O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião bilateral na Cúpula da Asean em Kuala Lumpur, na Malásia - Foto: Ricardo Stuckert/PR |
Lula quer mais tempo para decidir sobre convite de Trump para 'Conselho da Paz' em Gaza, dizem auxiliares

Lula quer mais tempo para decidir sobre convite de Trump para 'Conselho da Paz' em Gaza, dizem auxiliares

Um dos interlocutores do presidente afirma que o governo brasileiro não agirá de forma açodada


Por Eliane Oliveira - Brasília

Pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que a decisão de aceitar ou não o convite dos Estados Unidos para integrar o chamado Conselho da Paz em Gaza precisa ser tomada com extrema cautela.

Um interlocutor do governo declarou que não há como dar uma resposta "sem entender as consequências" e que "essa decisão não pode ser tomada de forma açodada". Esse mesmo interlocutor ressalta a necessidade de avaliação detalhada dos impactos diplomáticos e geopolíticos antes de qualquer posicionamento definitivo.

Lula deve, portanto, apenas iniciar debates com auxiliares sobre o assunto a partir de segunda-feira. O convite foi feito na sexta-feira e recebido pela embaixada do Brasil em Washington. Procurado, o Itamaraty não se manifestou.

A solicitação, feita pelo presidente Donald Trump, também foi feita a outros líderes globais, incluindo o argentino Javier Milei, o turco Recep Tayyip Erdogan, o egípcio Abdel Fattah al‑Sisi e o canadense Mark Carney.

A proposta do Conselho da Paz visa supervisionar a reconstrução, a governança e a transição política na Faixa de Gaza após o cessar‑fogo mediado pelos EUA, em meio a mais de dois anos de conflito entre Israel e o Hamas.

A iniciativa americana, anunciada como parte de sua estratégia de estabilização do território palestino, tem sido alvo de críticas internacionais, sobretudo pela ausência de representantes palestinos no núcleo decisório e pelo protagonismo explícito dos Estados Unidos.

A composição do conselho inclui ainda figuras controversas para o governo brasileiro, o que levanta dúvidas sobre a legitimidade e eficácia prática do órgão.

Até o momento, o governo brasileiro não confirmou oficialmente a aceitação do convite, e os auxiliares de Lula reforçam que a decisão será tomada apenas após análise cuidadosa das implicações para a diplomacia brasileira e o histórico de atuação do país no conflito do Oriente Médio.

O Globo
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