No G7, Lula diz que Trump age como imperador e 'fala muito e ouve pouco'

Presidente da República afirmou ter entregado documentos sobre o combate ao crime organizado ao americano


Tiago Tortella e Lucas Teixeira, da CNN Brasil, em São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a falar nesta quarta-feira (17) que Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, continua agindo como um imperador e que "fala muito e ouve pouco".

Durante coletiva de imprensa, Lula foi questionado se teve a oportunidade de conversar com o republicano sobre tarifas contra o Brasil.

Ele afirmou que não é possível conversar "com todos os presidentes a toda hora", destacando que não pediu reunião bilateral com Donald Trump porque estão em negociação.

"Acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada com o Brasil, ele sabe disso. É por isso que disse que ele ainda continua agindo como imperador", afirmou.

Em seguida, pontuou que havia entregado a Trump um documento sobre o combate ao crime organizado e que o Brasil está disposto a combater a criminalidade.

"Entreguei por escrito, porque eu não quero só falar. Porque o presidente Trump fala muito e ouve pouco", comentou.

"Entreguei para ele um documento do crime organizado para mostrar que a nossa Polícia Federal está preparada para enfrentar o crime organizado", acrescentou.

O petista afirmou ainda que apresentou informações sobre o tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro. Segundo ele, grande parte das armas apreendidas pela Polícia Federal tem origem nos Estados Unidos.

Lula disse também que entregou documentos sobre questões comerciais, minerais estratégicos e terras raras. Além disso, afirmou ter encaminhado a Trump uma cópia do acordo negociado por Brasil, Turquia e Irã em 2010 sobre o programa nuclear iraniano.

Durante a coletiva, o presidente criticou a recente decisão do governo americano de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Lula argumentou que esses grupos representam uma ameaça à população, mas possuem características diferentes das organizações tradicionalmente enquadradas como terroristas.

"Eles não querem criar um outro Estado, eles querem dinheiro", afirmou.

O presidente também declarou que mantém confiança nas negociações em andamento entre os dois países e que, caso seja necessário, poderá voltar a conversar diretamente com Trump após o encerramento das tratativas comerciais.

"Eu nasci no mundo político negociando", disse Lula, ao defender a capacidade do governo brasileiro de conduzir as discussões com os EUA.

CNN Brasil
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