje é feriado nos EUA. Se fracassar na tentativa de mudar de assunto, Flávio Bolsonaro se mostrará mais fraco.
  • Nesta segunda-feira (25), o presidente Lula se encontra com Hugo Motta para decidir o texto do fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. A dúvida hoje é se a transição para o novo sistema será de três ou dois anos. A votação no plenário da Câmara será na quinta-feira (28), com as centrais sindicais promovendo manifestações em São Paulo e Brasília.
  • O deputado federal Mário Frias prometeu voltar ao Brasil nesta segunda-feira, dia 25, para explicar sobre as emendas parlamentares para a ONG que produziu o filme "Dark Horse". Difícil será apresentar uma cópia assinada do contrato com a empresa de Daniel Vorcaro com a tal "cláusula de confidencialidade" que impedia Flávio Bolsonaro de falar sobre o assunto.
  • O governo brasileiro tenta impedir que o segundo pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli seja derrubado, como aconteceu na sexta-feira (22) com o primeiro pedido, pela Corte de Cassação de Roma.
  • Não existe nada de ruim que não possa piorar. O senador Renan Calheiros apresentou projeto para ampliar a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) a depósitos realizados por fundos de pensão no Master, sem limite de valor.
  • Ministros começam a se queixar de Dario Durigan pela decisão de bloquear R$ 22,1 bilhões em gastos no Orçamento. O congelamento foi autorizado pelo presidente Lula para tentar reduzir a fila de 2,3 milhões de pedidos de aposentadoria no INSS.
  • De volta à Polícia Federal, o banqueiro Daniel Vorcaro terá tempo para repensar a sua proposta de delação premiada, já recusada pela Polícia Federal e ainda sob análise da Procuradoria-Geral da República. Os dois órgãos têm objetivos distintos: a PGR quer que o banqueiro devolva mais dinheiro em menos tempo. A PF quer que Vorcaro revele mais nomes de políticos e autoridades corrompidas.
  • Termina na sexta-feira (29) o julgamento, em plenário virtual, das mudanças na Lei da Ficha Limpa. A tendência é que o Supremo não afronte o Congresso e libere candidaturas de pessoas como Eduardo Cunha e Anthony Garotinho.

O Globo
https://oglobo.globo.com/politica/thomas-traumann/coluna/2026/05/com-flavio-nas-cordas-lula-dobra-a-esquerda.ghtml