"Downton Abbey: Uma Nova Era"- "Downton Abbey: A New Era", Reino Unido, Estados Unidos, 2022 Direção: Simon Curtis, Netflix |
''Downton Abbey'', a saga dos Crawley, por Eleonora Rosset

''Downton Abbey'', a saga dos Crawley, por Eleonora Rosset

Assistir à saga dos Crawley é como visitar um álbum de família porque os personagens tornaram-se nossos íntimos nesses 12 anos que os seguimos. Todo ano os vemos, um pouco mais velhos, com problemas diferentes mas sempre tão bem interpretados pelos mesmos atores que adquiriram vida própria. Julian Fowles os criou e conseguiu que se tornassem tão humanos que nos reconhecemos neles, cada vez mais nossos íntimos.

Dessa vez a época é o final dos anos 20 e muita coisa está mudando. O parque com aquelas arvores seculares está lá. Firme e belo, com o gramado impecável. Mas se subirmos até o sótão, em plena tempestade, a água entra pelos telhados, que precisam ser renovados.

E a solução aparece de maneira inesperada. O cinema precisa do castelo e pagaria um boa soma para filmar naqueles cenários autênticos. E Lady Mary (Michelle Dockery) convence o pai, Lord Grantham (Hugh Bonneville), que isso seria uma solução para as renovações necessárias.

E qual não é a surpresa quando ficam todos sabendo, pela própria Condessa Mãe Violet Crawley (Maggie Smith, esplêndida atriz aos 87 anos), que ela acabara de herdar uma vila no sul da França. Sem outros comentários. Os detalhes vão parecendo aos poucos.

E a ida de metade da família para assinar os papéis e ficar sabendo dos motivos dessa herança, é uma oportunidade de mudar o cenário para a beleza das águas azuis do Mediterrâneo, estradinhas pelas montanhas, almoços ao ar livre, jantares ao som de jazz, danças animadas e uma pequena praia particular, perfeita para os recém-casados, Tom Branson (Allen Leech) e sua mulher (Tuppence Middleton), cujo casamento abre as primeira cenas do filme.

Um bom achado do roteiro é mostrar como os filmes mudos vão sendo preteridos no gosto do público pelo cinema falado. De improviso, Lady Mary assume as falas da atriz principal, que tinha um sotaque horrível e mostra talento na interpretação.

O diretor do filme, Jack Barber (Hugh Dancy) se encanta com Lady Mary. Mas ela resiste, a duras penas, confessa para a irmã Lady Edith (Laura Carmichael). O marido de Lady Mary não aparece, prometendo voltar em telegramas lacônicos e então ela se divertiu e se distraiu com aquela novidade de ser atriz.

Alguns temas novos para a época aparecem ainda esboçados como o papel da mulher na luta pelos próprios direitos, a crueldade de uma sociedade que não permite a liberdade sexual a uma parte da população que tem que se valer da mentira para viver, a greve pelos salários e a diminuição do fausto em que viviam os nobres.

Isso para não falar dos escândalos que eram secretos no tempo de Violet Crawley e evitados até como assunto de conversa e os tabloides de hoje em dia, que devem horrorizar a Ranha Elizabeth II.

Tudo ficou mais público. A privacidade de uma era acabou.

(O trailer está no meu blog: www.eleonorarosset.com.br)

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