O São Paulo está mal no campeonato e péssimo fora dele. O impeachment de Casares será um amento a curto prazo, mas e depois? O clube de 15 milhões de torcedores continuará refém de 260 conselheiros. Ou menos
Por: Menon
Na quinta-feira, dia 15, o São Paulo enfrenta o São Bernardo pelo Paulista. Precisa vencer, depois da estreia desastrosa contra o Mirassol, derrota por 3 x 0. No dia seguinte, será votado o pedido de impeachment do presidente Júlio Casares. Outra luta.
Para que seja confirmado, é preciso um quorum de 191 dos 254 conselheiros. E que 2/3 deles, um total de 171, vote pelo afastamento. A votação é híbrida, o conselheiro pode votar de casa ou se deslocar até o Morumbi, a partir das 18h30.
A determinação da votação híbrida e do quorum de 2/3 pela Justiça foi uma derrota de Casares. Ele pediu quorum de 3/4 - 191 votos contra - e votação apenas presencial. Assim, conselheiros que estão viajando, não poderiam votar.
Júlio Casares tem lutado bravamente. Foi à Justica. Soltou um documento jurando inocência e tem telefonado a conselheiros. Não tem dado certo. O seu vice vai votar pelo impeachment. Dedé, responsável pelo clube social e um de seus escudeiros, também. O clima é de debandada.
Ele jura inocência a respeito do escândalo dos ingressos do show de Shakira, quando os conselheiros Douglas Schwartzmann, responsável por Cotia, e Mara Casares, sua ex-mulher, foram gravados confessando o desvio de ingressos.
Também garante que tem como comprovar a enorme movimentação em sua conta, com valores muito maiores que seus rendimentos. A primeira tentativa de justificação foi risível: disse que tinha dinheiro guardado em casa e que fazia depósitos regularmente em sua conta. Dinheiro no colchão não rende nada. Um executivo deveria saber disso.
Se o impeachment vier, assume o vice Harry Massis Jr por um mês até que a assembleia geral dos sócios referende ou não a decisão.
A saída de Casares ajudaria muito o São Paulo, a curto prazo. Seria um sinal aos patrocinadores, ao mercado financeiro e aos empresários de jogadores de que a instituição não aceita estar na lama, sob o signo da desconfiança. Que voltou a ser dirigido com seriedade e austeridade.
Harry Massis não tem força política. Não tem capacidade de articulação para pensar na eleição do próximo ano. Vai se dedicar a enfrentar os grandes problemas do clube, trazendo para a gestão pessoas de vários grupos políticos. Se tentar fazer diferente, o caos vai aumentar.
Se Casares vencer a batalha e for mantido no cargo, será com menos votos contra o impeachment do que a favor. Como governar, com tamanha desmoralização?
Quem se juntará a ele no último ano de governo? Os que aceitarem, continuarão em abril quando Casares indicar seu sucessor?
Hoje, o clube está abandonado. O futebol está sendo tocado apenas por Rui Costa e sua política de tostões. O clube só contrata jogador livre no mercado e que ninguém mais quer: Danielzinho, Coronel e Lucas Ramón apenas em maio. Falta dinheiro.
Se, a curto prazo, a saída de Casares é uma necessidade presente, a longo prazo nada muda.
O São Paulo é um gigante do futebol mundial. Tem 15 milhões de torcedores. E tem seu destino decidido por articulações de 260 conselheiros, 100 deles vitalícios. No momento, é pior ainda. Cinco conselheiros morreram. Só há eleição quando dez morrem. E Mara Casares pediu licença.
São muitos homens em busca do pequeno poder. Tem adjunto de todos tipo, talvez até de peteca. O conselheiro que é situação hoje, vira oposição amanhã.
Pouquíssimos entre eles são a favor da ampliação do colégio eleitoral, contemplando de alguma maneira a torcida. Sócio torcedor não vota. Sócio não vota. Apenas eles, os conselheiros. Os cardeais. A casta.
Se ao menos aparecesse alguém com ideias arejadas, modernas, pensando no futuro. Nos velhos tempos, o São Paulo teve conselheiro que sonhou com o Morumbi. E virou realidade. Que sonhou com um grande time. E vieram Gerson, Pedro Rocha e Toninho Guerreiro. Que trouxe veteranos como Leônidas, Zizinho e Cerezo. Teve quem só hou com uma base forte. E construiu Cotia. Casares, aliás, queria vender 30% dela. Foi o início de sua queda.
Os supostos desmandos de Casares, sua egolatria, suas mentiras e promessas não cumpridas causaram revolta entre os conselheiros. Ótimo. Ainda se importam com o clube.
Mas, diante da dívida enorme, têm alguma ideia capaz de afastar o São Paulo Futebol Clube da irrelevância? Com tristeza, digo que não.
Revista Forum
https://revistaforum.com.br/blogs/com-casares-ou-sem-casares-sao-paulo-nao-tem-solucao-a-longo-prazo/





