Desastre financeiro: combustíveis sobem, Ibovespa derrete

Desastre financeiro: combustíveis sobem, Ibovespa derrete

Se na semana passada o Ibovespa teve o seu "Dia de Cão", hoje o estrago se deu por completo, com a pior jornada de um ano que já está quase na sua metade, e a quatro meses de eleições majoritárias. Os ingredientes se somaram e atingiram o clímax de nervosismo do mercado acionário com o anúncio de alta dos preços dos combustíveis.

A Petrobras divulgou hoje majoração dos preços para os distribuidores, sendo 5,18% para a gasolina e 14,2%para o óleo diesel. O baque foi imediato, com o índice da B3 despencando mais de 4,00% entre manhã e tarde, e os papéis da Petrobras puxando o mercado ladeira abaixo e derretendo cerca de 10%.

No final da sessão, o desastre financeiro consumado: Petrobras confirmando a forte queda, com PETR3 caindo 7,49% e PETR4, 6,87%. Para piorar o cenário, a Vale (VALE3) despencou 5,08%, puxada pela diminuição dos preços do minério de ferro no mercado internacional.

Entre mortos e feridos, o Ibovespa fechou em baixa de 2,90%, perdendo o referencial dos 100 mil pontos (99.825), e retomando os níveis de 2020 - uma pontuação que é a menor desde 4 de novembro daquele ano. O dólar apresentou alta de 2,14%, retomando o valor de R$ 5,14.

O estrago não aconteceu só na economia. Em Brasília, o clima esquentou com uma guerra aberta entre o Palácio do Planalto e a presidência da Petrobras - aprovada no comando da petroleira pelo próprio Jair Bolsonaro e sua equipe econômica. Diante do desastre também eleitoral que se avizinha e com um enorme desgaste junto aos caminhoneiros, que eram uma de suas principais bases eleitorais, o presidente passou a atirar e até sugeriu uma CPI para a estatal.

Na pirotecnia adotada pela presidência da República, também embarcaram seus fieis escudeiros Arthur Lira e Ciro Nogueira, presidente da Câmara Federal e ministro-chefe da Casa Civil. Ambos lançaram mão de bravatas como votar um aumento de imposto sobre os lucros da empresa ou até alterar a política de preços, que hoje tem paridade com o mercado internacional. Ao grupo se juntou o ministro do STF, André Mendonça. Igualmente alinhado com o governo, o ministro "terrivelmente evangélico" cobrou informações da estatal sobre sua política de formação de preços.

Em meio ao tiroteio entre pesos-pesados do próprio governo, a oposição procura avaliar os estragos causados na política e na economia. "Petrobras anuncia reajustes para as refinarias a partir de sábado. No ano, gasolina acumula alta de 31% e o diesel, de 68%. Bolsonaro te enganou", concluiu o senador Fabiano Contarato (PT-ES), numa alusão aos recentes cortes no ICMS dos estados

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