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Próximo governo vai pegar 'Brasil muito interessante', mas falta 'última milha' do ajuste fiscal, diz Esteves, do BTG

Próximo governo vai pegar 'Brasil muito interessante', mas falta 'última milha' do ajuste fiscal, diz Esteves, do BTG

Presidente do conselho de administração do BTG Pactual não vê como problema um Congresso independente e um Judiciário presente


Por Anaïs Fernandes, Valor - Nova York

O Brasil teve um "progresso muito grande" na economia nas últimas décadas e o presidente que for eleito em outubro "vai pegar um Brasil muito interessante em janeiro", afirmou nesta terça-feira André Esteves, presidente do conselho de administração do BTG Pactual.

"Muito diferente do que quando olhamos os 40 anos de história da nossa democracia", disse ao participar de evento da revista Veja em Nova York, na semana dedicada ao Brasil na cidade americana. Em 1994, 2002 e 2016, por exemplo, presidentes assumiram em "ambiente de terra arrasada", disse Esteves. "Quem sentar na cadeira em janeiro não vai pegar terra arrasada", afirmou.

Segundo ele, ainda falta "uma última milha" que é o ajuste fiscal. Esteves disse que um ajuste de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) não é difícil de fazer, dado o grau de despesas do país.

Ele questionou, por exemplo, uma política de reajuste real do salário mínimo de 2,5% em um ambiente de desemprego zero. "Pior, essa política engloba todo o sistema previdenciário brasileiro", afirmou. "Isso não existe em nenhum lugar do mundo, nem nas sociais democracias europeias. É claro que precisamos corrigir essas distorções", disse.

Para ele, o Congresso "vai estar lá" se a liderança política do Executivo "apontar a direção", e a taxa de juros pode cair para 7%, 8%. "Isso vale vinte vezes um Bolsa Família, ter um patamar de juros civilizado", afirmou.

Esteves não vê como problema um Congresso independente e um Judiciário presente. "Eu prefiro do que um ambiente em que o Congresso está submisso ao Executivo e o Judiciário está ausente", afirmou. "A chance de ter preocupação de virar uma Argentina ou Venezuela seria muito maior se não tivéssemos esse arranjo no Brasil", acrescentou.

Segundo Esteves, a diversificação de fluxos de capital tem beneficiado países emergentes, especialmente da América Latina e o Brasil. "Estávamos lá atrás na fila do pão e, de repente, as pessoas se tocaram de uma combinação muito interessante", disse, citando o fato de a região ser geopoliticamente estável e estar se movendo em uma direção "business friendly" (amigável aos negócios). "Eleições na Argentina, Chile, Bolívia, Equador, Peru e, provavelmente, na Colômbia, em todos esses países as sociedades decidiram ir nessa direção", afirmou.

Valor
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