Imagem: Unsplash/André François McKenzie
Bitcoin é o melhor investimento do ano; Ibovespa fica na lanterna

Bitcoin é o melhor investimento do ano; Ibovespa fica na lanterna

Se o ranking de investimentos tivesse série A e série B, como no campeonato brasileiro de futebol, o Ibovespa estaria na incomoda situação de time rebaixado da elite do mercado financeiro. Isso porque o desempenho das ações da B3 em 2021 ficou negativo em 11,93%, deixando a modalidade na lanterna do comparativo. E olhe que o mês de dezembro foi positivo, fechando em quase 3% de alta - 0,69% no último pregão de ontem, dia 30. Desde 2015 que o Ibovespa não apresentava resultado negativo ao final de um período.

O desempenho da bolsa brasileira difere em muito do resultado das bolsas norte-americanas, que tiveram um excelente ano. O S&P 500 subiu mais de 27%, a Nasdaq teve ganhos de 22%, praticamente o mesmo patamar do Dow Jones; e o índice Russell 2000 (small caps), apresentou alta de 14%. Todos esses índices ganharam impulso no último trimestre do ano, por conta do avanço das ações de tecnologia.

Agora os analistas financeiros e jornalistas especializados avaliam o que de mais grave aconteceu com o mercado acionário. Mas alguns vilões já estão eleitos, como o avanço da inflação, o aumento contínuo das taxas de juros e a pandemia de Covid-19. No lado da política, a deterioração do ambiente entre os poderes executivo, legislativo e judiciário também afetou o cenário econômico. Principalmente depois do 7 de setembro, quando o presidente Bolsonaro fez pesadas críticas ao Superior Tribunal Federal e ensaiou um movimento golpista. O próprio Bolsonaro recuou dias depois, ao pedir auxílio ao ex-presidente Michel Temer para escrever uma carta com pedido de desculpas por eventuais "excessos" que tivesse cometido contra os demais poderes constituídos.

Na liderança do ranking, o bitcoin foi o grande destaque e a melhor aplicação de 2021 no país, segundo levantamento da Economatica divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo e pelo site Money Times.A mais famosa das criptomoedas acumulou ganhos de 75,83% em 12 meses, em que pese ter caído bastante no final do ano - queda de 17% apenas em dezembro.

Investimentos no exterior por meio de BDRs (sigla em inglês para Recibos Depositários Brasileiros) e ETFs (fundos que acompanham índices estrangeiros) também obtiveram ganhos reais. O BDRX, uma espécie de carteira virtual para medir o desempenho desses ativos ofertados pela B3, a Bolsa de Valores brasileira, acelerou 33,65%.

Todos os investimentos tradicionais incluídos na pesquisa ficaram atrás da inflação. O indicador oficial subiu 9,26%, segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado até novembro. Foi o caso de aplicações com juros prefixados, pós-fixados, a própria bolsa, CDI, poupança e ativos de risco, como dólar, euro e ouro.




A caderneta de poupança rendeu 2,99%. O investimento mais popular do país ficou um pouco atrás do CDI (Certificados de Depósitos Interfinanceiros), que variou 4,35%. Dólar e ouro, sempre considerados "refúgios" em tempos de volatilidade, tiveram variação positiva respectivamente de 7,39% e 4,43%. Fundos imobiliários foram outra aplicação que apresentou um fraco desempenho, cedendo 2,28%.

A turbulência nos investimentos tradicionais gerada pela pandemia propiciou mais uma brecha para o bitcoin, principal representante dos criptoativos, em meio à busca por rentabilidade. A popularização das NTFs (sigla em inglês para tokens não fungíveis) também deu mais fôlego para essas moedas digitais. Usando como base a tecnologia das criptomoedas para certificar que um artigo digital (uma fotografia ou um quadro, por exemplo) é original, passaram a ser adotados em número cada vez maior por grandes marcas, artistas e produtores de jogos eletrônicos.

A entrada no mercado das NTFs, assim como o avanço das criptomoedas - não só do bitcoin mas de seus concorrentes, como Dogecoin e Ethereum -, também depende dos impactos da inflação global e dos movimentos feitos pelos bancos centrais dos Estados Unidos e dos países europeus. Além disso, como ativos de alto risco, essas moedas digitais vão passar por regulações nos países onde já são usadas, de forma a trazer mais segurança para os investidores e para os mercados.

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