Morena Leite assume toda a gastronomia do museu Inhotim, em Minas Gerais. Na foto, obra de Robert Irwin, sem título, 2019.  Brendon Campos |
Grupo Capim Santo, da chef Morena Leite, assume gastronomia de Inhotim

Grupo Capim Santo, da chef Morena Leite, assume gastronomia de Inhotim

Referência na cozinha brasileira, chef Morena Leite assina a gastronomia dos restaurantes e eventos do maior museu a céu aberto do mundo, em Minas Gerais


Carolina Daher, colaboração para o Viagem & Gastronomia

Inhotim escolheu o Grupo Capim Santo para conduzir uma nova fase de sua experiência gastronômica. A partir de fevereiro, a chef Morena Leite passa a assinar a alimentação dos três restaurantes do museu mineiro e também a gastronomia dos eventos, em diálogo direto com a proposta cultural e sensorial do maior museu a céu aberto do mundo. Mas a relação de Morena com o museu é de longa data.

Como Morena chegou a Inhotim

Dia 2 de fevereiro de 2025. Foi durante um almoço para celebrar Iemanjá, na casa do fotógrafo João Farkas, em Salvador, que Morena Leite reencontrou Paula Azevedo. A chef e a diretora-presidente de Inhotim engataram uma longa conversa, e Morena falou sobre sua relação afetiva com o museu mineiro. Ela acompanhou o nascimento de Inhotim há cerca de 20 anos, quando o projeto ainda era desenhado durante reuniões entre o fundador Bernardo Paz e seu padrinho, o artista Hugo França, encontros que aconteciam com frequência em seu restaurante Capim Santo, em São Paulo. "Tanto que a Dailde, que assumiu a cozinha do Instituto, passou três meses conhecendo nossas operações", lembra Morena.

Entre um papo e outro, começou ali o namoro entre Inhotim e Capim Santo. "Acho que ela percebeu que eu poderia ser um bom nome para conduzir essa transição de uma gestão familiar para uma estrutura mais profissional. Eu tinha uma relação afetiva com o lugar, mas também uma operação de negócios bem estruturada", diz a chef. O casamento deu certo. No dia 4 de fevereiro, Morena assume toda a operação de alimentação do maior museu a céu aberto do mundo.

Chef Morena Leite entre a Diretora-Presidente de Inhotim, Paula Azevedo, e Daniel Mangabeira, arquiteto responsável pelo projeto dos restaurantes no museu  Carol Daher
Chef Morena Leite entre a Diretora-Presidente de Inhotim, Paula Azevedo, e Daniel Mangabeira, arquiteto responsável pelo projeto dos restaurantes no museu  Carol Daher

Ao todo, são três espaços gastronômicos. Dois abrem agora, o Café das Flores e a Comidaria Oiticica. Em março, será a vez do Tamboril, que leva os clássicos brasileiros do Capim Santo para Minas Gerais. Além disso, o grupo passa a responder por toda a gastronomia dos eventos realizados no museu. "Isso amplia o alcance do projeto e consolida uma frente estratégica do negócio. É uma operação que exige planejamento, escala e precisão, sempre respeitando o contexto institucional e a experiência do público", afirma Adriana Drigo, sócia do Grupo Capim Santo.

Um tributo à cozinha mineira

Dia 13 de janeiro de 2026. Segunda-feira chuvosa em Brumadinho, município localizado a pouco mais de 50 quilômetros de Belo Horizonte. Morena chega a Inhotim para a primeira reunião com sua nova equipe. O grupo acompanha atento o discurso da chef. A conversa termina com uma foto e aquele frio na barriga típico dos começos. Para todos. Logo depois, Morena faz questão de encontrar Dailde. Vai pedir licença e bênção para entrar na cozinha que foi comandada por duas décadas por uma mineira.

