Palavras de Jair Bolsonaro em apoio ao 01 chegam depois da hora. Flávio já virou tóxico
Marco Damiani
Foi preciso uma cartinha do papai para tentar estancar a sangria desatada na candidatura de Flávio Bolsonaro. Levando chumbo por todos os lados, o 01 caminha em velocidade para chegar politicamente morto à Convenção Nacional do PL, dia 25. Se chegar. A perda de sustentação é diária. Ontem, Ciro Gomes correu dele em passagem pelo Ceará, dando no pé para o Rio de Janeiro, assim como a candidata 'michelista' ao Senado, Priscila Costa, que foi para Portugal participar de um encontro de mulheres conservadoras. O pré-candidato do PL participou de um evento em recinto fechado, lotado! De militantes pagos e trazidos de outros estados, entre os quais brutamontes na segurança e poucas mulheres presentes, como observou a âncora Sara Góes, do Boa Noite 247. Uma encenação, não um encontro político.
Outra encenação é a carta de Bolsonaro. Além de tardia, chega em um momento em que a candidatura já foi abandonada. O momento de "arregaçar mangas", como pediu o capitão em favor de seu "porta-voz", já passou. A subida do governador Tarcísio de Freitas, dias antes, ao palanque do candidato do PSD, Ronaldo Caiado, abriu a porteira para a debandada. Foi o episódio mais representativo da perda de sustentação de Flávio. Ele nem reclamou, como ainda tinha forças para fazer pouco antes, ao ser atingido pelos disparos de Michelle Bolsonaro.
O apelo do pai a favor do filho não parece ser um fato novo capaz de mudar o viés de mergulho da atual candidatura bolsonarista. Desde as revelações de suas ligações financeiras com o banqueiro Daniel Vorcaro, em maio, Flávio Bolsonaro coleciona erros e se vê dentro de situações indefensáveis, como todas as ligações de seu grupo político histórico, no Rio de Janeiro, com o crime organizado, reveladas na operação Unha e Carne, da Polícia Federal.
Com a cartinha de Bolsonaro na mão, Flávio está desafiado a fazer o teste do calçadão. Verificar se os índices que as pesquisas ainda lhe atribuem correspondem ao carinho do público a céu aberto. Em Copacabana, estaria acompanhado por seu candidato a senador Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, que acaba de ser solto da prisão. No Viaduto do Chá, em São Paulo, a caminhada de confraternização teria em Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, o maior direcionador de emendas parlamentares do Brasil. No que daria?
Flávio virou tóxico. Ser filhinho de papai não vai mudar isso.
Brasil 247
https://www.brasil247.com/blog/a-cartinha-do-papai/





