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Marca Daslu é leiloada por R$ 10,5 milhões em São Paulo

Marca Daslu é leiloada por R$ 10,5 milhões em São Paulo

A Daslu, marca sinônimo de luxo na sociedade paulistana e em todo o país, foi vendida nesta terça-feira, dia 7, por R$ 10,5 milhões, em hasta pública realizada pela empresa leiloeira Sodré Santoro. O valor mínimo era de R$ 1,41 milhão e foi disputado por 32 lances. O recurso vai para a massa falida da empresa, sendo que agora cabe ao comprador proceder com o pagamento em juízo. O nome do grupo não era conhecido publicamente até a noite do mesmo dia 7.

Segundo reportagem veiculada no SPTV 2ª edição, da Rede Globo, mesmo que proceda com o pagamento, o comprador poderá encontrar resistência do antigo controlador, cujo advogado informou ao noticioso que deverá entrar com recurso por não concordar com o valor da venda.

Por décadas, a Daslu foi referência para um público AAA, que afluía à loja da rua João Lourenço, na Vila Nova Conceição, em uma época em que as principais grifes internacionais não tinham pontos de venda nos shoppings da capital. Na década de 1990, a Daslu ganhou corpo e dominou o segmento de marcas estrangeiras, já sob a gestão de Eliana Piva de Albuquerque Tranchesi, que ficou à frente dos negócios após o falecimento de sua mãe Lucia, na década de 1980. Eliana trazia para o país criações exclusivas de Paris e Milão, os polos da moda na Europa. No auge, a marca chegou a movimentar R$ 400 milhões por ano.

A proprietária e socialite também criou a marca própria da Daslu, que contava com roupas, joias, acessórios e sapatos, e ampliou o leque de produtos vendidos no multimarcas, com cosméticos, lanchas e até helicópteros. Nos anos 2000, Eliana montou uma megaloja de 20 mil metros quadrados no bairro da Vila Olímpia, onde hoje localiza-se um conjunto empresarial e a torre do banco e teatro Santander. Na época, a obra custou R$ 100 milhões.

A mudança acabou gerando uma enorme dívida e, para piorar, a varejista de roupas viu seu nome sair dos editoriais de moda para as páginas policiais. A marca se envolveu em um escândalo de sonegação de impostos e nunca mais voltou a ser o sucesso que era. A reviravolta dessa história de luxo e poder aconteceu em 2005, quando a Polícia Federal, em parceria com a Receita Federal e o Ministério Público, deflagrou uma operação para apurar crimes de sonegação cometidos pelos proprietários da Daslu.

Eliana Tranchesi e seu irmão Antônio Carlos Piva de Albuquerque, na época diretor financeiro do grupo, foram detidos, processados e condenados a uma pena de 94 anos pelos crimes de formação de quadrilha, fraude em importações e falsificação de documentos. Ficou provado que, por muito tempo, os sócios subfaturaram notas fiscais dos produtos vendidos. Apesar da sentença, a empresária deixou a cadeia um dia depois de ser presa, pois fazia tratamento contra um câncer. Ela faleceu em 2012.

Depois desse episódio que abalou a reputação da marca, o negócio ainda foi repassado a dois grupos empresariais, mas acabou sucumbindo às dívidas e aos prejuízos causados à sua imagem. A butique ainda atendeu os clientes até 2016, no Shopping JK Iguatemi, quando o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o despejo da loja, devido a uma dívida de R$ 3 milhões em aluguéis e problemas também para pagar a folha de funcionários.

No mais recente capítulo dessa história de glamour, poder e manchetes policiais, Antônio Carlos Piva de Albuquerque foi preso pela polícia em maio último, em uma residência no bairro do Morumbi, na capital, condenado a 7 anos e 8 meses de prisão, em regime fechado, por crimes contra a ordem tributária.

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