Petista contabiliza 42% das intenções de voto, enquanto o senador tem 41%; cenário é o inverso da última rodada do levantamento, que mostrou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro na liderança
Por Rafaela Gama
Dados da pesquisa Genial/Quaest divulgados nesta quarta-feira mostram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a estar numericamente à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) na simulação de segundo turno. Ambos, no entanto, permanecem empatados dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O instituto realizou 2.004 entrevistas entre os dias 8 e 11 de maio.
O petista também lidera as intenções de voto para o primeiro turno, com 37%, à frente de Flávio Bolsonaro, com 33%. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) aparecem com 4%, seguidos por Renan Santos (Missão), 2%; Augusto Cury (Avante), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Samara Martins (UP) têm 1%. Brancos e nulos são 10%.
Já em cenário estimulado de segundo turno, o petista aparece com 42% das intenções de voto, enquanto o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro registra 41%. A situação é inversa ao desempenho apresentado pelos dois no mês passado, quando o senador contabilizou 42% e Lula registrou 40%. Na rodada deste mês, 14% dos eleitores afirmam que pretendem votar em branco, nulo ou afirmam que não vão votar. Outros 2% estão indecisos.
- É o terceiro mês consecutivo em que vemos um empate técnico entre Lula e Flávio. As movimentações acontecem todas na margem de erro, sugerindo um cenário bastante competitivo até aqui - explicou Felipe Nunes, cientista político e CEO da Quaest. - Mas vale notar que, neste último mês, o eleitor independente, que será decisivo, oscilou marginalmente em favor do Lula. As margens de erro aqui são maiores (4 pp), mas havia uma tendência negativa desde janeiro de 2026 que foi interrompida. Nos outros grupos, tudo permaneceu igual.
Também no segundo turno, a pesquisa também mostrou o petista na liderança (44%) contra outros adversários, com Zema contabilizando 37% das intenções de voto e Caiado registrando 35%. O melhor desempenho do petista (45%) foi registrado, por sua vez, no cenário em que ele enfrenta Renan Santos, presidente do partido Missão (28%).
Além disso, a Quaest mostrou que 63% responderam agora que a escolha de voto é definitiva e apenas 37% relataram que podem mudar de opinião até outubro.
Intenção de voto (2º turno)
Cenário 1:
- Lula (PT): 42% (era 40% em abril)
- Flávio Bolsonaro (PL): 41% (42% em abril)
Cenário 2:
- Lula (PT): 44%
- Romeu Zema (Novo): 37%
Cenário 3:
- Lula (PT): 44%
- Ronaldo Caiado (PSD): 35%
Cenário 4:
- Lula (PT): 45%
- Renan Santos (Missão): 28%
Melhora na avaliação
A aprovação do governo Lula também subiu (de 43% para 46%) e voltou a empatar tecnicamente com a desaprovação, que teve queda de 52% para 49%. O petista teve melhora perceptível entre quem ganha entre 2 e 5 salários mínimos (a diferença caiu de 19 para 9 pontos percentuais). Segundo Nunes, a melhora é puxada por aspectos como o Novo Desenrola. O relançamento do programa de renegociação de dívidas foi visto de maneira positiva pela população: 50% acham uma boa ideia porque ajuda quem está no vermelho, ante 23% que pensam o contrário. Sobre conhecimento do programa, 57% ouviram falar, contra 43% que desconhecem.
Outro fator positivo para a melhora do presidente, mostra a Quaest, foi o encontro com o americano Donald Trump, na Casa Branca: 43% dos entrevistados acreditam que Lula sai mais forte politicamente (ante 26%) e 60% acreditam que o encontro foi bom para o Brasil.
A pesquisa, no entanto, detectou que outra aposta do governo para o ano eleitoral, a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil, não tem provocado o efeito esperado na popularidade de Lula.
Do total de entrevistados, 67% responderam que não foram beneficiados pela medida, enquanto 30% afirmaram o contrário. Além disso, 45% disseram que não sentiram impacto na renda depois do anúncio, 33% responderam que o rendimento aumentou um pouco e 21% relataram que a renda cresceu significativamente.
Os dados também indicaram que a violência segue como a maior preocupação da população (31%), percepção que tem influenciado o governo a considerar a segurança pública como um tema que irá pautar a disputa eleitoral deste ano. Em resposta, o Planalto lançou ontem o programa "Brasil contra o crime organizado", com um pacote de R$ 11 bilhões em investimentos para a área.
O Globo
https://oglobo.globo.com/blogs/pulso/post/2026/05/genialquaest-a-cinco-meses-das-eleicoes-lula-e-flavio-bolsonaro-mantem-empate-tecnico-petista-volta-a-ficar-numericamente-a-frente.ghtml





