'Tsunami externo' deve prevalecer sobre fatores domésticos, como a incerteza fiscal e eleitoral, e pode até aumentar daqui para frente, avalia gestor
Por Maria Fernanda Salinet, Valor - São Paulo
A realocação de portfólio dos investidores globais injetou R$ 8,7 bilhões nas ações brasileiras em janeiro deste ano - até o dia 20 - e levou o Ibovespa a uma sequência de recordes. Para ter uma ideia da dimensão, o volume equivale a mais de um terço dos R$ 25,4 bilhões aportados pela categoria ao longo de 2025. Somente nesta quinta-feira, o índice engatou uma alta de mais de 2% e ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 175 mil pontos.
Por volta de 14h40, o Ibovespa avançava 2,72%, aos 176.491 mil pontos, após máxima histórica intradiária de 177.742 pontos. No mês, o índice acumula valorização de 9,50%.
Mesmo que a realocação de recursos para fora dos Estados Unidos tenha começado no ano passado e ganhado mais força recentemente, o "tsunami externo" deve prevalecer sobre fatores domésticos, como a incerteza fiscal e eleitoral, e pode até aumentar daqui para frente, avalia o gestor e sócio-fundador da Cardinal Partners, Marcelo Audi.
"Esse fluxo é de dois tipos: ETFs [fundos de índice] e de fundos mútuos. Durante 2025 e nesse começo de ano, o grosso do fluxo tem sido de ETF, mas o que se espera é que a gente comece a ver fluxo de fundos ativos", diz Audi. "Por isso, a expectativa é que esse fluxo possa ser até mais forte do que no ano passado", completa.
Vale pontuar que janeiro costuma concentrar entradas significativas de capital externo na B3Cotação de B3. Em 2025, os estrangeiros aportaram R$ 6,8 bilhões, ainda que o volume possa ter tido uma variação influenciada pela venda da Vale pela Cosan. A companhia vendeu mais de 173 milhões de ações da mineradora, o equivalente a R$ 9,1 bilhões e 4,05% de participação da companhia.
Valor
https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/01/22/estrangeiro-inunda-b3-com-r-87-bilhes-e-impulsiona-disparada-do-ibovespa.ghtml





