Ford F-150 Lightning | Imagem: Divulgação
Ford ganha as manchetes por uma notícia boa e outra ruim

Ford ganha as manchetes por uma notícia boa e outra ruim

Causou furor na diretoria da centenária montadora norte-americana, assim como repercutiu no mercado automotivo e na imprensa mundial. O fato da nova picape elétrica da Ford estar com todos os pedidos para 2022 esgotados e contabilizar três anos de fila de espera para futuras encomendas deixaram os dirigentes eufóricos com a demanda inesperada. O que já faz a companhia pensar na produção de um segundo modelo de picape.

A culpa toda por esse frenesi é da Ford F-150 Lightning, que por sinal não é a primeira picape elétrica da marca - que foi a Ranger EV - mas é a primeira a fazer um estrondoso sucesso num mercado que historicamente é fã de picapes.

A confirmação da produção de um novo modelo partiu do CEO da Ford, Jim Farley, que enfatizou que será um veículo diferente da F-150 Lightning. A montadora já está mobilizando o mega campus de Stanton, no Tennessee. Lá, está construindo uma nova linha de montagem de carros elétricos, fábrica de baterias e um parque de fornecedores.

Será a maior instalação da Ford desde sua fundação, há quase 119 anos, e tem inauguração prevista para 2025. Ela será providencial para que os planos da Ford se concretizem. "Temos a intenção de ser o fabricante número um de picapes elétricas", disse Farley durante a inauguração da produção da F-150 elétrica.


Nova Ford F-150 Lightning é a primeira picape 100% elétrica da montadora de Detroid Divulgação/Ford 

Entre as picapes que já estão à venda nos Estados Unidos, possivelmente a Ford está considerando lançar uma versão elétrica da Ranger ou da Maverick. Uma Ranger elétrica seria a mais provável, pois sua nova geração ainda não estreou nos EUA e há planos de a Volkswagen Amarok (que é baseada na mesma plataforma) ter uma versão elétrica futuramente.

Mas, depois da ótima notícia, veio a ruim.

A Ford informou nesta quarta-feira, dia 27, ter registrado prejuízo líquido de US$ 3,1 bilhão no primeiro trimestre deste ano, um pouco menos que a perda de US$ 3,3 bilhões assinalada em igual período de 2021. O resultado equivale a um saldo negativo de US$ 0,78 por ação.

A receita da gigante do setor automotivo recuou na comparação anual dos três primeiros meses de 2022, a US$ 34,5 bilhões, abaixo dos US$ 36,2 bilhões de 2021, uma queda de 9%. A companhia afirma que o resultado reflete uma perda de US$ 5,4 bilhões em valor de mercado da Rivian, empresa de veículos elétricos norte-americana fundada em 2009, da qual a Ford detém 12% de participação.

No trimestre mais recente, a contínua escassez global de semicondutores atrapalhou a Ford em sua produção e embarques de janeiro e fevereiro, embora as taxas de fabricação tenham sido significativamente melhores em março, segundo a empresa. Por isso mesmo, a expectativa é por uma maior disponibilidade de semicondutores durante o segundo semestre do ano. A Ford espera que as vendas no atacado de veículos para o ano inteiro aumentem de 10% a 15%, em relação a 2021.

A montadora, que deixou o Brasil no início de 2021, afirmou que a forte demanda dos clientes por seus novos modelos de veículos no primeiro trimestre de 2022 foi atrapalhada por problemas persistentes na cadeia de suprimentos, o que reduziu a velocidade com que a companhia poderia atender aos pedidos das concessionárias.

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