Milton Neves
Não é preciso ser delegado, promotor ou especialista em finanças para perceber que o momento vivido por Julio Casares é extremamente delicado.
Relatórios do Coaf, investigações da Polícia Civil e números que não fecham colocaram o presidente do São Paulo no centro de uma crise que vai muito além das quatro linhas.
Estamos falando de movimentações milionárias, grande parte em dinheiro vivo, incompatíveis com o salário que Casares recebe do clube.
A investigação existe, é oficial, e não se trata de fofoca de rede social nem de teoria conspiratória de torcedores da oposição.
É fundamental deixar claro: Casares está sendo acusado, não condenado.
Como qualquer cidadão, tem direito à ampla defesa, é claro.
O problema é o clima.
Um presidente de clube precisa governar, liderar, negociar e representar a instituição.
E isso se torna praticamente impossível quando o noticiário diário envolve Polícia, Coaf, dinheiro em espécie e explicações fora do futebol.
Não há governabilidade possível nesse cenário.
A pressão de conselheiros aumenta, a torcida, com razão, pega no pé, a oposição cresce e o clube passa a viver em tensão permanente.
Além disso, é razoável imaginar que Casares precisará de tempo para se defender das acusações.
E o São Paulo, gigante como é, não pode ficar em segundo plano enquanto seu presidente precisa explicar essas questões tão graves.
Por tudo isso, mesmo respeitando o direito de defesa e reforçando que não há condenação, não há clima para Julio Casares seguir na presidência do São Paulo neste momento.
Pelo bem de todos os lados envolvidos nesta triste situação.
Uol
https://www.uol.com.br/esporte/colunas/milton-neves/2026/01/06/nao-ha-clima-para-casares-seguir-na-presidencia-do-sp.htm





