Touro de Ouro da B3 e Wall Street | Imagem: Arte
Touro de ouro: quem ganha e quem perde com o episódio

Touro de ouro: quem ganha e quem perde com o episódio

A "inauguração" do touro de ouro, esta semana, no centro velho de São Paulo, ganhou um grande destaque da mídia nacional e até internacional, já que a escultura faz alusão à famosa figura do touro de Wall Street, feita em bronze e que há anos é motivo de peregrinação de turistas em Nova York e figura adorada pelos investidores das bolsas de valores - o touro simboliza o "bull market", a alta das ações (bullish), enquanto o urso, o "bear market", marca a queda do mercado (bearish).

O idealizador da ideia, o influencer financeiro Pablo Spyers, e a B3, achavam que esse enredo de glamour era a fórmula certeira para magnetizar o público, ainda mais agora que a bolsa brasileira atingiu os 4 milhões de seguidores. Um cenário favorável para colocar o touro de ouro - mesmo nome do programa que o influencer apresenta na rádio Jovem Pan - na frente da sede da B3.


 
 O touro foi marcado com um cartaz da "fome" por manifestantes - Divulgação

Esqueceram, porém, de alguns detalhes, que aparentemente passaram despercebidos do pessoal de marketing e comunicação da bolsa. Primeiro, a obra, de autoria do artista plástico Rafael Brancatelli, foi copiada da original norte-americana, sem pedido de autorização para a família do escultor Arturo di Modica. Ela foi avisada pela reportagem da BBC e ficou surpresa, pois desconhecia o projeto.

Segundo, a diretoria da B3 ignorou a realidade da crise pela qual passa o país, com fotos circulando a todo momento de gente recolhendo ossos em portas de açougues e frigoríficos. Ignorou também o poder das redes sociais, já que não são apenas os influencers financeiros que têm acesso a elas, que hoje são o principal veículo de comunicação de todas as camadas sociais da população. E a parte mais carente dela está justamente alí, nas cercanias da B3, do centro velho e do centro expandido da cidade.

Enquanto os idealizadores comemoravam nas suas redes sociais, com muitos cliques e entrevistas em suas páginas particulares, a instituição bolsa de valores, a B3, começava a sofrer duras críticas logo no primeiro dia. O touro foi marcado com um cartaz da "fome", depois pichado, serviu de cenário para um churrasco na madrugada promovido por grupos e coletivos da região, e por fim o anúncio, por parte do líder do movimento dos sem-moradia e pré-candidato ao governo de São Paulo, Guilherme Boulos, de que entrará na justiça com pedido para retirada da escultura.

Logo, o touro também virou motivo para diversos memes, ganhando a alcunha de "touro de tolo", uma alusão a antigo sucesso de Raul Seixas (Ouro de Tolo); "borba gado", agora lembrando a estátua do bandeirante Borba Gato, no bairro paulista de Santo Amaro; e pedidos para que o vira-lata "doguinho caramelo", eleito por muitos como merecedor de homenagem na avenida Faria Lima, reduto de bancos e fintechs, virasse também uma escultura; apenas três exemplos das várias menções feitas à escultura do touro, considerada de gosto duvidoso e taxada de cafona ou provinciana, entre outros adjetivos.

Para finalizar: além de toda a polêmica, o touro de ouro também não trouxe bons augúrios para o mercado, já que a bolsa caiu mais de 3,00% esta semana.

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