Ferrovia Norte-Sul, cuja extensão total irá do Maranhão ao interior de São Paulo | Imagem: Divulgação
Ferrovias entram no radar da política e economia

Ferrovias entram no radar da política e economia

Abandonado por décadas e com sua infraestrutura sucateada por diversos governos federais e estaduais, o transporte ferroviário entrou na agenda política e econômica do país a partir da grande greve dos caminhoneiros em maio de 2018. As autoridades não souberam interpretar o movimento, que envolveu paralisação, locaute, ganhou força e travou as principais rodovias do território nacional, causando desabastecimento nos centros urbanos.



Locomotiva nova, para a Ferrovia Norte-Sul (foto: divulgação)

Primeiro por temor de novas paralisações, depois por enxergarem novamente a importância desse modal, a ferrovia entrou no radar dos governos, tanto o federal quanto os estaduais. Somente em 2021, já aconteceu o leilão da Ferrovia Norte-Sul, enquanto outras linhas estão em processo de licitação. Há também as renovações das concessões para as principais empresas que atuam no país, além de ações regionais em andamento.

No Congresso, repousa projeto de um novo regime de operação de ferrovias no Brasil que tem potencial para destravar investimentos de R$ 25 bilhões. Seriam trechos ferroviários construídos do zero por empresas que têm interesse em ligar novos destinos e baratear o custo do transporte de cargas.

A proposta era uma das prioridades do Executivo no Senado, mas por hora parece longe de chegar a uma votação. O texto permite que ferrovias sejam construídas sem um processo concorrencial, mas por meio do regime de autorização.

Hoje, a operação do modal por empresas precisa passar por uma licitação, que resulta na concessão. Esse formato continuará existindo, e a escolha do regime vai depender do modelo de negócio.

Além desse projeto, a construção da Ferrogrão, no Mato Grosso, pode demandar investimentos de R$ 40 bilhões, feitos pelas companhias de soja e de ferrovias que atuam no Centro Oeste.

No âmbito regional, o governo do Estado de São Paulo anunciou sua intenção de implantar o trem Intercidades, que teria dois importantes trechos: a partir da capital, alcançando a cidade de Campinas para atender moradores e passageiros dos voos de Cumbica; e outro que chegaria a Santos e teria uma função turística. Embalada pela possibilidade de receber esse trem, a prefeitura de Campinas autorizou estudos para implantação de uma linha férrea entre a cidade e o aeroporto.

Em Minas Gerais, o governo do estado aprovou a implantação de um plano estratégico de reativação das ferrovias que passam pelo estado, tanto com fins de transporte de carga como de passageiros. O plano foi elaborado na Assembleia Legislativa, tendo à frente o deputado João Leite, um entusiasta do modal ferroviário e conhecido por ter sido goleiro do Atlético Mineiro e da Seleção Brasileira.

A Rede ferroviária brasileira tem uma extensão próxima dos 30 mil quilômetros, mas estima-se que somente um terço desse total esteja disponível para rodagem das composições Apenas 35% da safra agrícola é transportada por trilhos. A participação do setor no transporte total de cargas é de 15%, contra 65% do rodoviário.


Transporte de passageiros é um desafio para a retomada das ferrovias no País (foto: divulgação)

O transporte de passageiros tem participação ínfima nesse bolo, e só existe por conta de sua utilização nos grandes centros urbanos, como no caso da CPTM, em São Paulo. Já o turismo sobrevive graças a iniciativas de algumas organizações privadas, com apoio de prefeituras.

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