Trilho em ferrovia  Crédito: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/Código imagem:211144 |
Financiamento de até 40 anos para ferrovias será lançado na quinta (11)

Financiamento de até 40 anos para ferrovias será lançado na quinta (11)

Nova linha do BNDES será apresentada na B3, diz ministro; o objetivo é ampliar o número de investidores internacionais


Jenifer Ribero, da CNN Brasil

O governo federal e o BNDES lançam, nesta quinta-feira (11), uma nova linha de financiamento para projetos ferroviários com prazo mais amplo de pagamento. A informação foi dada pelo ministro dos Transportes, George Santoro, durante participação no programa "Bom Dia, Ministro".

Procurado pela reportagem, o Ministério dos Transportes informou que a expectativa é que o prazo máximo de pagamento seja de 40 anos. O anúncio deve ser feito durante o evento "Novos Caminhos sobre Trilhos: O Futuro das Ferrovias no Brasil", na Arena B3.

Recentemente, o ministro já havia sinalizado à CNN que a pasta e o banco de desenvolvimento estavam discutindo a estruturação dessa nova política de crédito para o setor ferroviário. Porém, Santoro pedia financiamentos de até 60 anos e carência ampliada.

A iniciativa tem como objetivo adequar o financiamento público à realidade dos empreendimentos ferroviários, que demandam elevados investimentos iniciais e possuem retorno financeiro em períodos mais longos. A expectativa é que a nova modalidade também conte com prazos ampliados de carência, reduzindo a pressão financeira durante a fase de implantação das obras.

A criação da linha faz parte da estratégia do governo para aumentar a participação, principalmente, do investidor internacional em projetos como a Ferrogrão e a EF-118 (Anel Ferroviário do Sudeste), que demandam um alto volume de recursos para serem construídos.

A avaliação da pasta é que os mecanismos tradicionais de financiamento não refletem as características do setor ferroviário e que as novas condições seriam mais compatíveis com o perfil dos empreendimentos, o que poderia ampliar a competitividade dos próximos projetos previstos.

Anel Sudeste

Durante o programa, o ministro também afirmou que o pedido de pesquisas arqueológicas, exigidas pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), não devem atrasar mais ainda o cronograma da EF-118.

Segundo ele, o TCU (Tribunal de Contas da União) deve finalizar a análise do projeto até, no máximo julho, e o edital poderá ser publicado ainda em 2026.
O leilão do Anel Ferroviário do Sudeste é um dos mais aguardados pelo setor e pode ser o primeiro a ir à leilão neste ano. Porém, o cronograma da licitação - inicialmente previsto para ser levado para a B3 em junho - já está atrasado.

Caso o TCU conclua a análise da concessão em julho sem recomendar alterações no projeto - cenário pouco comum em processos dessa complexidade -, o governo poderá publicar o edital na sequência. Nesse cronograma, o leilão seria realizado em outubro, respeitando o prazo de aproximadamente 90 dias normalmente concedido ao mercado para avaliar as condições da licitação e estruturar propostas.

A ferrovia deverá receber R$ 6,6 bilhões de investimentos - com aportes cruzados de R$ 4,1 bilhões provenientes do pagamento de outorga de outras concessões - em sua fase de implantação.

Na primeira etapa, ela terá 246 quilômetros entre Santa Leopoldina (ES) e São João da Barra (RJ). Poderá, no futuro, ser estendida até Nova Iguaçu (RJ).

CNN Brasil
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