Documentos do antigo IML são jogados pela janela na Lapa - Foto: Reprodução/TV Globo |
Documentos do antigo IML são jogados pela janela na Lapa; prédio guarda registros da ditadura militar

Documentos do antigo IML são jogados pela janela na Lapa; prédio guarda registros da ditadura militar

Instituto do Patrimônio acionou a Polícia Federal para recuperar documentos e fotos levados para reciclagem; arquivos podem conter informações sobre desaparecidos políticos.


Por Luana Alves, RJ2

Um vídeo mostra documentos e fotografias que estavam guardados no antigo prédio do Instituto Médico Legal, na Lapa, sendo jogados pela janela nesta quinta-feira (14). O material pode conter registros históricos importantes, inclusive informações sobre desaparecidos políticos durante a ditadura militar.

Imagens mostram pessoas arremessando uma grande quantidade de documentos pelas janelas do edifício. O prédio do antigo IML guarda fotografias e registros do período da ditadura, e entidades ligadas aos direitos humanos temem a perda definitiva desse acervo.

Ao tomar conhecimento do descarte irregular, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) acionou a Polícia Federal para tentar recuperar o material, que já havia sido encaminhado para reciclagem.

A caçamba onde os documentos foram despejados foi levada para o pátio da Polícia Federal, onde passará por perícia. O que for recuperado não deve retornar ao antigo prédio do IML. Há uma determinação da Justiça Federal para que os documentos sejam transferidos para um local adequado de conservação, mas o destino do acervo ainda não foi definido.

O prédio do antigo IML está fechado desde 2009, quando o instituto foi transferido para a Avenida Francisco Bicalho. Desde então, o imóvel é alvo de denúncias de abandono feitas por entidades de direitos humanos.

Imagens gravadas no interior do edifício mostram documentos e materiais ainda espalhados em prateleiras antigas, em meio à degradação do espaço.

Para o Ministério Público Federal, a preservação do acervo é urgente. Em março deste ano, a Justiça Federal determinou que os documentos fossem mantidos em condições adequadas de conservação. O procurador da República Júlio Araújo afirmou ter ficado alarmado com as imagens do descarte ilegal.

Procurada, a Polícia Civil disse que parte do material estava contaminada, sem identificação e sem relevância histórica e que o restante do material, que tem valor documental, será encaminhado ao arquivo público do estado.

G1
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