É com esse cuidado, de quem chega a um território que respeita profundamente, que Morena Leite vem pisando em Minas Gerais. A Comidaria Oiticica nasce com a missão de valorizar a gastronomia do estado. "O mineiro tem aconchego no olhar. O jeito de fazer carinho é com um cafezinho. É uma hospitalidade singular", explica a chef. "Para o mineiro, receber não é ganhar nada em troca. É puro acolhimento", completa.

Para não sair dessa rota, Morena realizou uma ampla pesquisa sobre as doze mesorregiões de Minas Gerais, identificando ingredientes, técnicas e características próprias de cada território. Se Minas são muitas, como disse Guimarães Rosa, a proposta é mostrar essa diversidade cultural, geográfica e histórica por meio da comida. Para isso, a chef contou com a colaboração da jornalista gastronômica mineira Carolina Daher, que assume a curadoria da Comidaria Oiticica.

Cada região é representada por um ingrediente emblemático, como o café no Sul e Sudoeste de Minas, o queijo cabacinha no Vale do Jequitinhonha e a cachaça no Norte do estado. A proposta central é valorizar a gastronomia mineira, reconhecendo sua potência cultural e dando visibilidade a ingredientes e técnicas tradicionais. O menu, servido em formato de bufê a quilo, reúne preparos clássicos como feijão tropeiro, frango com quiabo e angu, além de criações autorais como a lasanha de frango com milho e requeijão.

Chefs convidados

O bufê contará ainda, mensalmente, com a participação de chefs convidados de diferentes regiões de Minas Gerais. Cada um será responsável por assinar um prato que traduza sua trajetória e relação com a culinária local.

A ideia é criar aqui também um verdadeiro pavilhão da gastronomia mineira, reunindo nomes que ajudaram e ajudam a escrever essa cultura alimenta.

Morena Leite

O primeiro convidado é o chef Flávio Trombino, do tradicional Xapuri. Durante o mês de fevereiro, os clientes da Comidaria Oiticica poderão provar um dos pratos mais emblemáticos do restaurante da Pampulha, em Belo Horizonte, o frango preguento do Bento. A receita leva coxa e sobrecoxa desossadas e desfiadas, preparadas com caldo denso, cogumelos, manteiga, arroz e cheiro-verde.

Isso aqui é um pouquinho de Brasil


Morena Leite com a equipe do restaurante Comidaria Oiticica  Carol Daher
Morena Leite com a equipe do restaurante Comidaria Oiticica  Carol Daher

Em obras, o Tamboril seguirá o modelo do Capim Santo. O serviço será à la carte, com um menu dedicado à cozinha brasileira em sua diversidade, reunindo referências e ingredientes de diferentes regiões do país. "Como gestora, minha intenção é usar a comida como ferramenta de comunicação. Muitas vezes, o turista, brasileiro ou estrangeiro, tem Inhotim como único destino. Quero que ele possa comer aqui um pato no tucupi do Pará ou uma moqueca baiana", afirma Morena.

"Em Inhotim, trabalhamos com o conceito de experiência. Não somos apenas um museu ou um jardim botânico. O diferencial está no diálogo entre esses elementos, que proporciona momentos de imersão, lazer e conhecimento", diz a diretora-presidente Paula Azevedo. "Integrar ainda mais a gastronomia a esse diálogo de excelência foi um passo natural. A chegada do Capim Santo reforça esse movimento", completa.

O que não vai faltar, garante Morena, é o seu já clássico brigadeiro de capim santo e uma cozinha democrática, que vai da costelinha ao quibe de abóbora com quinoa. "Vamos atender todos os públicos."

Inhotim: Rua B, 20, Brumadinho, Minas Gerais / Funcionamento: quarta a sexta, das 9h30 às 16h30; sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30. Nos meses de janeiro e julho, o restaurante funciona às terças das 9h30 às 16h30.

Restaurante Tamboril por Capim Santo; Comedoria Oiticica por Capim Santo e Café das Flores por Capim Santo com funcionamento de quarta a domingo, das 12h às 16h.

CNN Brasil
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