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Oferta de ações da Eletrobras deve movimentar R$ 35 bilhões

Oferta de ações da Eletrobras deve movimentar R$ 35 bilhões

Segunda maior oferta mundial deste ano, a venda dos papéis da estatal elétrica está motivando outros setores e entraram ou retomarem projetos de IPOs

Com o término dos prazos para reserva de compra das ações da Eletrobras e também do uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), a estatal de eletricidade prepara agora o lançamento do preço do papel, que deverá ser anunciado nesta quinta-feira, dia 9. A expectativa é de que o negócio deverá movimentar R$ 35 bilhões. O jornal Valor apurou, na noite desta quarta, dia 8, que a empresa já tinha assegurado cerca de R$ 53,5 bilhões em reservas.

O início das negociações dos ADRs na Bolsa de Nova York (Nyse) acontecerá na sexta-feira, dia 10, e das ações na B3 em 13 de junho, segunda-feira que vem. Já o prazo de exercício da opção de ações do lote suplementar vai de 10 de junho a 11 de julho.

A oferta está sendo considerada a segunda maior deste ano em todo o mundo, de acordo com ranking preparado pela Refinitiv, que pertence à Bolsa de Londres, e inclui aberturas de capital e ofertas subsequentes. É menor apenas que a venda de ações da fabricante de bateria coreana LG Energy, que abriu o capital em janeiro e movimentou US$ 10,8 bilhões, na maior oferta já feita na Coreia do Sul. Se forem consideradas apenas ofertas subsequentes, de empresas já listadas em bolsa, a operação da Eletrobras é a maior do mundo este ano, segundo informação da coluna Broadcast, do jornal O Estado de S. Paulo.

O movimento verificado junto ao mercado acionário e aos bancos está animando algumas empresas nacionais a retomarem projetos de Oferta Pública Inicial de ações (IPOs) com vistas a financiarem seus planos de expansão. Nas duas últimas semanas, as companhias de saneamento Corsan, estatal do Rio Grande do Sul, e a BRK Ambiental anunciaram que pretendem negociar ações em bolsa, podendo quebrar o marasmo de um primeiro semestre que caminha para o seu final sem negócios nesse modelo formatados no mercado.

Estimuladas pela operação da oferta subsequente de ações ("follow-on") da Eletrobras, empresas petroleiras listadas na B3 começaram a sondar bancos de investimentos para seguir o mesmo caminho. A PetroRecôncavo comunicou ao mercado que pretende levantar até R$ 2 bilhões numa operação com esforços restritos. Informação do jornal Valor dá conta que 3R Petroleum e a PetroRio avaliam seguir o mesmo caminho, assim como a companhia de energia Eneva. Se confirmadas as expectativas, as empresas de saneamento BRK Ambiental e Corsan poderão ser os primeiros IPOs privados do ano.

Até agora, foram realizadas nove ofertas subsequentes de ações este ano, movimentando cerca de R$ 13 bilhões. Com o cenário de juros altos e inflação no exterior e Brasil, aliado às incertezas por conta das eleições presidenciais de outubro, boa parte dos interessados desistiu de arriscar no mercado de capitais. No entanto, com a operação da Eletrobras em curso, executivos e empreendedores começaram a fazer consultas para saber se há espaço para a retomada dos negócios.

Joga contra esse retomada o desempenho da maioria das companhias que fizeram seus IPOs entre 2020 e o primeiro semestre de 2021. O final do segundo semestre também foi marcado pelo grande lançamento dos papéis do Nubank na Nyse e também na B3 (BDRs), registrando uma desvalorização na casa dos 60%, até o momento. Do total de lançamentos no Brasil, cerca de 80% dos negócios estão com suas ações desvalorizadas, algumas com depreciações que ultrapassam a barreira dos 100%.

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