Parque ficará no gramado no centro da pista de corrida dos cavalos. Na foto, o hipódromo nesta sexta-feira, 6. Foto: Werther Santana/Estadão |
Como é o parque previsto para ocupar parte da área do Jockey Club de SP; veja imagens

Como é o parque previsto para ocupar parte da área do Jockey Club de SP; veja imagens

Hipódromo aposta em reforma para recuperar finanças; projeto também prevê novo espaço gastronômico, museu do turfe e modernização de áreas para sócios


Por Malu Mões

Após décadas de disputa judicial com a Prefeitura de São Paulo por dívidas tributárias e um pedido de recuperação barrado na Justiça, o Jockey Club prepara sua maior transformação em busca de retomar a sustentabilidade financeira.

A previsão agora é transformar o gramado central do hipódromo em um parque público de 85 mil m², no meio da Cidade Jardim, na zona sul, um dos bairros com terrenos mais caros da capital. A área representa cerca de 14% dos 600 mil m² do Jockey, que também passará por reforma.

O projeto prevê o restauro do patrimônio tombado pelo conselho de patrimônio, a inclusão de um novo polo gastronômico aberto à população embaixo das tribunas, a criação de um museu do turfe e a modernização dos espaços destinados exclusivamente para sócios.

A proposta nasceu da parceria do Jockey com o banco BTG Pactual, que atua como financiador do projeto. O negócio possibilitou ao clube pagar R$ 228 milhões à vista para encerrar um débito de mais de R$ 800 milhões com o Município. O parque foi uma contrapartida para a quitação da dívida com desconto.

Veja como será parque no Jockey; clube também passará por restauro



Prévia do projeto de parque público no Jockey Club de São Paulo, na zona sul da capital. Foto: Prévia do projeto do Jockey Club e do BTG/Levisky Arquitetos e Königsberger Vannucchi
Prévia do projeto de restauro do Jockey Club de São Paulo, na zona sul da capital. Foto: Prévia do projeto do Jockey Club e do BTG/Levisky Arquitetos e Königsberger Vannucchi
Parque no Jockey Club de SP
Prévia do projeto de parque público no Jockey Club de São Paulo, na zona sul da capital. Foto: Prévia do projeto do Jockey Club e do BTG/Levisky Arquitetos e Königsberger Vannucchi

Prévia do projeto de restauro do Jockey Club de São Paulo, na zona sul da capital, com inclusão de nova área de restaurantes. Foto: Prévia do projeto do Jockey Club e do BTG/Levisky Arquitetos e Königsberger Vannucchi
Prévia do projeto de restauro do Jockey Club de São Paulo, na zona sul da capital, com inclusão de nova área de restaurantes. Foto: Prévia do projeto do Jockey Club e do BTG/Levisky Arquitetos e Königsberger Vannucchi
Prévia do projeto de restauro do Jockey Club de São Paulo, na zona sul da capital. Foto: Prévia do projeto do Jockey Club e do BTG/Levisky Arquitetos e Königsberger Vannucchi

Restauro Jockey Club de SP
Prévia do projeto de restauro do Jockey Club de São Paulo, na zona sul da capital, com inclusão de nova área de restaurantes. Foto: Prévia do projeto do Jockey Club e do BTG/Levisky Arquitetos e Königsberger Vannucchi

Prévia do projeto de restauro do Jockey Club de São Paulo, na zona sul da capital. Foto: Prévia do projeto do Jockey Club e do BTG/Levisky Arquitetos e Königsberger Vannucchi
Nova área no Jockey Club de SP
Prévia do projeto do Jockey apresentado na Câmara Municipal de São Paulo. Foto: Prévia do projeto do Jockey Club e do BTG/Levisky Arquitetos e Königsberger Vannucchi


A aposta do banco e do Jockey é transformar o clube no quinto maior espaço de eventos de São Paulo - à frente do Estádio do Morumbis e da NeoQuímica Arena, atrás apenas do Autódromo de Interlagos, da Nubank Parque, da São Paulo Expo e do Complexo do Anhembi. A estimativa é movimentar R$ 1,15 bilhão por ano e gerar 7,8 mil empregos diretos.

"Essa combinação de clube, turfe, parque e entretenimento tem potencial de dar sustentabilidade financeira de longo prazo, porque ele deixa de depender de uma única fonte de receita", afirma ao Estadão Renato Diniz Junqueira Filho, integrante do conselho de administração do Jockey.

Segundo a Prefeitura, o clube devia mais de R$ 905 milhões por inadimplência de impostos - aproximadamente R$ 500 milhões em débitos de IPTU, R$ 300 milhões de ISS e o restante de outros tributos. Ainda restam em torno de 5% do passivo a serem pagos, em negociação.

Diniz Junqueira Filho diz que a junção de cavalos, gastronomia, serviços, eventos e um parque do porte de três parques Augusta (ou 80% da área do Parque do Povo) tem potencial para colocar o Jockey no patamar dos grandes hipódromos do mundo. "E o turfe já sente isso: só com o anúncio do projeto, muitos proprietários nos procuraram para dizer que vão trazer seus cavalos de volta para São Paulo."

Uma das inspirações para a proposta foi o hipódromo de Hong Kong, que também tem um parque no meio da pista.

Com inauguração prometida para outubro de 2028 pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), o parque no Jockey deve incluir quadras, bosque, playground, circuito de caminhada, espaço pet e espelhos d'água.

O projeto, porém, ainda precisará de autorização dos órgãos de patrimônio - o que pode atrasar e vetar partes do plano. O tombamento do Jockey proíbe, por exemplo, a construção de novas edificações permanentes e restringe a altura das árvores que serão plantadas no parque.

O banco e o clube vão investir cerca de R$ 100 milhões para implementar o parque. A área será cedida para a Prefeitura, mas a forma como o espaço será gerido ainda está em negociação.

A reportagem apurou haver expectativa de que seja possível realizar eventos temporários no parque (que também precisarão de autorização dos órgãos de patrimônio).

A ideia é também ampliar os eventos, culturais e corporativos, nas outras áreas da instituição. A transformação da área embaixo das tribunas em uma "alameda" gastronômica e de serviços também é vista como possibilidade de lucro com a locação do espaço.

A parceria com o BTG permite que o banco realize ativações de marca na área do clube, mas o retorno do investimento é esperado principalmente com o potencial de receita do Jockey após a reforma.

A revitalização das áreas tombadas terá investimento inicial de R$ 61 milhões. A nova alameda se assemelha em partes à iniciativa da Cidade Matarazzo. Integrantes da equipe que trabalhou no complexo de luxo no centro da capital participam, inclusive, do projeto do Jockey.

O clube também quer retomar gradualmente o pagamento de prêmios a proprietários e treinadores para atrair de volta os cavalos ao hipódromo. Nos últimos anos, o Jockey deixou de pagar as recompensas em meio à crise fiscal.

Estadão
https://www.estadao.com.br/sao-paulo/como-e-o-parque-previsto-para-ocupar-parte-da-area-do-jockey-club-de-sp-veja-imagens/