Presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, deputado André do Prado (PL) - Foto: Rodrigo Costa/Alesp |
PL eleva pressão por vice de Tarcísio na eleição para o governo de SP

PL eleva pressão por vice de Tarcísio na eleição para o governo de SP

Valdemar Costa Neto tenta emplacar presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado, na chapa


Por Joelmir Tavares, Valor - São Paulo

O PL intensificou os esforços para ocupar a vice na chapa do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), enquanto aumentam as dúvidas sobre a permanência do PSD no posto para a campanha à reeleição. A movimentação é liderada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que pretende emplacar na vaga o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado.

Em meio à pressão, Prado quer reunir Valdemar e Tarcísio em um evento marcado para esta sexta-feira (27), na Assembleia. Segundo auxiliares do governador, ainda não há definição sobre a composição da chapa e a expectativa é negociar com os partidos aliados mais adiante, quando terminar o período de migração partidária e o cenário estiver mais consolidado.

Prado convidou Tarcísio e outros aliados, como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), para a solenidade em que Valdemar receberá o Colar de Honra ao Mérito Legislativo, uma das principais honrarias da Assembleia. As agendas do governador e do prefeito para sexta ainda não foram divulgadas. Também é esperado o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL à Presidência, escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ao propor a homenagem, Prado afirmou que o objetivo é "reconhecer a trajetória política e os serviços prestados à vida pública" por Valdemar. À frente do PL desde 2000, o dirigente foi preso e condenado no escândalo do mensalão. Hoje, está proibido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de ter contato com Bolsonaro, que cumpre pena por tentativa de golpe de Estado.

O presidente da Assembleia tem evitado se colocar publicamente como aspirante à vaga, mas confirmou em entrevista ao Valor que o PL tem interesse no posto e defende que Tarcísio retribua o apoio da bancada do partido na Casa. "A decisão será tomada pelo governador, que vai escolher alguém da confiança dele", disse Prado.

Valdemar afirmou nesta segunda-feira (23), após participação em jantar com empresários promovido pelo grupo Esfera Brasil, que pretende conversar com Tarcísio sobre a vice e reiterou que o PL quer participar do governo paulista em um eventual segundo mandato.

"Vou pedir para ele a vice", disse Valdemar a jornalistas, na saída do evento na capital paulista.

O atual vice é Felicio Ramuth (PSD), que já demonstrou interesse em se manter no posto, mas a manutenção do arranjo atual dependeria de um acerto com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. A relação entre Tarcísio e Kassab, que também é secretário estadual de Governo e Relações Institucionais, passa por uma fase de turbulência.

"Eu acho que é um direito nosso", completou Valdemar. "Eu cedi a vice da outra eleição [em 2022] para o Kassab. A vice era nossa, agora é a nossa vez. E nós temos a maior bancada de deputados estaduais. É justo ele [Tarcísio] ceder para nós. Agora, isso depende da vontade dele."

O presidente do PL se esquivou de comentar a situação de Ramuth, que passou a sofrer desgaste por ser alvo de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro e nega qualquer irregularidade. "Eu não desejo isso para o Felício, mas pode enfraquecer [o nome dele para continuar na chapa]", respondeu Valdemar.

Tarcísio minimizou nesta segunda a investigação sobre seu vice e classificou a história como "fofoca". Segundo o governador, a apuração não afetará a composição de sua chapa. "Quem tem que comentar e já vem comentado é ele [Ramuth]. Ele já deu todos os esclarecimentos à Justiça", disse à imprensa.

Tarcísio diz que é cedo

O PL tem usado o argumento da proporcionalidade para reivindicar o espaço na chapa de Tarcísio, já que tem a maior bancada de estadual entre os partidos da base, com 20 deputados. Segundo Valdemar, a legenda chegará a "25 ou 26 deputados na próxima eleição". A avaliação da sigla é que ela foi fundamental para ajudar a aprovar a agenda do governador na Assembleia.

Segundo líderes do partido, a presença de um membro do PL na chapa estadual seria importante também para fortalecer o palanque de Flávio no Estado, reforçando sua ligação com Tarcísio. Outro ponto citado é que o PL poderia agregar efetivamente votos para o governador, e não só dar sustentação política à candidatura.

Tarcísio disse nesta terça-feira (24), após evento do governo em Itaquaquecetuba (SP), que "está muito cedo" para falar sobre escolha de vice e, questionado sobre a alegação do PL de que teria direito à vaga, reagiu.

"A gente tem que governar, tem muitas agendas pela frente, muitos compromissos com a população de São Paulo. Escolha de vice é lá na frente, lá perto das convenções. A gente não vai tratar desse tema agora", afirmou o governador a jornalistas. Indagado, ele disse que "não existe esse negócio de direito do partido [PL]" em relação aos demais aliados.

Na ocasião, Tarcísio reafirmou seu apoio à candidatura presidencial de Flávio e declarou que vai trabalhar para "garantir o melhor palanque possível para ele aqui no Estado".

Valor
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