A ferrovia Norte-Sul, com 1.575km concluídos, pode chegar a 4.155km em sua capacidade - (crédito: Divulgação/PPI.Gov.Br) |
O sonho do brasileiro é ver o Brasil nos trilhos, ferroviários

O sonho do brasileiro é ver o Brasil nos trilhos, ferroviários

O Brasil enfrenta dificuldade pela opção do transporte ferroviário, uma vez que poucas são as cidades que facilitam esse meio de transporte, a maioria sem estrutura e segurança


Por José Natal - Com certeza, poucos brasileiros sabem que o Brasil tem hoje a quarta maior malha viária de todo o mundo, atingindo quase 2 milhões de quilômetros de rodovias, pavimentadas ou não. Dados do Ministério dos Transportes atestam que cerca de 87% estão asfaltadas, em boas condições de uso. A fonte aponta algo em torno de 10 mil quilômetros em recuperação. Por essas BRs do Brasil, trafegam veículos de todos os tamanhos e pesos e, dentro deles, quase tudo que move a economia do país.

Proporcionalmente, o apoio e os investimentos destinados à malha ferroviária em nosso país apresentam resultados pouco animadores. Nove em cada 10 brasileiros já ouviram falar que o Brasil fará grandes investimentos no transporte ferroviário. Acreditam e torcem que esse sistema seja para cargas e passageiros, encarado como eficiente e econômico, e que entre na pauta de prioridades de algum governo que leve a questão com seriedade.

O transporte sobre trilhos, adotado com visão econômica, nos Estados Unidos, na Europa e no Oriente, alcança resultados altamente positivos. É rápido, funcional e contribui com a preservação segura do meio ambiente. Nas grandes cidades, mundo afora, a opção pelo transporte sobre trilhos para passageiros alcança altos índices de aceitação, supera a qualquer outro meio, independentemente da renda per capita dos habitantes e projeto urbanístico em uso. Ainda segundo a Administração americana, a opção pelo transporte de cargas, com as ferrovias, também tem a preferência das empresas, o mesmo acontecendo com entidades públicas que sinalizam economia financeira consistente com a escolha.

O Brasil enfrenta dificuldade por essa opção, uma vez que poucas são as cidades que facilitam esse meio de transporte, a maioria sem estrutura e segurança. Fontes do governo federal, sem anunciar recursos, afirmam que o projeto para que o primeiro trem-bala do Brasil (200 km/h) que ligará os estados do Rio e São Paulo, percorrendo a distância de 417 km, deverá ser implantado em 2028, entrando em operação em 2032. Também confirmam que um antigo projeto que previa a ligação entre Curitiba e Belo Horizonte (1.150km), com um trem de alta velocidade, foi abortado.

O interesse e o entusiasmo de governantes quanto a esse segmento não empolgam. Passa da hora para aparecer no Brasil alguém, ou alguma entidade, que abrace essa questão. Com o crescimento do agronegócio e o avanço de commodities, cresce a necessidade de projetos consistentes de escoamento de cargas, ferrovias estruturadas. Nesse particular, o pano de fundo visa maior alcance por transporte mais econômico, com a devida ação de segurança.

Conforme a Associação Nacional dos Transportes Ferroviários (ANTF), há no país 30 mil quilômetros de malha ferroviária ativa. Número que contrasta com os da malha rodoviária - 21,5% da matriz de transporte brasileira representam a extensão ferroviária e 67,6%, a do transporte rodoviário. Esse percentual é inferior ao de outros países, como a Austrália, que tem 55% da sua matriz de transportes em ferrovias. Outro lembrado é o Canadá, onde esse índice atinge 34%, tido como excelente para tão pequena extensão territorial.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) confirma que há estudos consistentes para a execução de mais seis projetos ferroviários para serem implantados no país, sendo que sete ferrovias estão no escopo do Brasil, com destaque para a Norte-Sul, com 1.575 km concluídos, podendo chegar a 4.155 km em sua capacidade. Quando totalmente operacional, ligará o país de ponta a ponta, unindo as cinco regiões, do estado do Pará ao Rio Grande do Sul.

Ainda em expansão, a malha ferroviária brasileira figura na décima posição no ranking mundial. Em primeiro lugar, estão os Estados Unidos (250 mil quilômetros), seguidos da China (100 mil), da Rússia (85 mil) e da Índia (65 mil), que, juntos, transportam 8 bilhões de passageiros regularmente. Trata-se da maior movimentação coletiva em todo o globo terrestre. Com esses números, nos resta admitir o quanto o Brasil ainda tem que avançar, ou sonhar para que isso aconteça por aqui. Esperança do povo que, até hoje, não teve um governo com coragem de sinalizar providências efetivas.

Correio Braziliense
https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2026/07/7467804-o-sonho-do-brasileiro-e-ver-o-brasil-nos-trilhos-ferroviarios.html