Imagem: Divulgação
Revlon, gigante de cosméticos, pede recuperação judicial nos EUA

Revlon, gigante de cosméticos, pede recuperação judicial nos EUA

As medidas adotadas pelos controladores da empresa centenária estão dando os primeiros resultados. Hoje, a ação de ticker REV, na Nyse, disparou 49%, a US$ 9,06, o que a fez zerar os prejuízos registrados na bolsa em 2022.

A Revlon, gigante da indústria de cosméticos com 90 anos de vida, entrou com um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Falências de Nova York, por conta de sua dívida que já alcança US$ 3,3 bilhões. É mais uma tentativa, talvez a última acessível na Justiça, para recuperar a empresa por meio da renegociação de seus débitos. Se não der certo, a Revlon irá à falência. Mas, por enquanto, poderá continuar operando normalmente para contornar a mais séria crise de sua longa e, até então, vitoriosa trajetória.

A fabricante de esmaltes e batons informou que a medida permitirá "reorganizar estrategicamente" suas finanças, apontando para "restrições de liquidez" provocadas por interrupções na cadeia de suprimentos e inflação. A Revlon espera receber agora um aporte de US$ 575 milhões, como um financiamento endereçado ao devedor, para ajudar a sustentar suas operações diárias nesse processo de recuperação.

"O pedido permitirá que a Revlon ofereça aos nossos consumidores os produtos icônicos que entregamos há décadas, ao mesmo tempo em que fornece um caminho mais claro para nosso crescimento futuro", disse a CEO da empresa, Debra Perelman, em comunicado.

"A demanda do consumidor por nossos produtos continua forte -as pessoas adoram nossas marcas e continuamos a ter uma posição de mercado saudável. Mas nossa estrutura de capital desafiadora limitou nossa capacidade de lidar com questões macroeconômicas para atender a essa demanda", afirmou Perelman.

Nos últimos anos, a Revlon perdeu espaço nas prateleiras e vendas para companhias apoiadas por celebridades, como a Kylie Cosmetics, da influenciadora Kylie Jenner; e a Fenty Beauty, da cantora Rihanna. Além dessas, grifes tão tradicionais quanto a própria Revlon, como a LVMH (dona de várias marcas e também da rede de lojas Sephora); e a norte-americana Avon, que teve sua operação brasileira comprada pela Natura, sempre foram adversárias de peso.

Em compensação, a companhia abriga várias marcas importantes, incluindo a Britney Spears Fragrances e a Christina Aguilera Fragrances. Em 2016, também comprou a grife Elizabeth Arden, em uma aposta de US$ 870 milhões na área de cuidados com a pele para afastar a concorrência.

Mesmo se precavendo, a empresa foi atingida por problemas de abastecimento, agravados pela pandemia de Covid-19. A escassez de produtos levou a Revlon à beira da falência, em um problema que não será fácil de ser resolvido no curto prazo, segundo analistas do segmento.

A companhia foi fundada em 1932 pelos irmãos Charles e Joseph Revson, mais o químico Charles Lachman, responsável pela letra "L" que modificou o nome da marca para "Revlon". O primeiro produto lançado foi o esmalte, seguido pelos batons, em 1939. Hoje, a empresa atua nos segmentos de tintura para cabelos, maquiagem, cosméticos e perfumes e está presente em cerca de 150 países. Nos seus melhores momentos, já teve grandes nomes do cinema como embaixadoras, inclusive Halle Berry, Emma Stone e Gal Gadot.

Em 1975, morreu Charles Revson, que durante aproximadamente 50 anos administrou a empresa. Ele não tinha herdeiros. Seu filho mais famoso, o piloto de Fórmula 1, Peter Revson, morreu em 1974, aos 35 anos, em um acidente no circuito de Kyalami, na África do Sul. Outro filho, Douglas, morreu também em competição automobilística, quatro anos antes.

Em 1985, a Revlon acabou vendida para a holding MacAndrews & Forbes, do investidor norte-americano Ronald Perelman, atual controladora da companhia. A empresa abriu o capital em 1996, com um IPO na Nyse (ticker: REV) em que cada ação saiu com o valor de US$ 24,00. Hoje o papel está cotado a US$ 9,06, com uma disparada registrada nesta quarta-feira, dia 22, de 49%, o que a fez zerar os prejuízos registrados em 2022.

Em 2021, a companhia registrou receita líquida de US$ 2,078 bilhões (R$ 10,6 bilhões), alta de 9,2% sobre 2020. No período, o prejuízo foi reduzido em dois terços, para US$ 206,9 milhões (R$ 1,05 bilhão). No primeiro trimestre deste ano, a receita líquida cresceu 7,8% na comparação anual, para US$ 479,6 milhões (R$ 2,45 bilhões), enquanto o prejuízo somou US$ 67 milhões (R$ 342,5 milhões), recuo de 30% ante o mesmo período de 2021.

Ir para IPO News