Ex-governador de Goiás é o segundo entrevistado da série da TV Globo com os postulantes à Presidência da República
Por Bernardo Mello e Paulo Assad
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) participou nesta terça-feira da sabatina da TV Globo com os candidatos à Presidência da República. O presidenciável iniciou a entrevista defendendo a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro e defendeu que ela seja "ampla, geral e irrestrita".
- Sou um democrata na essência. Jamais transigi nas regras da democracia, nunca contestei resultados de eleições - disse o ex-governador, que afirmou em seguida que "o traço do brasileiro não é de construir o ódio". - Desde o império você tem anistia. Depois Juscelino Kubitschek sofreu realmente tentativa de golpe e propôs anistia. Nós temos que acabar com a polarização e pacificar o país.
Ele comparou uma eventual anistia à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de anular as condenações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Lava Jato. O STF entendeu que não cabia à Justiça Federal do Paraná julgar o petista.
- Ele foi condenado em todas as instâncias. Todo mundo eufórico que havia combate à corrupção, e de repente o Supremo diz que o foro não era o correto, e uma atitude do Supremo o anistiou para que ele voltasse até a disputar a eleição - argumentou Caiado.
O candidato do PSD também tratou do tema da segurança pública ao ser questionado sobre a proposta de criar uma polícia internacional em parceria com países do continente sul-americano. Caiado disse que o Brasil é uma "Disneylândia do narcotráfico" e afirmou que o governo Lula é conivente com os criminosos.
- Todos os nossos vizinhos são da centro-direita, só falta o Caiado ganhar a eleição para concluir. Hoje o presidente da Colômbia já declarou facções como terroristas. Hoje o único nicho que tem para traficante na América do Sul é o Brasil, que é o grande resort do narcotráfico, a Disneylândia do narcotráfico - respondeu o ex-governador de Goiás.
Antes, ele havia sido questionado sobre como conseguiria convecer dez países a aderir a uma polícia conjunta em meio à instabilidade suscitada por riscos de intervenções estrangeiras na região. Ao falar dos planos, Caiado disse que a força teria autoridade para entrar no território nacional para lidar com casos de contrabando de armas, lavagem de dinheiro e drogas.
- Isso não compromete soberania, o que compromete soberania no país é hoje você sair daqui e não poder entrar ali na Rocinha - disse Caiado, que foi questionado, em seguida, se autorizaria militares norte-americanos a entrarem no país. - Para quê? Se vamos tratar entre nós aqui. São dez países e o Brasil tratando desse assunto.
Ao discorrer sobre ajuste fiscal e a governabilidade junto ao Congresso Nacional, Caiado aproveitou para atacar os adversários e líderes nas pesquisas eleitorais, Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
- Você acha que Lula ou Flávio vão construir algum tipo de maioria para aprovar alguma emenda constitucional? Vou para o segundo turno e vou bater o Lula. Esses dois não respondem nada. Tipo de homem que não serve para governar, só faz populismo, negociata e proteger familiar - afirmou Caiado, acrescentando: - Meu ajuste fiscal será uma emenda constitucional que encaminharei no primeiro dia do governo, dizendo que as receitas do governo federal serão limitadas a corrigir a inflação e atingir no máximo 50% do PIB.
Ao ser questionado sobre corte de gastos, ele disse que não vai "mexer com o cara que ganha salário mínimo, com o aposentado".
- Estamos falando de algo macro. Eu nem examinei o doente. Vamos cortar na própria carne, cortar o excesso de salários - respondeu.
Em outro momento, o goiano chegou a ser cobrado pelas propostas vagas:
- Nós não estamos aqui numa mesa examinadora. Eu buscarei as melhores cabeças.
Ao final da entrevista, Caiado voltou a tocar no tema da corrupção e da segurança pública ao pedir ao STF que levante o sigilo das investigações do caso do Banco Master, do escândalo do INSS e da Operação Carbono Oculto, que apurou conexões entre facções criminosas e lavagem de dinheiro em postos de combustíveis.
Essa é a segunda sabatina da TV Globo na série com os presidenciáveis. A primeira aconteceu nesta segunda-feira, com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). Nesta quarta, será a vez de Renan Santos (Missão).
O Globo
https://oglobo.globo.com/politica/eleicoes-2026/noticia/2026/08/25/caiado-na-tv-globo-candidato-mira-lula-cita-corrupcao-e-compara-anistia-pelo-81-a-anulacao-de-processos-da-lava-jato.ghtml





