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'Se depender de mim a gente fecha as bets', diz Lula, em entrevista ao ICL

'Se depender de mim a gente fecha as bets', diz Lula, em entrevista ao ICL

Lula criticou a 'jogatina desenfreada' no país


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, em entrevista a Eduardo Moreira e Leandro Demori, no ICL Notícias - 1ª edição, nesta quarta-feira (8), a "jogatina desenfreada" no país. Lula disse que, se depender dele, as casas de apostas vão parar de funcionar no Brasil.

Lula declarou que a decisão sobre o futuro das chamadas "bets" depende do Congresso Nacional do Brasil, mas indicou que, pessoalmente, defende o encerramento das atividades.

"Quero dizer o seguinte: se depender de mim, a gente fecha as bets. Obviamente que depende do Congresso Nacional, de discussão. Eu sei que elas financiam - não posso citar nomes, porque não sou juiz nem policial -, mas todo mundo sabe quem são os deputados, os partidos, os senadores. Então não é possível continuar com essa jogatina desenfreada neste país."

O presidente afirmou que o tema vem sendo discutido internamente no governo nas últimas semanas e que há dúvidas sobre a utilidade do setor. "Faz 15 dias que estou discutindo esse negócio das bets. Tenho debatido exatamente isso: se elas causam o mal que a gente acha que causam, por que não acabar com as bets? Ou então regular para que não haja tantas no Brasil, se é que têm alguma serventia."

Lula também rebateu o argumento de que o setor é essencial para o financiamento do esporte, especialmente do futebol. "Dizem que o futebol não pode sobreviver sem as bets. Mas o futebol sobreviveu por mais de um século sem elas. Então, estamos tentando discutir isso."




Lula critica fundo eleitoral e diz que modelo atual favorece 'promiscuidade política'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o atual modelo de financiamento eleitoral no país e afirmou que o sistema contribuiu para distorções no funcionamento dos partidos políticos.

"Os partidos não podem continuar sendo assim. Não é possível tanto dinheiro de fundo partidário e fundo eleitoral. Sinceramente, acho que isso levou à promiscuidade política neste país. Parecia bom, mas não é. Eu fui defensor do fundo público, mas hoje acho que o fundo eleitoral levou os partidos a esse cenário - é como se os presidentes dos partidos tivessem virado presidentes de bancos", disse Lula.

Lula também destacou o alto custo das campanhas eleitorais como um dos principais obstáculos para a entrada de novos nomes na política. "Você dificulta a eleição de gente nova, de quadros da sociedade, de movimentos sociais. Uma eleição está muito cara. Se for feita uma pesquisa, vão perceber que um deputado, para ser eleito em alguns estados, pode precisar de R$ 40 milhões. Sem dinheiro, não se elege".

De acordo com o presidente, esse cenário concentra poder nas estruturas partidárias e no Congresso Nacional do Brasil, dificultando mudanças no sistema. "Isso está nas mãos dos partidos, do Congresso Nacional. E as emendas facilitam isso. As pessoas novas têm pouca chance de se eleger. A renovação tende a ser muito pequena".

ICL Notícias
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