Milan e Chelsea são vendidos em negócios bilionários no futebol europeu

Milan e Chelsea são vendidos em negócios bilionários no futebol europeu

RedBird Capital levou o Milan por US$ 1,2 bilhão, em negócio fechado poucos dias depois que outro consórcio norte-americano, tendo à frente o Clearlake Capital, acertou a compra do Chelsea por 2,5 bilhões de libras.

Está definitivamente aberta a temporada de caça aos clubes. Duas recentes aquisições na Europa dão a medida da nova e bilionária tendência, que também está chegando ao Brasil a partir da aprovação da Lei da Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

A Elliott Management acertou a venda do time italiano do Milan ao grupo de investimentos norte-americano RedBird Capital, em uma transação de 1,2 bilhão de euros. O negócio encerra a incursão de quatro anos da Elliott na área dos esportes, e foi fechado nesta terça-feira, dia 31, pouco depois da conquista do título do campeonato italiano.

Sob o comando da Elliott, o Milan retomou seus melhores momentos de quando o time disputava os principais títulos - foi sete vezes campeão da Champions League, entre 1963 e 2007 - e teve muitos jogadores brasileiros como Ronaldo Fenômeno, Cafú, Leonardo e Alexandre Pato. Agora, acaba de conquistar o título da Série A do campeonato italiano em cima do arquirrival Internazionale.

A compra pela RedBird, liderada pelo ex-banqueiro do Goldman Sachs, Gerry Cardinale, ocorre menos de um ano depois de a empresa ter adquirido uma participação de cerca de 10% no Fenway Sports Group, a holding proprietária do time inglês do Liverpool (vice-campeão da Champions League) e da equipe do beisebol profissional norte-americana Boston Red Sox

O negócio, que continuará tendo uma pequena participação da Elliot, foi fechado poucos dias depois que um consórcio norte-americano financiado em grande parte pela Clearlake Capital, da Califórnia, acertou a compra do Chelsea, por 2,5 bilhões de libras mais a promessa de investir 1,75 bilhão de libras no clube. O vendedor, neste caso, foi o megainvestidor russo Roman Abramovich, premido para se desfazer do clube após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

A tendência de compra de clubes de futebol e outros ligados a atividades esportivas representa mais um exemplo da participação massiva de investidores dos Estados Unidos nos times italianos. Hoje, Atalanta, Fiorentina, Genoa, Roma, Spezia Calcio, Parma Calcio e Venezia têm proprietários ou investidores americanos.

No Brasil, o melhor exemplo é o da chegada do investidor John Textor, que comprou o time do Botafogo do Rio. O ex-jogador Ronaldo é outro empresário que aposta fundo, com a recente compra do Cruzeiro de Minas Gerais, e mais atrás, do Valladolid, que acaba de retornar à divisão principal do futebol espanhol.

A saída da Elliott completa um projeto de mudanças que começou em 2018, quando o fundo tomou o controle do clube de seu ex-proprietário, o empresário chinês Li Yonghong, depois que ele deixou de pagar suas dívidas. O chinês adquiriu o Milan em 2017 do ex-primeiro-ministro italiano e magnata da comunicação Silvio Berlusconi, que era seu dono há décadas. A transação envolveu mais de 300 milhões de euros em empréstimos a juros altos da Elliott.

No período em que comandou o Milan, a Elliot teve como uma de suas principais missões obter a aprovação do governo italiano para construção de um novo estádio. O esforço surtiu efeito. Hoje, o Milan e seu adversário histórico, Internazionale, trabalham para ter o novo estádio de San Siro, chamado de "A Catedral", pronto para 2024.

A obra está sendo construída ao lado do antigo San Siro, com projeto urbanístico que inclui um parque para a população da cidade milanesa. A empresa ganhadora da concorrência, a Populous, já construiu os estádios do Totthenham, o novo Wenbley e o Yankee Stadium, em Nova York.

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