O Rio de Janeiro e suas ilhas maravilhosas, por Yeda Saigh

O Rio de Janeiro e suas ilhas maravilhosas, por Yeda Saigh

Um dos melhores meses para passear no Rio é o período de inverno, entre julho e agosto: a temperatura é muito agradável, em torno de 24 graus durante o dia, sol, céu azul, praia não tão cheia e a noite um friozinho gostoso.

Desta vez fizemos uns programas diferentes. A Baía de Guanabara vista pela ilha de Paquetá é um lindo passeio! E a ilha da Gigóia, em plena Barra da Tijuca, é superinteressante. Além das ilhas, visitamos a Cidade das Artes, e também shoppings. Tudo valeu muito a pena!!!

Ilha de Paquetá




O único meio de se chegar a esta ilha é através de um confortável catamarã, que leva 35 minutos, ou a tradicional barca, que leva 1h10 - são 15 km de travessia que proporcionam um fantástico visual de toda a Baía de Guanabara.


Barca para Paquetá - Foto Yeda Saigh

A maior vantagem da Ilha hoje em dia é que lá é proibido transitar de carro. Assim que você chega tem muitos carrinhos elétricos, eco taxis ou bicicletas com motoristas que mostram os pontos principais do lugar durante uma hora. Eu optei por dar a volta na Ilha a pé, bem mais agradável, o que definitivamente dá para aproveitar melhor a paisagem.

Carrinho elétrico


Foto Internet: Transportes na ilha


O nome Paquetá significa muitas pacas na língua indígena "nheengatu". Esta era a língua falada pelos índios Tupis na Baía de Guanabara por ocasião da chegada dos portugueses ao Rio de Janeiro. A ilha foi descoberta em 1555, quando os franceses dominaram a costa fluminense para fundar a França Antártica. Dez anos depois, Estácio de Sá estragou os planos do francês Nicolas Durand de Villegaignon e tomou as terras de volta para Portugal; no ano seguinte, fundaria a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Mais de 240 anos depois, com a chegada da Família Real à Colônia em 1808, Paquetá ganhou um novo status. Dom João VI escolheu a ilha para se refugiar da Corte de vez em quando. A chácara em que o monarca se hospedava, o Solar Del Rei, tombado desde 1937 pelo IPHAN, ainda existe, porém, está num estado deplorável. Conversei com a responsável que cuida do Solar que me informou que a carruagem de D. João VI ainda está lá, mas toda estragada. Esta situação mostra um descaso das autoridades com o patrimônio histórico do país.

Casa de José Bonifácio



Casa de José Bonifácio

Começamos nosso passeio pela praia José Bonifácio, que deve seu nome ao Patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva. Os livros de história relatam que após ser afastado da tutoria de D. Pedro II e preso por supostamente liderar um complô para trazer D. Pedro I de volta o Brasil, José Bonifácio foi levado em 1833 para a casa em Paquetá para cumprir pena em regime domiciliar. De lá, só saiu cinco anos depois para morar na cidade de Niterói, onde morreu. A casa em estilo colonial é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1938 e tem suas características preservadas.

Continuamos nosso passeio a pé até o Parque Darke de Mattos que possui árvores enormes e centenárias, uma trilha, dois mirantes e um terraço com lindas vistas para praias, montanhas, serras e ilhas à volta e fica no final da Praia José Bonifácio. Antes de chegar ao parque, passa-se também pela Praça Pintor Augusto Silva, com amplas áreas gramadas, árvores, coqueiros que se estendem de frente ao terraço panorâmico. Existe também um amplo terraço de frente para o mar com vistas para a Baía de Guanabara.


Parque Darke de Mattos - Fotos Yeda Saigh

Depois do Parque fomos conhecer a famosa árvore baobá, também chamada de Maria Gorda. Originária das savanas da África, é muito conhecida por aqui, não só por ser a maior representante do nosso reino vegetal: são mais de três metros de largura.

Quem trouxe a muda foi o médico e professor botânico José Caetano de Almeida Gomes, em 1907. A árvore carrega consigo uma lenda: Maria Gorda é como os escravos chamavam Maria Apolinária da Nação Cabinda - uma mucama simpática e de sorriso largo, que trabalhava na casa de um rico comerciante português que morava na Ilha e tinha muitos escravos. Dizem que no mesmo dia em que Maria Apolinária morreu a Maria Gorda nasceu e fincou assim raízes profundas da África em Paquetá.


Lenda da Maria Gorda - Foto Yeda Saigh

Passamos pela praia dos Frades, pela praia da Imbuca, todas muito bonitas e com vista para a baía. Fomos também conhecer a Capela de São Roque, construída em 1698, que sofreu várias alterações, sendo a última no início da década de 1980.


Árvore Baobá Foto Yeda Saigh

Passamos pela Chácara da Moreninha, reduto cultural da ilha por décadas. Por sua beleza única, a chácara tem sido locação para diversas filmagens, incluindo a novela e o filme "A Moreninha" baseado no romance de Joaquim Manuel de Macedo, de 1843. Existem também afirmações que o romance teria sido escrito quando o autor esteve hospedado em uma pensão na ilha.

Depois fomos visitar a Casa de Artes de Paquetá que é ao lado da chácara. É uma casa colonial super simpática, onde tomamos um café expresso com biscoito. É um centro de memória da Ilha de Paquetá para consultas e pesquisas e também um centro de recepção turística, além de fazer promoções de eventos culturais e artísticos e um local para exposições.
Praça São Roque 31 - 55 12 33970517


Capela de São Roque  Foto Yeda Saigh  

Na volta paramos para visitar o Museu Histórico Nacional, criado na década de 1922, hoje reúne um acervo com cerca de 350 mil itens, como móveis, armas, esculturas, pratarias etc., utilizados no estudo, preservação e divulgação da História do Brasil. Há também uma biblioteca, com mais de 57.000 títulos relativos a história, heráldica, filatelia, numismática, museologia, moda e genealogia. Nela se encontram obras raras dos séculos XVI, XVII e XVIII e edições esgotadas, originais e obras ricamente encadernadas.

