Imagem: Divulgação
Canadense Shopify cresce à sombra da gigante Amazon

Canadense Shopify cresce à sombra da gigante Amazon

Na virada do ano, um dos fundadores da plataforma de vendas eletrônicas Shopify, Tobi Lütke, ganhou da agência Bloomberg a alcunha de "anti-Bezos", numa referência ao fundador da líder mundial de e-commerce Amazon. O título dado ao executivo se referia ao modo como ele vinha - e vem - conduzindo seu negócio em meio à pandemia. A começar por mandar para casa, em maio de 2020, todo seu contingente de mais de sete mil funcionários, fechando escritórios em Otawa e mais seis cidades. A decisão do fundador e CEO à princípio deixou perplexos até seus sócios e diretores, mas ninguém ousou questioná-lo. Afinal, a empresa e os negócios vinham numa crescente.

Para completar o choque, Tobi Lutke anunciou que a decisão não era temporária. "Internet, Everywhere." Em todos os lugares, e para sempre. Seu plano era manter a força de trabalho em casa. Shopify, ele havia concluído, era agora onipresente, alojado com seus empregados e clientes no mundo digital.



Tobi Lutke - Divulgação

A percepção de Tobi Lutke estava correta. Quase dois anos após a radical tomada de decisão, o Shopify experimenta o maior crescimento de seus 15 anos de existência. Atingiu a casa dos dois milhões de clientes em todo o mundo - inclusive no Brasil - , e é tida como uma plataforma mais amigável do que a Amazon, segundo relatos de clientes e não clientes feitos na internet. De US$ 30 a US$ 2 mil por mês, oferece uma vasta gama de serviços que caiu no gosto de novos empreendedores.

São serviços que começam com a montagem pura e simples de uma loja - como Tobi Lutke e dois sócios fizeram em 2004 no Canadá, quando queriam criar uma loja de equipamentos para snowboard, não encontravam uma plataforma que os satisfizesse e então criaram uma própria. Hoje, oferecem serviços mais completos como ajudar o cliente em seus processos de venda e até de controle de estoques.

Ao conhecer a plataforma, muita gente irá relacioná-la ao Wordpress, usado em todo o mundo não só para comércio como também para comunicação e marketing. E a outros concorrentes, além da Amazon, como as plataformas Wix e a Vtex - brasileira que este ano fez seu IPO na Nyse.

Um conjunto de fatores que atraiu não apenas o empreendedor iniciante do interior do Canadá como também grandes redes de comércio, como a varejista Staples ou os restaurantes da Chipotle Mexican Grill, a Allbirds (sapatos) e a Figs (rede farmacêutica). Além de celebridades que usam a própria fama para vender roupas e acessórios: Kylie Jenner, Taylor Swift, Lady Gaga, Martha Stewart e Pharrell Willians, entre outros.

O sucesso do Shopify não se traduz apenas pelo glamour trazido por celebridades. Nos números, a empresa teve um ganho de capitalização no mercado que passou de US$ 46 bilhões no início da pandemia de Covid-19 para atuais US$ 177 bilhões. Em 2020, as vendas saltaram para US$ 2,9 bilhões, um aumento de 86% em relação ao ano anterior. Na recente Black Friday/Cyber Monday, foram registradas vendas de US$ 6,3 bilhões, ou 23% a mais do que no período anterior.

Considerada agora a companhia mais valiosa do Canadá, o Shopify começa a fazer sombra para os concorrentes norte-americanos com seus 8,6% de share no mercado local em 2020. Ainda bem atrás da líder Amazon, com 39%; mas já à frente de nomes consagrados como Walmart e EBay, de acordo com o EMarketer.

No mundo dos negócios, já há uma certeza: assim como o Zoom turbinou o ambiente corporativo para reuniões em todo o mundo, o quase desconhecido Shopify avançou durante a pandemia como nenhum outro concorrente o fez, aproveitando-se também de crises vividas pela Amazon, como a investigação do subcomitê das Big Tech no Congresso que tratou das condições empregatícias dos funcionários da empresa. Um salto e tanto para uma empresa que, há pouco mais de dois anos, era mais confundida pelo nome com o Spotify do que propriamente vista como um sinônimo de comércio eletrônico - segmento no qual agora também dá as cartas.

Ir para IPO News