Empresa se diferencia pela rapidez no desenvolvimento de produtos e pela alta eficiência da cadeia produtiva; preços muito baixos levaram varejista a patamar semelhante ao da Amazon
Por AFP - Hong Kong
A varejista de moda on-line Shein estreará na Bolsa de Valores de Hong Kong em 1º de setembro, com a expectativa de levantar US$ 1,7 bilhão (R$ 8,7 bilhões), anunciou a empresa nesta segunda-feira (horário local, noite de domingo no Brasil). A gigante do fast-fashion planeja oferecer 280 milhões de ações para levantar até HK$ 13,86 bilhões (cerca de R$ 9 bilhões).
Isso daria à empresa uma avaliação de mercdo de US$ 26,8 bilhões (R$ 137 bilhões), segundo comunicado da Bolsa. A Shein, fundada na China e atualmente sediada em Cingapura, recebeu aprovação de Pequim em julho para lançar sua oferta pública inicial (IPO) em Hong Kong.
A avaliação de US$ 26,8 bilhões colocaria a Shein entre as principais empresas de moda e vestuário do mundo - atrás da sueca Hennes & Mauritz, que tem um valor de mercado de cerca de US$ 31 bilhões. Ainda assim, esse valor representa uma fração dos quase US$ 100 bilhões que a Shein alcançou em 2022, após um período de crescimento explosivo impulsionado por consumidores online durante a pandemia.
A Shein planeja usar os recursos obtidos com o IPO para aprimorar tecnologias, como sistemas de gestão de estoques, investir em marketing para melhorar sua imagem global e ampliar o reconhecimento da marca, promover a responsabilidade corporativa e para fins corporativos gerais, além de fortalecer sua presença internacional, informou a empresa.
Seus planos de listar suas ações em Nova York e Londres foram prejudicados nos últimos anos por obstáculos regulatórios.
A Shein tem a maioria de suas fábricas na China, que tem uma vasta indústria têxtil de baixo custo e uma cadeia de produção altamente eficiente, capaz de desenvolver seus produtos com enorme rapidez e responder às tendências em constante mudança em tempo recorde, com uma rotatividade de coleções a preços muito baixos.
Além disso, o grupo se destaca por atingir um público jovem por meio de suas redes sociais e garantir as vendas com uma cadeia de comércio eletrônico altamente desenvolvida, que opera em mais de 150 países.
Sua ampla seleção de produtos a preços extremamente baixos posicionou a Shein em um patamar semelhante ao da Amazon nos Estados Unidos.
Dificuldades na Europa e nos EUA
A plataforma é criticada com frequência por seu impacto ambiental e por incentivar uma cultura de consumo excessivo que gera resíduos e poluição, já que o setor têxtil representa quase 10% das emissões globais de gases do efeito estufa.A Shein também foi acusada de violações dos direitos humanos, apesar de o CEO da empresa ter declarado no ano passado à AFP que o grupo tem "tolerância zero" com o trabalho forçado.
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Em 2025, a Shein registrou faturamento de US$ 41,8 bilhões (R$ 214 bilhões), entregou mais de um bilhão de pedidos em todo o mundo e obteve um lucro líquido de US$ 2,1 bilhões (R$ 10,7 bilhões).
Porém, a plataforma registrou perdas líquidas de US$ 99 milhões (R$ 508 milhões) no primeiro trimestre, ante um lucro de US$ 395 milhões um ano antes, o que a empresa atribuiu a fatores contábeis.
A Shein reconhece que sua proposta de abertura de capital não pode garantir aos futuros acionistas um crescimento tão rápido como o registrado em seus primeiros anos.
Entre os investidores-âncora do IPO estão Boyu Capital, Tiger Global, General Atlantic, Tencent Holdings Ltd. e UBS AM Singapore. O maior compromisso é o da Boyu, de US$ 150 milhões, enquanto a Tiger Global se comprometeu com US$ 53 milhões, e General Atlantic e Tencent, com US$ 50 milhões cada, segundo os termos da operação.
Desafios pela frente
A Shein construiu seu império de fast fashion oferecendo roupas ultrabaratas e orientadas pelas tendências, um modelo que incentivava os consumidores a fazer "compras em grandes quantidades" regularmente e publicar os produtos nas redes sociais.Ao longo dos anos, a empresa minimizou suas raízes chinesas, transferindo sua sede para Cingapura em 2021, enquanto buscava se posicionar como uma varejista global e aliviar preocupações regulatórias em importantes mercados ocidentais. Mas foi obrigada a mudar de estratégia depois que os reguladores chineses não deram sua aprovação para o IPO em Londres.
Em 2025, o governo dos Estados Unidos eliminou a isenção de tarifas que era concedida a pacotes de baixo valor (como os da Shein) que entravam no país. A empresa afirmou nesta segunda-feira que a mudança a submeteu a um nível de tributação "significativamente maior".
Os obstáculos regulatórios e os riscos geopolíticos continuarão sendo um desafio para a empresa. A empresa vem enfrentando pressão à medida que as tarifas dos EUA e a guerra no Oriente Médio provocaram aumento nos custos dos materiais e dos preços para os consumidores. As pressões sobre o custo de vida em todo o mundo também levaram as pessoas a reduzir os gastos discricionários.
A Shein também está no alvo das autoridades europeias. Na França, a empresa já foi multada diversas vezes e o Parlamento aprovou, no fim de junho, um projeto de lei para frear o crescimento das plataformas de moda rápida.
Diante da legislação americana e europeia, o grupo anunciou nesta segunda-feira que está estudando "uma ampla gama de opções, incluindo o aumento de seus preços, para compensar parte dos custos adicionais".
(*) Com informações da Bloomberg
O Globo
https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/08/23/gigante-do-varejo-digital-shein-busca-levantar-us-17-bilhao-em-ipo.ghtml





