Haddad: ministro nega que tenha cedido à pressão, mas expectativa é de anúncio nos próximos dias - Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo - 11/12/2025 |
Aliados cobram de Lula ofensiva eleitoral em São Paulo

Aliados cobram de Lula ofensiva eleitoral em São Paulo

Petistas esperam que Haddad anuncie candidatura ao governo do Estado nesta semana para reforçar palanque no maior colégio eleitoral


Por Andrea Jubé - De Brasília

Diante do crescimento do pré-candidato a presidente do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), nas pesquisas, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobram uma ofensiva imediata do PT em São Paulo. Alertam que é preciso avançar no maior colégio eleitoral do país, bem como ampliar o favoritismo na capital.

Em um momento em que a aprovação do governo vem caindo até no Nordeste, reduto histórico do mandatário, a percepção é de que a vantagem de quase meio milhão de votos sobre Jair Bolsonaro na metrópole paulista foi fundamental para a vitória petista em 2022.

Mas enquanto Lula e o PT esperam pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, Flávio se movimenta. Na sexta-feira (27), ele se reuniu com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para discutir o palanque paulista, e depois divulgou foto de mãos dadas com o aliado. "Meu amigo Tarcísio, vamos estar juntos não apenas em São Paulo, mas devolvendo a esperança a todos os brasileiros", publicou em seus perfis. O PL quer a vaga de vice do governador, mas ainda não levou. Por ora, uma das vagas ao Senado por São Paulo ficou com o deputado Guilherme Derrite (PP), e a outra foi prometida ao PL.

A expectativa de petistas é que Haddad - ex-prefeito de São Paulo - anuncie a pré-candidatura ao governo paulista nesta semana, do lado de Lula e do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), Geraldo Alckmin (PSB).
Haddad nega que tenha cedido à pressão de Lula, mas fontes do PT a par das tratativas afirmam que as conversas estão avançadas. Faltam ajustes com Alckmin, considerado peça essencial para a campanha paulista, mas a sinalização seria de confirmação da chapa de Lula em São Paulo, encabeçada por Haddad, nos próximos dias.

Ao mesmo tempo, petistas apostam no racha da base do governador no Estado, diante do distanciamento entre Tarcísio e o presidente do PSD e secretário de Governo, Gilberto Kassab. O dirigente do PSD anunciou uma caravana com os três presidenciáveis da sigla, os governadores Eduardo Leite (RS), Ratinho Júnior (PR) e Ronaldo Caiado (GO) neste mês, acompanhando filiações em quatro municípios e na capital. Mas diante dos rumores de mal-estar com o governador, Kassab foi às redes sociais dizer que irão "se desiludir" os que apostam no fim de sua aliança com Tarcísio: "Existem pessoas que têm dificuldades em aceitar parcerias sólidas, transparentes e corretas. Vamos continuar juntos em um projeto de São Paulo e Brasil."

Um dirigente do PT negou que o desempenho de Flávio nas pesquisas e a aliança dele com Tarcísio tenham elevado a pressão para definição em São Paulo. Contudo, na sexta-feira, em recado à militância, o presidente nacional da legenda, Edinho Silva, disse que não é hora de desânimo e convocou os apoiadores de Lula a saírem às ruas para cobrar o fim da jornada 6x1 e a tarifa zero para o transporte público. "Ficamos estarrecidos quando oscilamos um pouco nas pesquisas, estamos vivendo um momento de acirramento da conjuntura", admitiu, mas cobrou reação: "Temos que ir para a ofensiva."

Um governista, não filiado ao PT, ressaltou que Lula precisa colocar o time em campo em São Paulo o quanto antes, porque os votos do Nordeste não garantem mais a folgada vantagem do passado sobre o adversário. Segundo esta fonte, a diferença do petista sobre Bolsonaro na capital paulista foi essencial para a vitória no segundo turno em 2022.

Com uma dianteira de 486 mil votos, Lula alcançou 53,5% dos votos contra 46,4% do adversário. Em contrapartida, o eleitor do interior paulista continua refratário à esquerda. Bolsonaro conquistou 55,2% dos votos no Estado, ante 44,7% do petista. A se confirmar o palanque liderado por Haddad, o mandatário conta com a aprovação de Alckmin no interior para melhorar o desempenho. A posição do político do PSB na vaga de vice, entretanto, não está confirmada, o que dificulta a estratégia neste momento.

Na realidade, os eleitores de São Paulo e Salvador asseguraram as maiores vantagens a Lula no pleito anterior. Foram cerca de 638 mil votos na capital baiana, que somados ao resultado na capital paulista, totalizaram mais de 1,1 milhão de votos - metade dos 2,1 milhões de votos (1,8% do total) da diferença de Lula para Bolsonaro no pleito.

Pesquisa assustou petistas

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada na quarta-feira (25) assustou os petistas, diante da rápida redução da diferença entre Lula e Flávio. Na região Sudeste, em janeiro, o petista tinha 49,3% das intenções de voto, contra 36,1% do senador do PL. Já em fevereiro, ele apareceu 43,6% ante 41,9% para o adversário.

Ao mesmo tempo, a queda do favoritismo no Nordeste foi expressiva. Lula aparecia 58,2% em janeiro, e caiu para 50,4% em fevereiro - menos 7,8 pontos percentuais, enquanto o senador do PL subiu de 28,7% para 31,8%.

Na região Sudeste, a desaprovação ao governo continua maior, marcando 54% em fevereiro, enquanto 42% dos brasileiros aprovam a administração petista, segundo levantamento da Genial/Quaest divulgado no começo do mês. No Nordeste, 61% da população aprova o governo, enquanto 33% reprovam. A reprovação, contudo, aumentou três pontos percentuais em relação a janeiro.

Um apoio relevante para Lula no pleito de 2022 foi das mulheres, que começaram a se distanciar do petista, que se empenha em reverter este processo. O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) critica o que considera omissão de Tarcísio, que deixou de investir 70% da verba para o combate à violência contra a mulher, em uma conjuntura de aumento dos feminicídios. Em outro movimento, Edinho Silva anunciou que em 8 de março, Dia das Mulheres, militantes petistas deveriam cobrar a aprovação da redução da escala de trabalho 6x1.

Atualmente, Lula mantém-se favorito entre as mulheres e os idosos, mas parcelas de seu eleitorado mais cativo estão migrando para Flávio. Segundo a mesma pesquisa Atlas/Bloomberg, houve queda exponencial do apoio dos eleitores que possuem apenas o ensino fundamental. Em janeiro, o petista era o favorito desse segmento com 61,2% das intenções de voto, mas este índice caiu para 37,3% em fevereiro, quase 24 pontos. Flávio, por outro lado, subiu de 28% para 41,2%, alta de 13,2 pontos junto a este eleitorado.

Valor
https://valor.globo.com/politica/noticia/2026/03/02/aliados-cobram-de-lula-ofensiva-eleitoral-em-sao-paulo.ghtml