Ancelotti vê fim da geração Neymar, admite erro na Copa e projeta renovação

Carlo Ancelotti disse que a fala de Neymar sobre não querer mais defender a seleção brasileira acelera um processo de renovação após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo.


O que aconteceu


Ancelotti reagiu ao sinal de despedida de Neymar e tratou a mudança como parte natural de ciclos na seleção. O treinador afirmou que respeita a decisão do camisa 10 e que a equipe precisa se reorganizar com novos nomes.

Eu penso que jogadores como o Neymar, que já comentou ontem, e todo o respeito com sua decisão. Eu creio que a história, uma geração se acaba e a outra tem que vir, tem que ser melhor que a última.

Carlo Ancelotti, à ESPN

  • Neymar indicou que não pretende seguir no time nacional após partida do Santos na Sul-Americana. A declaração reforçou um discurso que ele já havia dado depois de uma derrota nos EUA, quando disse que o ciclo tinha terminado.

  • Parte dos veteranos ainda pode permanecer, mas sem garantia de continuidade automática. Ancelotti citou Marquinhos como exemplo de jogador que pode ajudar na transição e disse que a posição de goleiro será observada com atenção.

Alguns desses (veteranos) vão estar, obviamente. Marquinhos, por exemplo. O Alisson vamos ver. Obviamente temos que olhar os jovens goleiros, porque há jovens goleiros que já estão jogando no Campeonato Brasileiro, outros muito jovens que estão jogando que podem estar.

  • O técnico afirmou que a comissão já trabalha com a ideia de iniciar um novo ciclo, com espaço para testes e observação. Ele disse que a renovação não significa trocar todo o grupo de uma vez, mas abrir caminho para novos convocados.

  • O que pensamos é que alguns podem estar, mas temos de olhar para um ciclo novo, e vamos olhar para um ciclo novo e vamos colocar novos jogadores.

Fim de ciclo para veteranos e autocrítica da Copa

  • Ancelotti incluiu Neymar, Casemiro, Danilo e Alex Sandro entre os nomes que tendem a encerrar o ciclo na seleção. Para ele, a Copa marcou o fim de uma geração que chegou ao Mundial com mais de 30 anos.

Eu acho que sim. É um período que termina. Obviamente, temos que agradecer a todos eles, e tenho muito carinho por todos eles. Mas eu acho que a ideia que jogador com mais de 30 anos se acaba é que temos que pensar no futuro.

A única coisa que me incomodou é que o Neymar podia treinar nesse período, preparar-se melhor, podia estar melhor no primeiro jogo e não no quarto jogo. Isso foi a única coisa que me incomodou. Depois, a atitude do jogador foi perfeita. Treinou muito bem, estava focado na recuperação, ajudou a equipe, ajudou os companheiros, estava muito sério e concentrado no treinamento.

  • Em entrevista para o ge, o treinador disse que passou semanas processando a derrota e avaliando o primeiro ano de trabalho. Ele descreveu o pós-eliminação como um período de tristeza e de reflexão por ser um revés em Copa do Mundo.

Não foi um período fácil, por causa da tristeza, da decepção da derrota. É uma derrota diferente, porque é uma derrota em uma Copa do Mundo. Você não tem tempo como em um clube de reagir, de recuperar. E a derrota fica dentro mais tempo.

Carlo Ancelotti, ao GE

Próximo alvo: Copa América de 2028

Ancelotti afirmou que o Brasil vai mirar um objetivo mais próximo do que a Copa do Mundo de 2030. Ele disse que a ideia é mapear jogadores que possam ser competitivos já na Copa América de 2028.

Vamos mapear os novos jogadores que possam entrar não digo na próxima Copa do Mundo de 2030, mas que possam já ser competitivos no primeiro objetivo, que é a Copa América de 2028.

O treinador reforçou que a reconstrução não será radical e que alguns líderes devem permanecer para dar continuidade ao trabalho.

Não vou dizer que vou mudar todos os 26. Vamos manter alguns jogadores importantes, que podem seguir com a linha de trabalho, como o Marquinhos, para dizer um nome. Acho que é importante que fique para dar um sinal de continuidade ao trabalho. Mas a ideia é mudar, botar uma nova geração.

Por fim, Ancelotti também falou sobre o que teria feito de diferente na derrota para a Noruega.

Acho que até a parada para hidratação do segundo tempo a equipe estava bem colocada no campo (um minuto antes da parada, Ancelotti fez duas substituições: Danilo Santos e Neymar entraram nas vagas de Martinelli e Rayan). Tivemos a oportunidade de fazer o gol no pênalti e com Endrick. A autocrítica que eu posso fazer, que eu fiz depois do jogo, é que eu mudei a estrutura do time depois da parada para hidratação e aí perdemos o controle do jogo.

Uol
https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2026/07/29/ancelotti-ve-fim-de-ciclo-na-selecao-apos-fala-de-neymar-e-aposta-em-renovacao.ghtm