Ilha da Gigóia


Fomos conhecer o atelier do artista Roberto Magalhães que fica na Ilha da Gigóia e foi muito interessante.


Balsa que atravessa para a Ilha da Gogóia  Foto Yeda Saigh

É a mais famosa das sete ilhas que se escondem ali no comecinho da Barra da Tijuca. Algumas pessoas se refugiam nesse lugar, morando em casas admiráveis. Algumas extremamente simples, outras bastante luxuosas.

Atelier Roberto Magalhães


A ilha é pequena e é possível cruzá-la em uma caminhada de 20 minutos, mas oferece um ambiente pacato e bucólico, que contrasta com a agitação do restante do bairro, tornando a grande atração da Ilha o meio ambiente. Sem ruas nem carros, todo o percurso é feito por vielas. O acesso à ilha é feito por barcos e pequenas balsas.


Foto Yeda Saigh


Atelier Roberto Magalhães - A ilha tem aproximadamente 3 mil moradores e o local é seguro pois o acesso exclusivo, via barco, inviabiliza roubos e furtos

Restaurantes


Laguna


Inaugurado em 2001, oferece pratos com peixes e frutos do mar, com iluminação à luz de velas ao anoitecer. Ilha da Gigóia, 46 A - Barra da Tijuca - 55 (21) 2495-1229


Restaurante Laguna - Capriccio

Com vista para o Canal da Tijuca, num lugar de rara beleza foi inaugurado o mais novo restaurante da Ilha da Gigóia. É um espaço rústico privilegiado pela natureza local, com mesas em meio a árvores e um deque de madeira. Alameda das Mangueiras, s/n - Ilha da Gigóia - Barra da Tijuca - +55 (21) 2491-0142 - +55 (21) 2253-8763

Pizzaria Alla Pergola A casa oferece mais de 40 sabores de pizzas com massa fina e preparadas no forno a lenha .Ilha da Gigóia, 11 - Barra da Tijuca - +55 (21) 3139-3090 e +55 (21) 8666-3090

Fundação Cidade das Artes


Fomos visitar a Cidade das Artes e realmente valeu o passeio! É espetacular, recomendo muito visitar de dia pois a vista que se tem de lá é muito especial! Com projeto do francês Christian de Portzamparc, é hoje ponto de referência na cidade. Sua construção foi polêmica pelo alto custo não só da obra como também da manutenção.

A Cidade das Artes inaugurou um novo tempo
na vida cultural do Rio em janeiro de 2013 com o espetáculo Rock in Rio - o musical. O prédio escultural erguido a dez metros do chão, no coração da Barra da Tijuca, abriga um dos mais importantes e completos espaços para a representação das artes, música, canto, teatro, cinema, dança, artes plásticas e outras manifestações artísticas brasileiras e de todos os povos.

Cidade das Artes - Presidente da Fundação, depois de dirigir o Teatro Municipal do Rio de Janeiro e ter sido secretário de Cultura no Rio e em São Paulo, Emilio Kalil enfrenta o mais provocante dos encargos: a Cidade das Artes, ex-Cidade da Música.

Cidade das Artes - O complexo cultural reúne, um teatro maravilhoso com capacidade para 1250 pessoas, um sofisticado Teatro de Câmara, com 450 lugares, tudo de extremo de bom gosto, uma galeria de arte, Sala de Música Eletroacústica, salas multiuso, modernas salas de ensaio e espaçosos camarins integrados a um lounge de convivência. A bilheteria está instalada no térreo, em meio às "velas", que substituíram os pilotis com suas paredes de concreto. Também no térreo fica o grande espelho d'água, entrecortado pelos pátios cobertos e de onde se erguem vigorosas colunas.
Av. das Américas, 5300 - Barra da Tijuca, Rio de Janeiro - RJ, 55 (21) 3325-0102

Shopping Village Mall


Muito gostoso para passear, arejado, e um ótimo programa para almoçar. Os melhores restaurantes do Rio abriram suas portas nesse Shopping: Pobre Juan, CT Trois Gros, Le Vin, Naka.


Foto Yeda Saigh

O Teatro Bradesco Village Mall, possui capacidade para 1.060 pessoas e cadeiras idênticas às do Carnegie Hall, famosa casa de shows de Nova York. O shopping também conta com quatro salas de cinema "Cinemark Prime" com tecnologia de última geração, uma área de 1500 m² para eventos, além de restaurantes no terraço com vista para a Lagoa da Tijuca.
Avenida das Américas, 3.900 - Barra da Tijuca, Rio de Janeiro - 55 (21) 3252-2999

É um shopping tradicional, fácil de andar: conta com quatro teatros da melhor qualidade: Teatro das Artes, Teatro dos Quatro, Teatro Clara Nunes, Teatro Vanucci e 5 salas de cinemas com muito conforto e qualidade. É uma boa opção para um aperitivo ou um jantar informal antes dos shows alem de contar com lojas de decoração, lojas da moda e bem cotados bares e restaurantes. Rua Marquês de São Vicente, 52 - Gávea, Rio de Janeiro - RJ - +55 (21) 2294-1096
Para terminar, nada melhor do que um pensamento do grande poeta Vinicius de Moraes:

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida!

Boa viagem

Yeda