Estados Unidos tem mais de um terço da população mundial com patrimônio líquido de US$ 30 milhões ou mais Foto: Markus Mainka - stock.adobe.com |
The Economist: Os ricos do mundo estão migrando como nunca; veja os países preferidos

The Economist: Os ricos do mundo estão migrando como nunca; veja os países preferidos

Setor movimenta bilhões ao auxiliar ricos a se mudarem; mais de 140 mil milionários emigraram no último ano, segundo pesquisas


Por The Economist

Estes são tempos incertos, mesmo para os ricos. Muitos daqueles que têm recursos suficientes para se mudar para o exterior em busca de impostos baixos ou segurança física ou política estão menos seguros hoje em dia sobre se estabelecer em Dubai ou Hong Kong, ou mesmo nos Estados Unidos ou na Grã-Bretanha. Mas não se desespere, pois muitos governos continuam ansiosos para receber estrangeiros com dinheiro e habilidades. E um setor crescente de consultores de confiança está pronto para ajudar os ricos a se mudarem.

Para esses consultores, os negócios estão em alta. No ano passado, mais de 140 mil milionários emigraram, o maior número já registrado, segundo a empresa de pesquisa New World Wealth; este ano, a previsão é de que esse número suba para 165 mil. A IMI, outra empresa de pesquisa, estima que o setor de imigração por investimento - que assessora tanto ricos que desejam se expatriar quanto governos em busca de investimentos e talentos - movimentou US$ 40 bilhões em 2025, o dobro do valor de 2019. A IMI contabiliza mais de 1,2 mil empresas que prestam serviços de imigração por investimento. Entre elas, estão escritórios de advocacia, fornecedores de imóveis ou fundos de investimento vinculados à cidadania ou residência, contadores e outros.

Até o Irã atacar os países do Golfo, um dos destinos preferidos era Dubai, lar de um número crescente de milionários. Um advogado de imigração descreve o emirado como o Walmart do setor, com inúmeros fornecedores e preços extremamente competitivos. Ele atrai principalmente pessoas ricas do sul global: do sul da Ásia, mas também da Nigéria e da Síria e do Líbano devastados pela guerra.

Especialistas do setor relatam um crescente interesse em imigração entre ocidentais abastados. Muitos britânicos ricos começaram a buscar alternativas após a pandemia. Em 2025, eles se inscreveram em 23 programas de imigração por investimento oferecidos por governos estrangeiros, incluindo o programa EB-5 dos Estados Unidos e programas em Granada (Caribe) e na Tailândia.

Em outras partes da Europa, a preocupação com os impostos sobre a riqueza é um fator determinante. A consultoria Henley & Partners publica anualmente uma lista dos principais países de onde os milionários estão fugindo e para onde estão indo. No ano passado, França, Alemanha e Espanha apareceram pela primeira vez entre os países que repeliram mais habitantes ricos do que atraíram.

Mas a maior mudança está acontecendo nos Estados Unidos - lar de mais de um terço da população mundial com patrimônio líquido de US$ 30 milhões ou mais, segundo a empresa imobiliária Knight Frank. "Os EUA passaram de um mercado insignificante para o mercado principal", afirma Ronald Klasko, advogado na Filadélfia. Em 2024, ao perceber que mais americanos buscavam aconselhamento sobre cidadania e residência no exterior, ele fundou a Exodus Migration, uma consultoria de imigração por investimento.

Ele diz que a maioria dos clientes está interessada em se mudar para a Europa, seja por preocupação com os rumos políticos dos Estados Unidos, por buscarem uma residência alternativa ou por quererem viajar sem passaporte americano.

Apesar dessas reservas e da proibição de entrada de cidadãos de alguns países, os Estados Unidos ainda atraem muitos estrangeiros ricos. A demanda pelo programa EB-5, que exige um investimento mínimo de US$ 800 mil no país, é alta - embora isso possa ser explicado pelo fato de o limite estar previsto para subir para cerca de US$ 900 mil no início do próximo ano. (Advogados relatam "muito pouca demanda" pelo visto "Gold Card" de Donald Trump, que custa US$ 1 milhão por membro da família e tem uma base legal incerta.)

Muitos outros lugares estão ansiosos para receber imigrantes. São Vicente e Granadinas, no Caribe, anunciou em dezembro a abertura de um programa de cidadania por investimento que classificou como um "pilar econômico crucial". Uzbequistão, Maldivas e Nauru solicitaram à Henley que elaborasse e desenvolvesse programas semelhantes.

No entanto, os ricos podem descobrir que uma recepção calorosa às vezes esfria. Em janeiro de 2025, a Espanha, outrora um destino popular, cancelou seu programa de residência de ? 500 mil (US$ 577 mil) em um esforço para conter a especulação imobiliária. Em abril, o Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que o programa de Malta violava a legislação da UE por "comercializar" a cidadania (embora o programa de "cidadania por mérito" da ilha, que admite empreendedores, tenha ganhado força desde então).

Em abril deste ano, a Argentina cancelou uma licitação para a criação de um programa de imigração por investimento, lançada apenas em dezembro, que havia atraído o interesse de 11 empresas. No mês passado, Portugal estendeu o tempo de espera para a emissão de passaportes da maioria dos imigrantes de cinco para dez anos.

Muitos governos estão sob pressão para aumentar a diligência em seus programas de cidadania e residência, observa Klasko. A grande questão é: "Você, como país, conhece o histórico das pessoas a quem está concedendo passaportes?" Em outras palavras, a incerteza geopolítica não preocupa apenas os ricos. Mas muitos países os aceitarão - e muitos consultores estão ansiosos para ajudá-los a escolher.

Estadão
https://www.estadao.com.br/economia/the-economist-os-ricos-do-mundo-estao-migrando-como-nunca-veja-os-paises-preferidos/