Reila Gracie, filha do criador do Jiu Jitsu no Brasil, manifesta-se a favor da democracia e do voto em Lula

Reila Gracie, filha do criador do Jiu Jitsu no Brasil, manifesta-se a favor da democracia e do voto em Lula

Cyro Fiuza

A editora de artes visuais Reila Gracie, manifestou-se nas redes sociais sobre sua escolha para presidente na eleição do próximo domingo, dia 25. Com 66 anos, Reila é a 19ª filha dos 21 que Carlos Gracie teve, criando uma verdadeira dinastia de lutadores de Jiu-Jitsu. Ela também é a autora do livro "Carlos Gracie. O criador de uma dinastia", que conta a história do grande mestre e está disponível na plataforma da Amazon.

Ao lado do irmão Hélio, Carlos é visto como o autor das bases do Jiu-Jitsu no Brasil, a partir de ensinamentos do judoca japonês Mitsuyo Maeda, que desembarcou no início de 1900 em Belém do Pará, onde os irmãos nasceram e viveram boa parte da vida. Só depois se mudaram para o Rio de Janeiro, onde a arte marcial batizada de Brazilian Jiu-Jitsu (BJJ) se popularizou nas praias cariocas e depois nas academias a partir dos anos de 1960.



Durante muitos anos, essa dinastia se expandiu para o mundo, sobretudo Estados Unidos, onde a luta ganhou centenas de adeptos principalmente na Califórnia. Alguns dos jovens Gracie se destacaram não só como instrutores mas também como lutadores, participando inclusive do surgimento dos combates de Vale Tudo e MMA, como os irmãos Robson, Carlos Júnior, Carlson e Rolls.

Entre os filhos de Hélio, sobressairam-se Rickson, Royce, Rorion, Royler e Relson. Netos e bisnetos de Carlos e Hélio também conquistaram espaço, caso de Kyra Gracie, atualmente instrutora no Rio, casada com o ator Malvino Salvador, ele próprio um praticante do Jiu-Jitsu.

Ao longo dos anos, algumas polêmicas saíram na imprensa sobre o envolvimento na política de membros do clã. Robson Gracie, segundo filho de Carlos e que morreu em 2023, aos 88 anos, serviu como guarda-costas de Leonel Brizola, então governador do Rio Grande do Sul. Após o golpe militar, continuou atuando na política, o que o levou a ser preso junto à esposa, Vera. Muitos anos depois, em 2018, passou a apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro à presidência, chegando a lhe entregar uma faixa preta honorária ao então deputado, que nunca havia treinado Jiu-Jitsu.


Capa do livro: Carlos Gracie - O Criador de Uma Dinastia

O episódio lembra outro, mais recente, em que conversas do whatsapp mostraram o banqueiro Daniel Vorcaro tentando comprar uma faixa preta de Jiu-Jitsu por R$ 300 mil. O mestre consultado por ele, que não pertence à família Gracie, recusou o pedido, que classificou como "antiético". 

Sobre a proximidade com Daniel Vorcaro, quem frequentou a mídia foi Renzo Gracie (filho de Robson e neto de Carlos) tido como sócio de uma empresa que participou de negociações para atrair fundos de investimentos dos Emirados Árabes com vistas a comprar o Banco Master, mesmo após sua liquidação pelo Banco Central. Em resposta à reportagem publicada pelo Estadão, a defesa de Renzo informou que o lutador desaconselhou a transação em vista da situação do banco diante do BC.

Vivenciando tantas histórias e com a responsabilidade de pertencer a maior dinastia de Jiu-Jitsu do mundo, Reila afirmou, em sua conta do Instagram:

"Não sou petista, nem de partido algum, mas como vivi num país que sofreu um golpe de estado quando eu tinha quatro anos de idade e passou a ser governado por uma ditadura militar por 21 anos, valorizo a liberdade que a democracia representa, e estou em pânico pelo risco que estamos correndo se o candidato vinculado à extrema-direita vencer... por isso, vou votar no Lula, no 13, em defesa da democracia, e gostaria que vocês refletissem e seguissem o mesmo".